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Depressão mista

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Depressão mista
PSIQUIATRIA EM MOVIMENTO · BIBLIOTECA DO ALUNO

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Sumário

Checklist clínico · critérios diagnósticos

Depressão mista

Checklist dos critérios de Koukopoulos: episódio depressivo maior somado a excitação psíquica e/ou motora. Contagem automática dos oito sintomas, com diagnóstico diferencial, relação temporal com antidepressivo e avaliação do risco suicida.

Koukopoulos & Sani · validação: Sani et al., J Affect Disord, 2014

Critérios de Koukopoulos para depressão mista

Roteiro estruturado para verificar se um episódio depressivo está atravessado por excitação psíquica e/ou motora. Marque o que estiver presente: a contagem, a interpretação e os alertas aparecem automaticamente no painel de resultado.

Ideia centralNa formulação de Koukopoulos, a depressão mista é um episódio depressivo acompanhado por excitação psíquica e/ou motora. O humor está deprimido, mas o sistema psíquico não está verdadeiramente inibido. A pergunta clínica é: esta depressão está predominantemente inibida ou está atravessada por excitação?

1 Episódio depressivo maior

Os critérios só se aplicam dentro de um episódio depressivo maior. Confirme humor, anedonia, energia, sono, apetite, culpa, concentração, psicomotricidade, duração, prejuízo funcional e ideação suicida.

2 Os oito critérios

Critério proposto: episódio depressivo maior + pelo menos 3 dos 8 sintomas abaixo.

Na amostra de validação com 435 pacientes, os três itens mais frequentes foram ausência de retardo psicomotor (84%), labilidade ou reatividade do humor (78%) e agitação psíquica ou tensão interna (75%) — marcados abaixo com a etiqueta correspondente.

Como investigar

Não pergunte apenas se o paciente está ansioso. Procure uma experiência de excitação interna dolorosa, frequentemente sem objeto claro.

  • Além da tristeza, existe uma inquietação por dentro que você não consegue desligar?
  • Você sente uma pressão ou energia ruim dentro de você?
  • É difícil permanecer parado, mesmo quando está exausto?
  • Você sente que precisa fazer alguma coisa, mas não sabe o quê?
Como investigar

O paciente pode ter uma mente rápida, mas improdutiva. Não é necessário haver fuga de ideias clássica.

  • Sua mente está lenta ou rápida?
  • Há poucos pensamentos repetitivos ou muitos pensamentos ao mesmo tempo?
  • Você consegue terminar uma linha de pensamento?
  • O que incomoda mais: o conteúdo ou a velocidade dos pensamentos?
Como investigar

A irritabilidade deve representar mudança em relação ao funcionamento habitual e ser maior do que simples impaciência por sofrimento.

  • Você está apenas sem paciência ou sente acessos de raiva difíceis de controlar?
  • Tem vontade de gritar, quebrar algo ou empurrar alguém?
  • Sua família percebeu que você está mais explosivo?
Como investigar

Ausência de lentificação não significa ausência de incapacidade. O paciente pode estar funcionalmente comprometido, mas manter fala, gestos e inquietação. Observe movimentação, troca de posição, torcer das mãos, fala difícil de interromper e choro abrupto.

Como investigar

Pode haver fala abundante e difícil de interromper, centrada em sofrimento, queixas e conflitos, sem expansividade ou grandiosidade.

  • Você está falando mais do que costuma?
  • Os familiares dizem que você repete as mesmas queixas por longos períodos?
Como investigar

Choro intenso, lamentações e expressão corporal marcada não devem ser automaticamente atribuídos a transtorno de personalidade. Verifique se surgiram com o episódio e se diferem do basal.

Nota de terminologia: no critério original este item é denominado “descrição dramática do sofrimento ou episódios frequentes de choro”. Aqui optou-se por “intensa” para evitar interpretação pejorativa, preservando o significado clínico original.

Como investigar

A tonalidade global permanece disfórica, mas o paciente pode alternar rapidamente entre tristeza, choro, irritação, raiva e ansiedade.

  • Você passa rapidamente do choro para a raiva?
  • Pequenos acontecimentos provocam reações muito intensas?
Como investigar

Diferencie insônia com cansaço e sofrimento de redução da necessidade de sono. Na depressão mista, o paciente geralmente quer dormir, mas não consegue.

  • Você dorme pouco porque não sente necessidade ou porque não consegue?
  • No dia seguinte, sente o efeito da privação de sono?
Critérios de Koukopoulos presentes 0 / 8 Confirme o episódio depressivo maior para interpretar a contagem.

3 Diagnóstico diferencial

Marque o que estiver presente. Estes itens não entram na contagem — servem para apontar quando outra leitura explica melhor o quadro.

4 Relação temporal com antidepressivo

Use a piora após antidepressivo como marcador de suspeição, não como critério obrigatório. Diferencie piora do próprio episódio, ativação medicamentosa, acatisia e virada maniforme.

O que registrarAntidepressivo, dose, data de início e aumentos recentes; mudança do sono, irritabilidade, aceleração mental e impulsividade. No estudo retrospectivo de 2007, 346 de 1.026 pacientes com episódios depressivos foram classificados como mistos; em 173 casos o início foi associado ao uso de antidepressivos — desenho naturalístico e retrospectivo, que não permite estabelecer causalidade.

5 Risco suicida

A combinação de desesperança, sofrimento intolerável, ausência de retardo psicomotor, impulsividade, agitação e insônia exige avaliação cuidadosa. A ideação pode ser menos contemplativa e mais urgente.

AlertaA presença de energia e impulsividade em um episódio depressivo pode aumentar a capacidade de agir sobre pensamentos suicidas.

Leitura do caso

⚠️ Instrumento de apoio — não substitui a avaliação clínica. Os critérios de Koukopoulos são uma proposta clínica e de pesquisa; não constituem categoria diagnóstica oficial universal. Depressão mista não prova, isoladamente, transtorno bipolar. A formulação deve integrar curso longitudinal, episódios prévios, história familiar, substâncias, causas clínicas e resposta a tratamentos.

Koukopoulos versus DSM-5

AspectoKoukopoulosDSM-5 — especificador com características mistas
NúcleoExcitação psíquica e/ou motora dentro da depressãoSintomas maniformes não sobrepostos
Sintomas valorizadosAgitação, irritabilidade, labilidade, pensamentos amontoadosHumor elevado, grandiosidade, maior atividade, risco prazeroso
SonoInsônia com sofrimento e cansaçoRedução da necessidade de sono
ImplicaçãoMaior sensibilidade para apresentações disfóricasPode não identificar muitos casos descritos por Koukopoulos

Limitações

  • Os critérios são uma proposta clínica e de pesquisa; não constituem categoria diagnóstica oficial universal.
  • A validação disponível foi interna e requer replicação externa.
  • Parte importante da literatura é naturalística e retrospectiva.
  • No estudo de validação interna, um modelo multivariável baseado em validadores clínicos apresentou sensibilidade de 76,4% e especificidade de 86,3%. Esses valores não representam, isoladamente, a acurácia do ponto de corte de três sintomas.
  • Depressão mista não prova, isoladamente, transtorno bipolar.
  • Não diagnosticar depressão mista com base em ansiedade ou irritabilidade isoladas.
Regra para lembrarDepressão inibida: sofrimento + redução de energia e atividade. Depressão mista: sofrimento + excitação disfórica, improdutiva e potencialmente impulsiva.

Referências

  1. Koukopoulos A, Sani G, Koukopoulos AE, Manfredi G, Pacchiarotti I, Girardi P. Melancholia agitata and mixed depression. Acta Psychiatr Scand. 2007;115(Suppl 433):50-57.
  2. Sani G, Vöhringer PA, Napoletano F, et al. Koukopoulos' diagnostic criteria for mixed depression: a validation study. J Affect Disord. 2014;164:14-18.
  3. Koukopoulos A, Sani G. DSM-5 criteria for depression with mixed features: a farewell to mixed depression. Acta Psychiatr Scand. 2014;129(1):4-16.
  4. Koukopoulos A, Sani G, Ghaemi SN. Mixed features of depression: why DSM-5 is wrong (and so was DSM-IV). Br J Psychiatry. 2013;203(1):3-5.
  5. Faedda GL, Marangoni C, Reginaldi D. Depressive mixed states: a reappraisal of Koukopoulos' criteria. J Affect Disord. 2015;176:18-23.

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