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Flashcards Clínicos dos Antidepressivos

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Flashcards Clínicos dos Antidepressivos
PSIQUIATRIA EM MOVIMENTO · BIBLIOTECA DO ALUNO

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Sumário

52 cartões clínicos

Flashcards Clínicos dos Antidepressivos

Escolha da molécula · dose · introdução · segurança · monitorização · interações

Cecília Franco, Ricardo Kadi e Tomaz Eugenio · consulta rápida
Como usar este material52 cartões clínicos de consulta rápida sobre antidepressivos — escolha da molécula, dose, introdução, segurança, monitorização e interações. Resumem o manual clínico completo; não substituem avaliação individual, bula, base de interações em tempo real ou monitorização clínica. Doses e aprovações variam por país, formulação e bula. Base: Maudsley 15ª ed.; CANMAT 2023/2024; revisões sistemáticas e metanálises de alto impacto; CPIC; documentos regulatórios atuais. Revisão científica concluída em 26 de julho de 2026.

Parte 1 · Antes de prescrever: conceitos-base

01 · Antes de prescrever: o que não pode faltar? Base clínica

DiagnósticoConfirmar síndrome, gravidade, duração, prejuízo funcional, episódio prévio, psicose, catatonia, uso de substâncias e causas médicas.
BipolaridadePesquisar hipomania/mania, história familiar, início precoce, episódios breves/recorrentes, características mistas e ativação prévia por antidepressivo.
RiscoAvaliar suicídio, automutilação, agitação, impulsividade, acesso a meios e necessidade de maior contenção ou seguimento.
História terapêuticaRegistrar molécula, dose, duração, adesão, resposta e eventos adversos de cada tentativa anterior.
Contexto clínicoComorbidades, gestação/lactação, função hepática/renal, epilepsia, QT/arritmia, peso, sódio, sangramento, glaucoma e medicamentos concomitantes.
AlvoDefinir sintomas-alvo e uma medida basal: escala, sono, função, peso, PA/FC ou domínio específico.

02 · Como introduzir e avaliar resposta? Método

ComeçarUsar dose de tolerabilidade quando ansiedade, pânico, fragilidade, idade avançada ou efeitos adversos prévios aumentam o risco de abandono.
TitularSubir de forma programada até dose terapêutica, respeitando meia-vida, tolerabilidade, indicação e formulação.
Revisar cedoContato em 1-2 semanas quando há risco, piora inicial, jovem, comorbidade relevante ou mudança rápida de dose.
Resposta parcialEm geral, otimizar dose e duração antes de trocar; confirmar adesão, diagnóstico, interação, substância e comorbidade.
Sem melhoraAusência total de melhora após cerca de 4 semanas em dose terapêutica reduz a chance de resposta tardia e exige reavaliação.
Ensaio adequadoPara TDM, usualmente 6-8 semanas em dose terapêutica; TOC e alguns transtornos ansiosos frequentemente exigem mais tempo.

03 · Escolha guiada pelo fenótipo clínico Seleção

Ansiedade/pânicoEscitalopram ou sertralina com início baixo; venlafaxina XR é opção quando ISRS falha e PA/retirada não limitam.
Fadiga/hipersoniaFluoxetina, bupropiona ou vortioxetina podem favorecer; evitar ativadores se agitação/insônia predominam.
Insônia/baixo apetiteMirtazapina pode transformar efeitos adversos em benefício; trazodona em dose hipnótica não equivale a tratamento antidepressivo.
Dor neuropáticaDuloxetina; TCAs em casos selecionados, ponderando carga anticolinérgica, cardíaca e letalidade em overdose.
Disfunção sexualBupropiona, mirtazapina, vortioxetina ou agomelatina tendem a ter menor carga do que ISRS/IRSN.
PolifarmáciaEscitalopram, sertralina, desvenlafaxina ou vortioxetina costumam ser mais simples; revisar sempre interações específicas.

04 · Classes em 30 segundos Mapa rápido

ISRSPrimeira linha ampla; náusea inicial, disfunção sexual, hiponatremia e sangramento. Diferenças principais: ativação, sedação, retirada, QT e CYP.
IRSNÚteis quando dor ou sintomas noradrenérgicos importam; monitorar PA/FC e retirada, sobretudo com venlafaxina.
BupropionaAtivadora, baixa carga sexual e pouco ganho de peso; evitar em epilepsia, anorexia/bulimia e retirada abrupta de sedativos/álcool.
MirtazapinaSedativa e orexígena; favorece insônia/baixo apetite, mas peso e sedação podem persistir.
TCAEficazes, porém anticolinérgicos, cardiotóxicos e perigosos em overdose; ECG/TDM têm papel em situações selecionadas.
IMAO/RIMAOpções especializadas para depressão resistente/atípica; exigem domínio de dieta, washout e interações.

05 · Efeitos que costumam melhorar com o tempo Tolerabilidade

GastrointestinaisNáusea, diarreia e desconforto abdominal frequentemente diminuem em 1-2 semanas; alimento, início baixo e titulação lenta ajudam.
AtivaçãoAnsiedade, inquietação e cefaleia iniciais podem atenuar; piora intensa, acatisia, ideação suicida ou virada não devem ser apenas observadas.
Sedação/tonturaPode ocorrer tolerância parcial em dias ou semanas; ajustar horário, reduzir dose ou trocar se comprometer segurança e função.
SonoInsônia inicial pode reduzir, mas pode persistir com agentes ativadores; higiene do sono e horário são medidas iniciais.
ApetiteSupressão inicial com fluoxetina/bupropiona pode diminuir; o peso de longo prazo não deve ser previsto apenas pelo efeito inicial.
Regra práticaSe o evento é leve, esperado e declinante, manejar e acompanhar; se é grave, progressivo ou perigoso, não esperar adaptação.

06 · Efeitos que frequentemente persistem Tolerabilidade

SexualRedução de libido, atraso orgásmico e anorgasmia e disfunção erétil costumam permanecer enquanto o agente serotoninérgico é mantido.
SudoresePode persistir com ISRS/IRSN, especialmente venlafaxina; confirmar dose, interação e outras causas.
PesoGanho é frequentemente tardio; maior preocupação com mirtazapina, paroxetina e alguns TCAs.
EmbotamentoPode persistir e confundir-se com sintomas residuais; perguntar ativamente sobre motivação, prazer e amplitude afetiva.
AnticolinérgicosBoca seca, constipação, visão borrada e retenção tendem a continuar em paroxetina/TCAs.
RetiradaNão é efeito adverso contínuo, mas reaparece com atraso/omissão em fármacos de meia-vida curta; planejar descontinuação desde o início.

07 · Disfunção sexual: avaliação e manejo Efeito adverso

AntesRegistrar libido, excitação, ereção/lubrificação, orgasmo e satisfação antes do tratamento.
DiferenciaisDepressão residual, ansiedade, diabetes, doença vascular, hormônios, substâncias, relacionamento e outros medicamentos.
Primeiras açõesAguardar adaptação apenas se leve e aceitável; reduzir dose dentro da faixa eficaz ou ajustar horário quando clinicamente plausível.
TrocaConsiderar bupropiona, mirtazapina, vortioxetina ou agomelatina conforme o perfil global.
AdjuvânciaBupropiona possui evidência em alguns cenários; inibidor de PDE5 pode ajudar disfunção erétil. Discutir caráter off-label quando aplicável.
AlertaSintomas persistentes após suspensão foram descritos; documentar temporalidade, gravidade e causalidade diferencial.

08 · Peso e risco cardiometabólico Monitorização

BasalPeso/IMC e história metabólica; cintura, PA, glicemia/HbA1c e lipídios quando o risco clínico justificar.
Maior tendênciaMirtazapina, paroxetina e vários TCAs; maprotilina e amitriptilina destacam-se em comparações recentes.
Menor tendênciaBupropiona tende a perda ou menor ganho; agomelatina, vortioxetina e alguns ISRS podem ser mais neutros no curto prazo.
AcompanharPeso em 4-12 semanas e periodicamente se houver risco, aumento de apetite ou ganho precoce.
ManejoDiferenciar recuperação do apetite de aumento persistente; abordar sono, alimentação, atividade física e comorbidades.
TrocaConsiderar quando o ganho é clinicamente relevante, progressivo e incompatível com o objetivo terapêutico.

09 · Cardiovascular: QT, pressão e frequência Segurança

ECGNão é universal. Solicitar quando há cardiopatia, síncope, QT longo, bradicardia, eletrólitos alterados, múltiplos prolongadores de QT, TCA ou dose relevante de citalopram.
QTCitalopram tem alerta dose-dependente; escitalopram também exige cautela. TCAs e combinações elevam o risco.
PA/FCMedir antes e durante venlafaxina, desvenlafaxina, duloxetina, milnaciprana, bupropiona e IMAO conforme risco e dose.
HipotensãoTCAs, trazodona, mirtazapina e IMAO podem causar ortostatismo; idosos e polifarmácia são mais vulneráveis.
EletrólitosCorrigir hipocalemia/hipomagnesemia antes de aceitar risco de QT.
CondutaSíncope, palpitação sustentada, dor torácica ou QTc marcadamente elevado exigem reavaliação imediata.

10 · Hiponatremia e sangramento Segurança

Sódio basalConsiderar em idosos, baixo peso, sódio prévio baixo, diurético, doença renal, insuficiência cardíaca ou múltiplos fatores.
RepetirEm alto risco, cerca de 1-2 semanas após início ou aumento; antecipar se confusão, queda, cefaleia, náusea intensa ou convulsão.
MecanismoISRS/IRSN e outros serotoninérgicos podem precipitar SIADH; o risco não é exclusivo de uma molécula.
SangramentoISRS/IRSN reduzem função plaquetária; risco aumenta com AINE, AAS, anticoagulante, antiagregante, idade e história GI.
ManejoEliminar combinações desnecessárias, tratar fatores de risco e orientar sinais de alarme; gastroproteção depende do risco global.
AlertaHiponatremia sintomática ou sangramento importante requer suspensão/reavaliação e tratamento dirigido.

11 · Síndrome serotoninérgica: reconhecer rápido Urgência

TríadeAlteração mental + hiperatividade autonômica + hiperatividade neuromuscular.
PistasClônus espontâneo/induzível/ocular, hiperreflexia, tremor, agitação, diaforese, diarreia e hipertermia.
CombinaçõesIMAO com serotoninérgico; linezolida/azul de metileno; tramadol, meperidina, dextrometorfano, MDMA, lítio e múltiplos antidepressivos.
Conduta inicialSuspender agentes serotoninérgicos, suporte, benzodiazepínico quando indicado e avaliação urgente conforme gravidade.
DiferencialSíndrome neuroléptica maligna, anticolinérgica, sepse, abstinência, intoxicação simpaticomimética e hipertermias.
PrevençãoRespeitar washout e revisar medicamentos prescritos, OTC, fitoterápicos e drogas recreativas.

12 · Interações farmacodinâmicas prioritárias Interações

SerotoninaSomação com IMAO, linezolida, azul de metileno, tramadol, meperidina, dextrometorfano, lítio e outros serotoninérgicos.
SangramentoISRS/IRSN + AINE/AAS/antiagregante/anticoagulante.
QTCitalopram/escitalopram/TCAs + antipsicóticos, antiarrítmicos, macrolídeos e distúrbios eletrolíticos.
SedaçãoMirtazapina, trazodona, TCAs e outros sedativos + álcool, opioide, benzodiazepínico ou anti-histamínico.
ConvulsãoBupropiona, maprotilina e clomipramina + outros redutores do limiar, abstinência ou distúrbio eletrolítico.
PressãoIRSN/bupropiona/IMAO + estimulantes, simpaticomiméticos ou outros agentes pressóricos.

13 · Interações CYP que mais mudam a receita Interações

FluoxetinaInibidor forte CYP2D6: eleva vários TCAs, antipsicóticos e betabloqueadores; reduz ativação de tamoxifeno, codeína e tramadol.
ParoxetinaInibidor forte CYP2D6; evitar com tamoxifeno quando possível e revisar metoprolol/TCAs/antipsicóticos.
BupropionaInibidor forte CYP2D6; pode elevar substratos e reduzir ativação de pró-fármacos dependentes de 2D6.
FluvoxaminaInibe fortemente CYP1A2 e 2C19: clozapina, olanzapina, teofilina, cafeína e benzodiazepínicos exigem atenção.
DuloxetinaInibidor moderado CYP2D6 e substrato CYP1A2/2D6; fluvoxamina e ciprofloxacino podem elevar exposição.
AgomelatinaSubstrato CYP1A2; fluvoxamina e ciprofloxacino são combinações contraindicadas.

14 · Retirada: quem preocupa e como reduzir Descontinuação

Maior riscoParoxetina e venlafaxina; também desvenlafaxina e fármacos de meia-vida curta.
Menor riscoFluoxetina pela meia-vida longa, embora interações e efeitos possam demorar a desaparecer.
SintomasFINISH: flu-like, insônia, náusea, desequilíbrio, alterações sensoriais e hiperativação/ansiedade.
Diferenciar recaídaRetirada tende a começar rapidamente, inclui sintomas físicos/neurológicos e melhora com reintrodução; recaída costuma ser mais gradual.
TaperReduções graduais e proporcionalmente menores nas doses baixas; evitar dias alternados para meia-vida curta.
Se graveReintroduzir a última dose tolerada e reduzir mais lentamente; formulação líquida/manipulada pode ser necessária.

15 · Troca e combinação: raciocínio rápido Estratégia

Troca diretaPossível entre alguns ISRS/IRSN de baixa interação, mas depende de dose, meia-vida e risco individual.
Troca cruzadaÚtil quando recaída preocupa, porém aumenta exposição combinada e risco serotoninérgico/interações.
Reduzir e iniciarEstratégia frequente quando retirada ou interação exige transição mais cautelosa.
WashoutObrigatório em cenários de IMAO; após fluoxetina, o intervalo para IMAO é especialmente longo.
CombinaçãoMaior evidência para inibidor de recaptação + antagonista alfa-2, como mirtazapina, em casos selecionados; não automatizar.
Antes de combinarConfirmar ensaio adequado, adesão, diagnóstico, substâncias, comorbidade, resposta parcial real e plano de monitorização.

16 · Populações especiais Individualização

IdosoComeçar mais baixo e subir devagar; maior risco de hiponatremia, sangramento, quedas, QT, ortostatismo e carga anticolinérgica.
GestaçãoNão suspender automaticamente. Considerar gravidade, recorrência, resposta prévia e risco do não tratamento; sertralina/escitalopram têm amplo uso clínico. Paroxetina é geralmente evitada quando há alternativa, pelo sinal de malformação cardíaca no 1º trimestre; no 3º trimestre, orientar sobre risco de má adaptação neonatal e risco absoluto baixo de hipertensão pulmonar persistente do recém-nascido.
LactaçãoSertralina é frequentemente preferida entre ISRS, mas decisão depende do quadro materno, prematuridade e observação do lactente.
HepáticaReduzir ou evitar conforme molécula; duloxetina, agomelatina, nefazodona e TCAs exigem atenção particular.
RenalAjustar especialmente desvenlafaxina, milnaciprana e alguns esquemas de venlafaxina; duloxetina deve ser evitada em insuficiência grave.
EpilepsiaEvitar bupropiona/maprotilina e cautela com clomipramina/TCAs; corrigir privação de sono, álcool e eletrólitos.

17 · Quando suspender ou agir com urgência? Alertas

Virada/mistoReduzir ou suspender antidepressivo e tratar o polo do humor quando há mania/hipomania ou ativação mista clinicamente significativa.
SuicidabilidadePiora aguda, agitação intensa, acatisia ou impulsividade exige reavaliação imediata do risco e do plano terapêutico.
HepatotoxicidadeIcterícia, colúria, dor em hipocôndrio direito ou transaminases relevantes: suspender o agente suspeito e investigar.
CardíacoSíncope, arritmia sustentada, dor torácica ou QTc marcadamente elevado requerem avaliação urgente.
NeurológicoConvulsão durante bupropiona: suspender e não reintroduzir; clônus/hipertermia sugerem síndrome serotoninérgica.
OutrosHiponatremia sintomática, sangramento importante, priapismo e reação cutânea grave não devem aguardar adaptação.

Parte 2 · ISRS

18 · Escitalopram ISRS

PerfilISRS com boa aceitabilidade e baixo potencial de interação; escolha geral quando simplicidade e tolerabilidade são prioritárias.
Quando escolherTDM, TAG; ansiedade ou pânico com titulação lenta; polifarmácia; cardiopatia estável quando se deseja evitar agentes mais noradrenérgicos.
IndicaçõesTDM e TAG (indicações regulatórias em vários países). Evidência também para pânico, ansiedade social e TOC, conforme país/diretriz.
DoseInício 5-10 mg/dia; dose mínima eficaz 10 mg/dia; alvo 10-20 mg/dia; máximo usual/licenciado 20 mg/dia. Em ansiedade muito sensível: 5 mg por 4-7 dias. Idoso ou insuficiência hepática: em geral 10 mg/dia como máximo recomendado.
Como introduzirAumentar para 10 mg após 4-7 dias se iniciado com 5 mg; considerar 20 mg após pelo menos 1-2 semanas, apenas se resposta parcial e boa tolerabilidade. Pode ser tomado manhã ou noite.
CI formaisUso concomitante ou intervalo inadequado com IMAO, linezolida e azul de metileno IV; pimozida; hipersensibilidade a escitalopram/citalopram.
Cautela relativaQT longo, bradicardia, hipocalemia/hipomagnesemia, múltiplos fármacos que prolongam QT; epilepsia; bipolaridade; hiponatremia prévia; idade avançada ou diurético; risco hemorrágico; glaucoma de ângulo fechado.
Efeitos iniciaisNáusea, cefaleia, diarreia/constipação, insônia ou sonolência, aumento transitório de ansiedade; em muitos pacientes atenuam em 1-2 semanas.
Podem persistirDisfunção sexual, sudorese, embotamento afetivo e alterações do sono podem persistir enquanto o fármaco é mantido; ganho de peso costuma ser tardio e variável.
MonitorizaçãoSem exames de rotina no adulto saudável. Considerar sódio basal e 1-2 semanas após início/aumento em alto risco; ECG e eletrólitos se risco de QT; avaliar função sexual, peso e suicidabilidade clinicamente.
InteraçõesBaixa inibição CYP; é substrato sobretudo de CYP2C19/3A4. Somação serotoninérgica, hemorrágica e de QT. Omeprazol e outros inibidores de CYP2C19 podem elevar exposição.
PérolaBoa opção de primeira linha, mas não confundir 'baixo risco' com ausência de disfunção sexual ou hiponatremia. Retirada: risco intermediário; reduzir gradualmente.

19 · Citalopram ISRS

PerfilISRS simples, com poucas interações CYP relevantes, mas com alerta dose-dependente para QT.
Quando escolherTDM em polifarmácia quando ECG/risco cardíaco não limitam; alternativa de boa previsibilidade farmacocinética.
IndicaçõesTDM. Evidência para pânico, TAG e outras condições ansiosas; indicações formais variam.
DoseInício 10-20 mg/dia; mínima eficaz 20 mg/dia; alvo 20-40 mg/dia; máximo 40 mg/dia. Máximo 20 mg/dia em >60 anos, insuficiência hepática, metabolizador lento CYP2C19 ou uso de inibidor forte de CYP2C19, conforme alerta FDA.
Como introduzirSubir de 10 para 20 mg em cerca de 1 semana; aumentos posteriores de 10-20 mg com intervalos de pelo menos 1-2 semanas. Uma tomada diária.
CI formaisIMAO/linezolida/azul de metileno IV em janela proibida; pimozida; hipersensibilidade. Algumas bulas tratam QT longo congênito como contraindicação.
Cautela relativaQTc elevado, cardiopatia, bradicardia, distúrbio eletrolítico, uso de outros prolongadores de QT; insuficiência hepática; epilepsia; hiponatremia; sangramento.
Efeitos iniciaisNáusea, cefaleia, ativação, insônia/sonolência, alterações intestinais; tendem a atenuar nas primeiras semanas.
Podem persistirDisfunção sexual, sudorese e possível ganho de peso/embotamento podem persistir.
MonitorizaçãoECG basal e após estabilização se fatores de risco ou dose alta; potássio/magnésio se risco; sódio em vulneráveis. Sem painel laboratorial universal.
InteraçõesSomação de QT, serotonina e sangramento. Inibidores CYP2C19 podem elevar níveis; pouca inibição de enzimas por citalopram.
PérolaNão é a melhor escolha quando já há QTc limítrofe. Retirada: risco intermediário; evitar interrupção abrupta.

20 · Sertralina ISRS

PerfilISRS versátil, amplo espectro de evidência e bom histórico em cardiopatia; diarreia é o marcador de tolerabilidade mais típico.
Quando escolherTDM com ansiedade; pânico, TOC, TEPT e ansiedade social; cardiopatia isquêmica; lactação quando um ISRS é necessário e clinicamente apropriado.
IndicaçõesTDM, TOC, pânico, TEPT, ansiedade social e TDPM em diversas jurisdições.
DoseInício 25-50 mg/dia; mínima eficaz 50 mg/dia; alvo 50-200 mg/dia; máximo licenciado 200 mg/dia. Pânico/TEPT: começar 25 mg.
Como introduzirAumentar 25-50 mg a cada 1-2 semanas segundo tolerância. Tomar com alimento se náusea/diarreia; manhã se ativadora, noite se sedativa.
CI formaisIMAO/linezolida/azul de metileno IV; pimozida; hipersensibilidade. Concentrado oral contém álcool e é contraindicado com dissulfiram.
Cautela relativaDiarreia crônica, doença inflamatória intestinal ativa, epilepsia, bipolaridade, hiponatremia, risco hemorrágico e QT em cenário de múltiplos fatores.
Efeitos iniciaisNáusea, diarreia, cólicas, cefaleia, tremor leve, ativação ou insônia; sintomas GI frequentemente melhoram em 1-2 semanas, mas a diarreia pode persistir.
Podem persistirDisfunção sexual, sudorese, bruxismo e diarreia em parte dos pacientes; ganho de peso tardio é possível.
MonitorizaçãoClínico; sódio em alto risco. ECG apenas se risco cardíaco/QT. Acompanhar GI, função sexual, peso e sintomas de ativação.
InteraçõesInibição CYP2D6 geralmente fraca, maior em doses altas. Somação serotoninérgica/hemorrágica. Pode aumentar exposição a alguns substratos 2D6.
PérolaUma das escolhas mais equilibradas. Em TOC, é comum necessitar 150-200 mg e 10-12 semanas, com subida tolerada.

21 · Fluoxetina ISRS

PerfilISRS ativador, meia-vida muito longa e forte inibição CYP2D6; menor risco de retirada, porém interações persistem por semanas.
Quando escolherTDM com hipersonia/fadiga; baixa adesão; bulimia nervosa (60 mg); TOC; pânico; quando retirada prévia foi difícil.
IndicaçõesTDM, TOC, bulimia nervosa e pânico; combinação olanzapina-fluoxetina tem indicações específicas em depressão bipolar I e depressão resistente.
DoseInício 10-20 mg pela manhã; mínima eficaz 20 mg; alvo TDM 20-60 mg; máximo de bula 80 mg/dia. Bulimia: 60 mg/dia. Pânico: iniciar 10 mg e subir para 20 mg.
Como introduzirSubir após 2-4 semanas, pois há autoacúmulo e resposta frequente em 20 mg. Doses >20 mg podem ser manhã ou manhã/meio-dia. Reduzir frequência em hepatopatia.
CI formaisIMAO/linezolida/azul de metileno IV; pimozida; tioridazina; hipersensibilidade. Exige 5 semanas entre parar fluoxetina e iniciar IMAO.
Cautela relativaAgitação, insônia, baixo peso, epilepsia, bipolaridade, sangramento, hiponatremia; polifarmácia com substratos CYP2D6.
Efeitos iniciaisAtivação, ansiedade, insônia, náusea, anorexia, cefaleia; parte atenua em 1-2 semanas.
Podem persistirDisfunção sexual, sudorese, bruxismo e insônia podem persistir. A supressão de apetite pode reduzir com o tempo; peso pode aumentar tardiamente.
MonitorizaçãoClínico; peso se baixo peso/transtorno alimentar; sódio em risco; revisar interações mesmo semanas após suspensão.
InteraçõesInibidor forte CYP2D6 e moderado de CYP2C19/2C9; eleva TCAs, alguns antipsicóticos e betabloqueadores; reduz ativação de tamoxifeno, codeína e tramadol. Risco serotoninérgico e hemorrágico.
PérolaA meia-vida protege contra esquecimentos, mas torna efeitos adversos e interações lentos para resolver. Não é ideal em ansiedade muito ativável sem titulação lenta.

22 · Paroxetina ISRS

PerfilISRS mais anticolinérgico, sedativo e associado a ganho de peso, disfunção sexual e retirada; forte inibidor CYP2D6.
Quando escolherAnsiedade/pânico com insônia quando benefícios superam o custo de tolerabilidade; situações em que resposta prévia foi claramente superior.
IndicaçõesTDM, TAG, pânico, ansiedade social, TOC, TEPT e TDPM em diferentes formulações/jurisdições.
DoseInício 10-20 mg/dia; mínima eficaz 20 mg; alvo 20-50 mg/dia; máximo varia por indicação/formulação (em geral 50-60 mg IR; CR possui equivalências próprias).
Como introduzirAumentar 10 mg a cada 1-2 semanas. Geralmente à noite se sedativa. Planejar retirada desde a prescrição.
CI formaisIMAO/linezolida/azul de metileno IV; pimozida; tioridazina; hipersensibilidade.
Cautela relativaObesidade, síndrome metabólica, constipação, retenção urinária, glaucoma de ângulo fechado, disfunção sexual, gestação planejada, idoso, tamoxifeno, epilepsia e bipolaridade.
Efeitos iniciaisNáusea, sonolência, tontura, constipação, boca seca; parte melhora em semanas.
Podem persistirDisfunção sexual, ganho de peso, sudorese, constipação e embotamento frequentemente persistem. Retirada pode surgir após poucas doses omitidas.
MonitorizaçãoPeso/IMC; sódio em vulneráveis; função sexual; sintomas anticolinérgicos. Sem exames universais.
InteraçõesInibidor forte CYP2D6: evitar com tamoxifeno quando possível; eleva metoprolol, TCAs e diversos antipsicóticos; reduz ativação de codeína/tramadol.
PérolaNão costuma ser primeira escolha em idoso ou polifarmácia. Risco alto de descontinuação: taper lento, frequentemente com reduções menores no final.

23 · Fluvoxamina ISRS

PerfilISRS particularmente útil em TOC, mas com maior carga de interações via CYP1A2 e CYP2C19 e frequência de náusea.
Quando escolherTOC; quadro ansioso-obsessivo quando se aceita manejo cuidadoso das interações; resposta prévia favorável.
IndicaçõesTOC é a indicação mais consolidada; TDM é indicado em diversos países, mas não em todos.
DoseInício 25-50 mg à noite; mínima eficaz para depressão 50 mg, mas alvos usuais 100-300 mg; máximo 300 mg/dia. Doses IR >100 mg usualmente divididas.
Como introduzirAumentar 25-50 mg a cada 4-7 dias ou mais lentamente. Preferir noite no início; formulação CR tem esquema próprio.
CI formaisIMAO/linezolida/azul de metileno IV; tizanidina, ramelteona, alosetrona e pimozida conforme bulas; hipersensibilidade.
Cautela relativaPolifarmácia, alto consumo de cafeína, uso de clozapina/olanzapina/teofilina, hepatopatia, epilepsia, bipolaridade, hiponatremia e sangramento.
Efeitos iniciaisNáusea, diarreia, sonolência ou insônia, cefaleia; náusea pode ser mais marcada, em geral reduz nas primeiras semanas.
Podem persistirDisfunção sexual, sudorese e alterações GI/sono podem persistir.
MonitorizaçãoRevisão de interações é mandatória. Considerar níveis de clozapina e redução de dose quando combinação deliberada; sódio se risco.
InteraçõesInibidor potente CYP1A2 e CYP2C19, com efeito adicional em CYP3A4/2C9: pode elevar clozapina, olanzapina, teofilina, cafeína, benzodiazepínicos oxidativos e outros.
PérolaPerguntar explicitamente sobre café/energéticos e tabagismo. Mudança do hábito de fumar pode alterar substratos CYP1A2, além do próprio esquema.

Parte 3 · IRSN

24 · Venlafaxina XR IRSN

PerfilIRSN com efeito predominantemente serotoninérgico em doses baixas e maior contribuição noradrenérgica com a elevação; boa eficácia, mas retirada e pressão arterial exigem atenção.
Quando escolherTDM com ansiedade; TAG, pânico e ansiedade social; resposta insuficiente a ISRS com boa tolerância a agentes serotoninérgicos.
IndicaçõesTDM, TAG, ansiedade social e pânico em formulação XR, conforme jurisdição.
DoseInício 37,5 mg por 4-7 dias, depois 75 mg/dia; mínima eficaz 75 mg; alvo 75-225 mg; máximo XR usual/licenciado 225 mg/dia. Doses até 375 mg/dia são usadas em contextos/formulações específicos, com maior risco e fora de várias bulas.
Como introduzirIncrementos de 37,5-75 mg com intervalos de pelo menos 1 semana; mais lentamente em ansiedade sensível. Tomar com alimento, no mesmo horário.
CI formaisIMAO/linezolida/azul de metileno IV em janela proibida; hipersensibilidade.
Cautela relativaHipertensão não controlada, taquiarritmia, glaucoma de ângulo fechado, alto risco de retirada, epilepsia, bipolaridade, hiponatremia, sangramento, doença renal/hepática.
Efeitos iniciaisNáusea, ativação, insônia, tontura, redução do apetite; em geral atenuam.
Podem persistirSudorese, disfunção sexual, elevação de PA/FC e, às vezes, insônia; retirada é frequente e pode ser intensa.
MonitorizaçãoPA e FC antes e durante, especialmente após aumentos; sódio em risco; função renal/hepática para ajuste; peso e função sexual.
InteraçõesSubstrato CYP2D6/3A4 e inibidor fraco 2D6. Somação serotoninérgica, hemorrágica e pressórica. Inibidores 2D6 alteram relação venlafaxina/desvenlafaxina.
PérolaSe não há nenhuma melhora em 4 semanas na dose terapêutica, reavaliar dose/diagnóstico/adesão. Risco alto de retirada: evitar dias alternados.

25 · Desvenlafaxina IRSN

PerfilMetabólito ativo da venlafaxina, com farmacocinética mais simples e poucas interações CYP; benefício adicional acima de 50 mg costuma ser pequeno.
Quando escolherTDM em polifarmácia; quando se deseja IRSN com menor dependência de CYP2D6; resposta prévia à venlafaxina com problema farmacocinético/interações.
IndicaçõesTDM.
DoseInício e dose mínima eficaz 50 mg/dia; alvo 50 mg, podendo chegar a 100 mg/dia; 100 mg é máximo prático em muitas diretrizes, pois doses maiores não demonstram benefício proporcional e pioram tolerabilidade. Ajustar em insuficiência renal.
Como introduzirFrequentemente não é necessário titular além de 50 mg. Com sensibilidade, pode-se usar 25 mg por poucos dias onde disponível. Engolir comprimido de liberação prolongada inteiro.
CI formaisIMAO/linezolida/azul de metileno IV; hipersensibilidade a desvenlafaxina ou venlafaxina.
Cautela relativaHipertensão, insuficiência renal, taquiarritmia, glaucoma, epilepsia, bipolaridade, hiponatremia e risco hemorrágico.
Efeitos iniciaisNáusea, tontura, insônia, constipação, ativação; náusea tende a reduzir em semanas.
Podem persistirSudorese, disfunção sexual, PA/FC elevadas e retirada podem persistir.
MonitorizaçãoPA/FC; função renal para dose; sódio em alto risco. Não requer monitorização sérica de rotina.
InteraçõesBaixa inibição CYP; pequena metabolização por CYP3A4 e conjugação. Mantém interações farmacodinâmicas serotoninérgicas, hemorrágicas e pressóricas.
PérolaA maior simplicidade farmacocinética não elimina risco de retirada. Se 50 mg funciona parcialmente, ponderar se subir agrega benefício ou apenas efeitos adversos.

26 · Duloxetina IRSN

PerfilIRSN com evidência em depressão, ansiedade e dor; náusea inicial, pressão arterial, fígado e função renal são os principais pontos de segurança.
Quando escolherTDM com dor neuropática, fibromialgia ou dor musculoesquelética; TAG; depressão com sintomas somáticos dolorosos.
IndicaçõesTDM, TAG, neuropatia diabética dolorosa, fibromialgia e dor musculoesquelética crônica; algumas jurisdições incluem incontinência urinária de esforço.
DoseInício 30 mg/dia por 1 semana; mínima eficaz e alvo habitual 60 mg/dia; máximo 120 mg/dia. Acima de 60 mg, benefício adicional é inconsistente e tolerabilidade piora.
Como introduzirSubir para 60 mg após 1 semana; considerar 90-120 mg somente com resposta parcial e boa tolerabilidade. Cápsula gastro-resistente não deve ser triturada.
CI formaisIMAO/linezolida/azul de metileno IV; hipersensibilidade; doença hepática com comprometimento funcional; glaucoma de ângulo fechado não controlado; TFG <30 mL/min (não recomendada). Demais contraindicações regulatórias variam.
Cautela relativaConsumo substancial de álcool, hipertensão não controlada, retenção urinária, glaucoma, epilepsia, bipolaridade, hiponatremia e sangramento.
Efeitos iniciaisNáusea, boca seca, constipação, tontura, insônia/sonolência, redução do apetite; náusea frequentemente melhora em 1-2 semanas.
Podem persistirSudorese, disfunção sexual, constipação e possível aumento de PA/FC; retirada é moderada.
MonitorizaçãoPA basal e periódica; função renal/hepática se comorbidade. TGO/TGP basal e durante se risco hepático ou sintomas; sódio em vulneráveis.
InteraçõesSubstrato CYP1A2/2D6 e inibidor moderado 2D6. Fluvoxamina/ciprofloxacino podem elevar níveis; eleva alguns substratos 2D6. Somação serotoninérgica e hemorrágica.
PérolaEvitar como escolha inicial em hepatopatia ativa ou uso pesado de álcool. Para dor, 60 mg costuma ser o ponto ótimo.

27 · Milnaciprana IRSN

PerfilIRSN relativamente noradrenérgico, com eliminação renal e pouca interação CYP; pode elevar PA/FC e causar sintomas urinários.
Quando escolherDepressão com fadiga em locais onde aprovada; fibromialgia; polifarmácia quando a função renal é adequada.
IndicaçõesTDM em vários países; fibromialgia em outros. Status regulatório varia; sem apresentação comercial no Brasil.
DoseAlvo antidepressivo usual 50 mg duas vezes/dia (100 mg/dia); faixa 50-200 mg/dia; máximo 200 mg/dia. Iniciar 12,5-25 mg e titular em etapas.
Como introduzirSubir ao longo de 1-2 semanas para reduzir náusea e ativação. Ajustar em insuficiência renal; evitar interrupção abrupta.
CI formaisIMAO/linezolida/azul de metileno IV; hipersensibilidade.
Cautela relativaHipertensão, taquicardia, retenção urinária/hiperplasia prostática, insuficiência renal, glaucoma, epilepsia e bipolaridade.
Efeitos iniciaisNáusea, cefaleia, constipação, tontura e insônia; parte atenua.
Podem persistirSudorese, PA/FC elevadas, disfunção sexual e dificuldade miccional podem persistir.
MonitorizaçãoPA/FC; creatinina/TFG para dose; sintomas urinários; sódio em risco.
InteraçõesPouco metabolismo CYP. Interações predominantes são serotoninérgicas, pressóricas e hemorrágicas.
PérolaNão confundir faixa para fibromialgia com aprovação para depressão no país. A função renal pesa mais que interações CYP.

Parte 4 · Outros antidepressivos

28 · Bupropiona Outros antidepressivos

PerfilInibidor de recaptação de noradrenalina/dopamina, ativador, com baixa carga sexual e tendência a pouco ganho ou perda de peso; risco de convulsão é dose e contexto dependente.
Quando escolherTDM com fadiga, hipersonia, baixa energia, disfunção sexual com serotoninérgicos, preocupação com peso; cessação do tabagismo; combinação com ISRS/IRSN.
IndicaçõesTDM, transtorno afetivo sazonal e cessação do tabagismo, conforme formulação/país.
DoseXL: iniciar 150 mg pela manhã e subir para 300 mg após 4-7 dias; alvo 300 mg. Máximo 450 mg/dia em algumas bulas/formulações, mas 300 mg é máximo de muitas apresentações locais. SR: 150 mg/dia e depois 150 mg 2x/dia; máximo 400 mg/dia. Nunca triturar liberação modificada.
Como introduzirAumentar gradualmente; espaçar doses SR por pelo menos 8 horas. Evitar dose noturna. Ajustar frequência em insuficiência renal/hepática.
CI formaisEpilepsia/convulsão atual; anorexia ou bulimia atual ou prévia; retirada abrupta de álcool, benzodiazepínico, barbitúrico ou antiepiléptico; uso simultâneo de outro produto com bupropiona; hipersensibilidade.
Cautela relativaTraumatismo craniano importante, tumor/infecção SNC, AVC grave, fármacos pró-convulsivantes, hipertensão não controlada, ansiedade/insônia intensa, baixo peso, bipolaridade.
Efeitos iniciaisInsônia, ativação, ansiedade, boca seca, náusea, cefaleia, tremor; parte atenua com horário e adaptação.
Podem persistirSudorese, tremor, insônia e elevação de PA podem persistir; disfunção sexual e ganho de peso são incomuns.
MonitorizaçãoPA basal e periódica; peso; fatores de risco convulsivo e uso de álcool. Sem exames laboratoriais universais.
InteraçõesInibidor forte CYP2D6: eleva TCAs, alguns antipsicóticos e betabloqueadores; reduz ativação de tamoxifeno, codeína e tramadol. Substrato CYP2B6: carbamazepina pode reduzir níveis; clopidogrel pode elevar.
PérolaNão é intrinsecamente 'ansiogênica' em todos, mas titulação rápida pode ativar. Em convulsão durante uso: suspender e não reintroduzir.

29 · Mirtazapina Outros antidepressivos

PerfilAntidepressivo noradrenérgico e serotoninérgico específico, sedativo e orexígeno; baixa disfunção sexual e pouco risco de retirada.
Quando escolherTDM com insônia, perda de apetite/peso, náusea ou ansiedade; necessidade de menor impacto sexual; idoso frágil com baixo peso, sob monitorização.
IndicaçõesTDM; usos em insônia e náusea são off-label.
DoseInício 15 mg à noite; mínima eficaz reconhecida 30 mg/dia, embora 15 mg possa ser eficaz em alguns; alvo 30-45 mg; máximo licenciado frequente 45 mg, com até 60 mg em algumas diretrizes/bulas.
Como introduzirAumentar para 30 mg após 1-2 semanas conforme resposta. A relação dose-sedação não é linear e maior dose não garante menos sedação.
CI formaisIMAO/linezolida/azul de metileno IV em janela proibida; hipersensibilidade.
Cautela relativaObesidade, diabetes/dislipidemia, sedação diurna, apneia do sono, neutropenia prévia, epilepsia, bipolaridade e uso de outros depressores do SNC.
Efeitos iniciaisSonolência, tontura, aumento do apetite e boca seca; sonolência pode atenuar parcialmente, mas nem sempre.
Podem persistirAumento do apetite e ganho de peso frequentemente persistem; sedação pode permanecer. Disfunção sexual é baixa.
MonitorizaçãoPeso/IMC basal e periódico; glicemia/lipídios basal e a cada 6 meses se ganho de peso/risco. Hemograma apenas se febre, odinofagia ou sinais de infecção.
InteraçõesPouca inibição CYP; substrato CYP1A2/2D6/3A4. Somação de sedação com álcool, benzodiazepínicos e outros. Risco serotoninérgico existe, mas é menor que com ISRS.
PérolaÚtil quando efeitos colaterais podem ser convertidos em benefício clínico. A agranulocitose é rara: orientar sinais de alerta, não hemograma seriado universal.

30 · Vortioxetina Outros antidepressivos

PerfilAntidepressivo multimodal serotoninérgico, com boa aceitabilidade, baixa carga de interação e possível benefício cognitivo típico; náusea é o efeito limitante típico.
Quando escolherTDM com queixa cognitiva; preocupação sexual ou de peso; polifarmácia; histórico de retirada difícil.
IndicaçõesTDM.
DoseInício 5-10 mg/dia; mínima eficaz 10 mg; alvo 10-20 mg; máximo 20 mg/dia. Idosos ou muito sensíveis podem iniciar 5 mg.
Como introduzirSubir de 5 para 10 mg após cerca de 1 semana; 20 mg após 1-2 semanas ou mais. Com alimento pode ajudar a náusea.
CI formaisIMAO/linezolida/azul de metileno IV; hipersensibilidade.
Cautela relativaBipolaridade, epilepsia, hiponatremia, sangramento, glaucoma; uso de forte inibidor/indutor CYP2D6.
Efeitos iniciaisNáusea, cefaleia, tontura e sonhos vívidos; náusea é dose-dependente e tende a reduzir nas primeiras semanas.
Podem persistirNáusea pode persistir em minoria; disfunção sexual é menor que em ISRS, mas aumenta em 20 mg e pode persistir se ocorrer.
MonitorizaçãoClínico; sódio em alto risco. Sem exames de rotina.
InteraçõesSubstrato principalmente CYP2D6, sem inibição clinicamente relevante. Reduzir dose pela metade com inibidor forte 2D6 (ex.: bupropiona, fluoxetina, paroxetina); indutores fortes podem exigir ajuste.
PérolaMeia-vida longa e baixo risco de retirada. Benefício cognitivo não substitui investigação de sono, TDAH, substâncias e comorbidades.

31 · Agomelatina Outros antidepressivos

PerfilAgonista melatoninérgico MT1/MT2 e antagonista 5-HT2C, com baixa disfunção sexual e retirada, mas monitorização hepática obrigatória.
Quando escolherTDM com desorganização circadiana/insônia, preocupação sexual, peso ou retirada; quando o paciente consegue aderir aos exames.
IndicaçõesEpisódio depressivo maior em adultos em países onde aprovada.
Dose25 mg ao deitar; se resposta insuficiente após 2 semanas, 50 mg ao deitar; máximo 50 mg/dia. Não requer desmame por síndrome de retirada.
Como introduzirReavaliar benefício e TGO/TGP antes de subir. Tomada noturna.
CI formaisDoença hepática/cirrose, transaminases >3 vezes o limite superior, uso de potente inibidor CYP1A2 (fluvoxamina, ciprofloxacino) e hipersensibilidade.
Cautela relativaObesidade/esteatose, diabetes, consumo relevante de álcool, outros hepatotóxicos, idade avançada.
Efeitos iniciaisCefaleia, náusea, tontura, sonolência ou insônia; frequentemente leves/transitórios.
Podem persistirEfeitos sexuais e metabólicos são baixos. Hepatotoxicidade pode ser assintomática e não depende de sintomas iniciais.
MonitorizaçãoTGO/TGP antes; por volta de 3, 6, 12 e 24 semanas; repetir cronograma após aumento; repetir em 48 h se elevação; suspender se >3x LSN ou sintomas de lesão hepática.
InteraçõesSubstrato CYP1A2. Fluvoxamina/ciprofloxacino são proibidas; tabagismo pode reduzir exposição. Cautela com outros hepatotóxicos e álcool.
PérolaSó escolher se o sistema de acompanhamento garante os exames. A ausência de disfunção sexual não compensa risco hepático mal monitorado.

32 · Trazodona Outros antidepressivos

PerfilAntagonista 5-HT2 e inibidor de recaptação de serotonina; em baixa dose é hipnótico, mas efeito antidepressivo exige doses muito maiores.
Quando escolherTDM com insônia quando se pretende atingir dose antidepressiva; adjuvante para sono em casos selecionados, reconhecendo uso off-label e riscos.
IndicaçõesTDM. Insônia em 25-100 mg é uso off-label e não equivale a tratamento antidepressivo.
DoseTDM: iniciar 50-100 mg/dia, frequentemente à noite/dividido; mínima eficaz cerca de 150 mg/dia; alvo 150-300 mg; máximo 400 mg/dia ambulatorial e 600 mg/dia em internação em algumas bulas. Insônia: 25-100 mg à noite, off-label.
Como introduzirAumentar 50 mg a cada 3-7 dias conforme tolerância. Administrar após alimento; maior parte à noite.
CI formaisIMAO/linezolida/azul de metileno IV em janela proibida; hipersensibilidade.
Cautela relativaHipotensão, síncope/quedas, arritmia/QT, cardiopatia, uso de outros sedativos, doença hepática, glaucoma, bipolaridade e histórico de priapismo.
Efeitos iniciaisSedação, tontura, hipotensão ortostática, náusea, boca seca; pode haver tolerância parcial à sedação/ortostase.
Podem persistirSedação, ortostase, boca seca e constipação podem persistir. Priapismo é raro, imprevisível e emergencial.
MonitorizaçãoPA/ortostase; ECG se risco; função hepática se doença. Orientar ereção >4 h como emergência.
InteraçõesSubstrato CYP3A4: inibidores fortes elevam e indutores reduzem níveis. Somação de sedação, QT, hipotensão, sangramento e serotonina.
Pérola25-50 mg trata sono, não depressão. Em idoso, quedas e hipotensão frequentemente superam a aparente segurança.

33 · Vilazodona Outros antidepressivos

PerfilISRS com agonismo parcial 5-HT1A; requer alimento e titulação programada; diarreia e náusea são comuns.
Quando escolherTDM quando se deseja opção serotoninérgica com possível menor impacto sexual, desde que GI e adesão com alimento sejam aceitáveis.
IndicaçõesTDM.
Dose10 mg/dia com alimento por 7 dias; 20 mg/dia por pelo menos 7 dias; alvo 20-40 mg; máximo 40 mg/dia.
Como introduzirSeguir 10 → 20 → 40 mg. Sem alimento, a exposição cai de forma clinicamente relevante.
CI formaisIMAO/linezolida/azul de metileno IV; hipersensibilidade.
Cautela relativaDiarreia/doença GI, bipolaridade, epilepsia, hiponatremia, sangramento e uso de moduladores CYP3A4.
Efeitos iniciaisDiarreia, náusea, vômito, insônia e cefaleia; GI costuma reduzir com o tempo e titulação.
Podem persistirDiarreia pode persistir; disfunção sexual tende a ser menor que ISRS clássicos, mas não é ausente.
MonitorizaçãoClínico; sódio em alto risco. Verificar tomada com alimento.
InteraçõesSubstrato CYP3A4: com inibidor forte, limitar a 20 mg/dia; com indutor forte por mais de 14 dias, a bula admite elevar a dose gradualmente até 80 mg/dia. Interações serotoninérgicas e hemorrágicas.
PérolaFalha aparente pode ser falha de absorção por uso em jejum. Retirada: risco intermediário.

34 · Tianeptina Outros antidepressivos

PerfilAntidepressivo atípico com agonismo do receptor mu-opioide; dose terapêutica tem faixa estreita e há risco de uso indevido, dependência e toxicidade em altas doses.
Quando escolherApenas onde aprovada, após ponderar alternativas e risco de uso de substâncias; não é escolha de rotina em pacientes com risco aditivo.
IndicaçõesTDM em alguns países; não aprovada pelo FDA. Status e formulações variam.
DoseFormulação imediata clássica: 12,5 mg três vezes/dia antes das refeições; total 37,5 mg/dia. Não escalar além da bula; formulações de liberação modificada têm esquemas próprios.
Como introduzirGeralmente não requer titulação. Evitar aumentos por conta própria. Reduzir em idosos/insuficiência renal conforme bula local.
CI formaisIMAO em janela inadequada; hipersensibilidade. Outras contraindicações variam por país.
Cautela relativaTranstorno por uso de opioides/álcool/sedativos, comportamento aditivo, risco suicida por intoxicação, doença respiratória, hepatopatia/nefropatia e gravidez.
Efeitos iniciaisNáusea, constipação, dor abdominal, tontura, cefaleia, sonolência ou insônia.
Podem persistirConstipação e sintomas sedativos podem persistir; uso em dose supraterapêutica pode causar tolerância, dependência e síndrome de abstinência.
MonitorizaçãoQuantidade dispensada, padrão de uso e sinais de escalada; função renal/hepática quando indicada. Não há exame laboratorial específico de rotina.
InteraçõesDepressores do SNC e opioides aumentam risco de sedação/depressão respiratória; IMAO é proibido. Evitar álcool e automedicação.
PérolaNão tratar como 'mais um antidepressivo sem interação'. O principal risco prático é a escalada de dose e toxicidade opioide.

Parte 5 · Tricíclicos e tetracíclicos

35 · Amitriptilina Tricíclicos e tetracíclicos

PerfilTCA muito sedativo, anticolinérgico e hipotensor; útil para dor/migrânea, mas pouco atraente como primeira linha em TDM e perigoso em overdose.
Quando escolherDor neuropática, profilaxia de migrânea ou insônia com comorbidade depressiva, quando segurança cardíaca e anticolinérgica foram avaliadas.
IndicaçõesTDM; usos frequentes off-label em dor neuropática e prevenção de migrânea.
DoseTDM: iniciar 10-25 mg à noite; mínima eficaz aproximada 75-100 mg; alvo 75-150 mg; máximo 300 mg/dia em contextos selecionados. Dor/migrânea: 10-75 mg à noite, doses não necessariamente antidepressivas.
Como introduzirAumentar 10-25 mg a cada 3-7 dias; mais lentamente em idosos. Dividir dose alta se necessário, mantendo maior parte à noite.
CI formaisIMAO em janela proibida; fase aguda de recuperação pós-infarto; hipersensibilidade. Bulas podem incluir outras condições cardíacas graves.
Cautela relativaBloqueio de condução/QT, cardiopatia, glaucoma de ângulo fechado, retenção urinária/HBP, íleo/constipação, demência/delirium, quedas, epilepsia, alto risco suicida/overdose.
Efeitos iniciaisSedação, boca seca, visão borrada, constipação, ortostase e taquicardia; sedação/ortostase podem tolerizar parcialmente.
Podem persistirEfeitos anticolinérgicos, ganho de peso e disfunção sexual tendem a persistir; alterações de condução são dose/concentração dependentes.
MonitorizaçãoECG basal em >40 anos ou qualquer risco cardíaco e após titulação. PA/ortostase, peso. Considerar nível sérico em não resposta, toxicidade, idoso ou interação.
InteraçõesCYP2D6/2C19; níveis aumentam com fluoxetina, paroxetina, bupropiona e fluvoxamina. Somação anticolinérgica, sedativa, hipotensora e de QT.
PérolaPrescrever quantidade limitada se risco de overdose. Doses analgésicas baixas não devem ser contadas como ensaio antidepressivo.

36 · Nortriptilina Tricíclicos e tetracíclicos

PerfilTCA secundário, menos sedativo/anticolinérgico e hipotensor que amitriptilina; permite monitorização plasmática útil.
Quando escolherDepressão resistente quando TCA é apropriado; dor neuropática em paciente que não tolera amitriptilina; idoso selecionado com ECG/nível.
IndicaçõesTDM; uso off-label em dor neuropática.
DoseIniciar 10-25 mg à noite; alvo 75-150 mg/dia; máximo 150 mg/dia na maioria das bulas. Janela plasmática terapêutica usual: 50-150 ng/mL.
Como introduzirAumentar 25 mg a cada 3-7 dias; medir nível em estado de equilíbrio após dose estável quando clinicamente indicado.
CI formaisIMAO; recuperação aguda pós-infarto; hipersensibilidade.
Cautela relativaCondução/QT, cardiopatia, glaucoma, retenção urinária, constipação, quedas, epilepsia, bipolaridade e risco de overdose.
Efeitos iniciaisBoca seca, constipação, sedação leve, tremor, ortostase e taquicardia; parte melhora.
Podem persistirAnticolinérgicos, ganho de peso, sudorese e disfunção sexual podem persistir.
MonitorizaçãoECG conforme risco; PA/ortostase; nível sérico em idosos, não resposta, efeitos inesperados, doses altas, aderência/interações.
InteraçõesSubstrato CYP2D6 sensível: inibidores fortes elevam níveis. Somação anticolinérgica, sedativa e de QT.
PérolaEntre TCAs, costuma oferecer melhor relação tolerabilidade/monitorização. Evitar interpretar nível 'terapêutico' sem resposta clínica e segurança.

37 · Imipramina Tricíclicos e tetracíclicos

PerfilTCA de referência para depressão e pânico; anticolinérgico, hipotensor e cardiotóxico em overdose.
Quando escolherPânico resistente a opções mais seguras; depressão resistente; enurese em contexto específico (dose pediátrica fora deste manual).
IndicaçõesTDM; pânico e enurese têm uso/evidência conforme jurisdição.
DoseIniciar 25 mg à noite; mínima eficaz aproximada 75-100 mg; alvo 75-200 mg; máximo 300 mg/dia em ambiente selecionado.
Como introduzirAumentar 25 mg a cada 3-7 dias; começar muito baixo em pânico. Dose dividida se necessário.
CI formaisIMAO; fase aguda pós-infarto; hipersensibilidade.
Cautela relativaCardiopatia/QT/condução, glaucoma, retenção urinária, constipação, quedas, epilepsia, bipolaridade e risco de overdose.
Efeitos iniciaisSedação, boca seca, constipação, visão borrada, ortostase e taquicardia; ativação pode ocorrer.
Podem persistirAnticolinérgicos, ganho de peso e disfunção sexual; cardiotoxicidade permanece relevante.
MonitorizaçãoECG/PA/ortostase; nível sérico de imipramina + desipramina em casos selecionados; peso.
InteraçõesCYP2D6/2C19; forte elevação com inibidores 2D6/2C19. Somação anticolinérgica, sedativa, de QT e serotoninérgica.
PérolaEm pânico, doses iniciais usuais de depressão podem piorar adesão por ativação. Planejar dispensação segura.

38 · Clomipramina Tricíclicos e tetracíclicos

PerfilTCA mais serotoninérgico e referência para TOC; maior risco de efeitos sexuais, convulsão, QT e toxicidade do que ISRS.
Quando escolherTOC após ensaios adequados de ISRS e TCC com exposição/resposta; depressão resistente selecionada.
IndicaçõesTOC; TDM em vários países.
DoseIniciar 25 mg/dia; alvo 100-250 mg; máximo 250 mg/dia. Dose mínima antidepressiva geral 75-100 mg; TOC frequentemente requer 150-250 mg.
Como introduzirAumentar 25 mg a cada 4-7 dias; após titulação, pode concentrar à noite. A resposta no TOC pode exigir 10-12 semanas.
CI formaisIMAO; recuperação aguda pós-infarto; hipersensibilidade a tricíclicos.
Cautela relativaEpilepsia, QT/condução, cardiopatia, glaucoma, retenção urinária, constipação, bipolaridade, alto risco de overdose e combinações serotoninérgicas.
Efeitos iniciaisNáusea, sedação, tremor, sudorese, boca seca, constipação, ortostase; parte toleriza.
Podem persistirDisfunção sexual, sudorese, anticolinérgicos e ganho de peso frequentemente persistem; risco convulsivo aumenta com dose/nível.
MonitorizaçãoECG; PA/ortostase; níveis de clomipramina + desmetilclomipramina em doses altas, interação, idoso ou efeitos. Avaliar convulsões.
InteraçõesCYP2D6/2C19/3A4 e forte carga serotoninérgica. ISRS podem elevar níveis e síndrome serotoninérgica; combinações exigem expertise e monitorização.
PérolaNão combinar casualmente com fluvoxamina/fluoxetina/paroxetina. Para TOC, confirme dose e duração adequadas antes de declarar falha.

39 · Desipramina Tricíclicos e tetracíclicos

PerfilTCA secundário mais noradrenérgico e menos sedativo/anticolinérgico, porém ainda cardiotóxico e pró-convulsivante.
Quando escolherDepressão resistente com fadiga quando um TCA é indicado e sedação deve ser evitada; disponibilidade varia.
IndicaçõesTDM. Sem apresentação comercial no Brasil.
DoseIniciar 25-50 mg/dia; alvo 100-200 mg; máximo 300 mg/dia. Idosos: iniciar 10-25 mg.
Como introduzirAumentar 25-50 mg a cada 3-7 dias. Pode ser tomada pela manhã se ativadora.
CI formaisIMAO; recuperação aguda pós-infarto; hipersensibilidade.
Cautela relativaCondução/QT, cardiopatia, epilepsia, glaucoma, retenção urinária, bipolaridade e risco de overdose.
Efeitos iniciaisAtivação, tremor, boca seca, constipação, taquicardia e ortostase.
Podem persistirEfeitos anticolinérgicos/sexuais e alterações cardíacas podem persistir; sedação e ganho de peso tendem a ser menores que amitriptilina.
MonitorizaçãoECG; PA/FC; considerar nível plasmático (faixa de laboratório/diretriz) em casos selecionados.
InteraçõesSubstrato CYP2D6 muito sensível: forte aumento com fluoxetina, paroxetina e bupropiona.
PérolaMenos sedação não significa menor letalidade em overdose. Interações 2D6 podem transformar dose moderada em exposição tóxica.

40 · Doxepina Tricíclicos e tetracíclicos

PerfilTCA muito anti-histamínico e anticolinérgico em dose antidepressiva; em 3-6 mg atua como hipnótico e não como antidepressivo.
Quando escolherTDM com insônia quando TCA é justificável; insônia de manutenção em formulação de baixa dose, separando objetivos.
IndicaçõesTDM; insônia em formulação/dose baixa em alguns países. No Brasil, o registro industrial não está vigente: obtém-se apenas por manipulação magistral.
DoseTDM: iniciar 25-50 mg à noite; mínima eficaz aproximada 75-100 mg; alvo 75-300 mg; máximo 300 mg/dia. Insônia: 3-6 mg à noite, não antidepressiva.
Como introduzirAumentar 25-50 mg a cada 3-7 dias para TDM. Evitar extrapolar segurança da dose de 3-6 mg para dose antidepressiva.
CI formaisIMAO; glaucoma não tratado/retenção urinária grave em algumas bulas; recuperação aguda pós-infarto; hipersensibilidade.
Cautela relativaObesidade, apneia do sono, anticolinérgicos, cardiopatia/QT, quedas, epilepsia e overdose.
Efeitos iniciaisSedação intensa, boca seca, constipação, ortostase e taquicardia.
Podem persistirSedação, anticolinérgicos e ganho de peso podem persistir; risco de condução em dose antidepressiva.
MonitorizaçãoECG/ortostase/peso em dose antidepressiva; sem monitorização semelhante em baixa dose, salvo risco clínico.
InteraçõesCYP2D6/1A2/3A4; somação sedativa, anticolinérgica e de QT.
PérolaA mesma molécula tem dois usos farmacologicamente distintos. Registrar claramente o objetivo e não chamar 6 mg de tratamento da depressão.

41 · Maprotilina Tricíclicos e tetracíclicos

PerfilTetracíclico noradrenérgico, sedativo, com risco convulsivo relevante; uso hoje é limitado e disponibilidade varia.
Quando escolherRaramente; apenas resposta prévia inequívoca ou intolerância/falha extensa, com justificativa de segurança.
IndicaçõesTDM em alguns países. Sem apresentação comercial no Brasil.
DoseInício 25-75 mg/dia; alvo 75-150 mg; máximo geralmente 225 mg/dia, conforme bula local.
Como introduzirAumentar lentamente, sobretudo acima de 150 mg e em idosos.
CI formaisEpilepsia/convulsões em várias bulas; IMAO; fase aguda pós-infarto; hipersensibilidade.
Cautela relativaRisco convulsivo, traumatismo SNC, cardiopatia/QT, glaucoma, retenção urinária, sedação e overdose.
Efeitos iniciaisSedação, boca seca, constipação, tontura e ortostase.
Podem persistirGanho de peso, anticolinérgicos e sedação; risco convulsivo permanece dose-dependente.
MonitorizaçãoECG e avaliação de risco convulsivo; PA/ortostase e peso.
InteraçõesSomação pró-convulsivante, anticolinérgica, sedativa e de QT; metabolismo hepático sujeito a inibidores.
PérolaNão é substituto 'mais simples' para TCA. Na metanálise em rede de 2025 (referência 5), destacou-se entre os antidepressivos com maior ganho de peso agudo.

Parte 6 · IMAO e RIMA

42 · Tranilcipromina IMAO e RIMA

PerfilIMAO irreversível não seletivo, geralmente ativador, eficaz em depressão resistente/atípica; exige dieta, lista de interações e educação rigorosa.
Quando escolherDepressão resistente após estratégias mais seguras; depressão atípica; resposta prévia marcante a IMAO.
IndicaçõesTDM resistente em diversas bulas/diretrizes.
DoseIniciar 10 mg pela manhã + 10 mg ao meio-dia; alvo 30-60 mg/dia; máximo licenciado comum 60 mg/dia. Evitar dose tardia.
Como introduzirAumentar 10 mg a cada 1-3 semanas conforme PA/efeitos. Respeitar washout de 5 meias-vidas do antidepressivo anterior; 5 semanas após fluoxetina.
CI formaisQualquer serotonérgico/relaxor proibido; simpaticomiméticos; meperidina, tramadol, dextrometorfano e diversos opioides incompatíveis; outros IMAO; feocromocitoma; alimento com alta tiramina.
Cautela relativaDoença cardiovascular/cerebrovascular, hipertensão, hepatopatia, epilepsia, baixo peso, insônia, incapacidade de aderir à dieta/alerta médico e risco de overdose.
Efeitos iniciaisOrtostase, insônia, agitação, cefaleia, boca seca; ortostase pode atenuar parcialmente.
Podem persistirInsônia, disfunção sexual, edema e ganho/perda de peso variáveis; restrições permanecem durante uso e 14 dias após.
MonitorizaçãoPA sentada/em pé; peso; função hepática conforme risco. Revisar medicamentos prescritos, OTC, fitoterápicos e alimentos em cada visita.
InteraçõesRisco de síndrome serotoninérgica ou crise hipertensiva. Evitar descongestionantes, estimulantes e anestésicos/analgésicos incompatíveis; portar cartão de alerta.
PérolaErro de interação pode ser fatal. A prescrição só é segura com checklist escrito, plano de urgência e coordenação com outros médicos/dentista.

43 · Fenelzina IMAO e RIMA

PerfilIMAO irreversível não seletivo, mais sedativo e associado a ganho de peso/efeitos sexuais; evidência clássica em depressão atípica e ansiedade social.
Quando escolherDepressão resistente/atípica com ansiedade social importante, após avaliação de risco e adesão.
IndicaçõesTDM resistente/atípico; evidência em ansiedade social. Sem apresentação comercial no Brasil.
DoseIniciar 15 mg 2-3 vezes/dia; alvo 45-90 mg/dia; máximo 90 mg/dia.
Como introduzirSubir 15 mg a cada 1-2 semanas. Mesmas regras de washout e 14 dias após suspensão.
CI formaisMesmas incompatibilidades serotoninérgicas, simpaticomiméticas, opioides e tiramina dos IMAO irreversíveis; feocromocitoma; doença hepática relevante em muitas bulas.
Cautela relativaObesidade, diabetes, hipotensão/quedas, hepatopatia, edema, epilepsia, incapacidade de adesão e overdose.
Efeitos iniciaisOrtostase, sedação, tontura, boca seca, insônia paradoxal.
Podem persistirGanho de peso, edema e disfunção sexual são frequentes e podem persistir; pode haver deficiência de piridoxina em uso prolongado.
MonitorizaçãoPA ortostática; peso/metabólico; fígado conforme risco; neuropatia/sinais de deficiência de B6 quando clinicamente indicados.
InteraçõesMesmas interações críticas de IMAO; evitar meperidina, tramadol, dextrometorfano e simpaticomiméticos.
PérolaPode ser excelente para fenótipo certo, mas exige infraestrutura de segurança idêntica à tranilcipromina.

44 · Moclobemida IMAO e RIMA

PerfilInibidor reversível e seletivo da MAO-A, com menor risco tiramínico em doses usuais, mas não isento de síndrome serotoninérgica.
Quando escolherTDM/ansiedade social quando disponível e se deseja menor carga sexual/anticolinérgica; alternativa antes de IMAO irreversível.
IndicaçõesTDM e, em alguns países, ansiedade social. Sem apresentação comercial no Brasil.
DoseInício 150 mg duas vezes/dia após refeições; mínima eficaz 300 mg/dia; alvo 300-600 mg; máximo 600 mg/dia. Acima de 450-600 mg, seletividade/reversibilidade protetora é menos confiável.
Como introduzirAumentar após 1-2 semanas. Washout mais curto pode ser possível por meia-vida, mas seguir bula/protocolo especializado.
CI formaisCombinação com outros antidepressivos serotoninérgicos/IMAO e fármacos de alto risco serotoninérgico; hipersensibilidade. Restrições específicas variam.
Cautela relativaFeocromocitoma/tireotoxicose, hepatopatia, agitação, bipolaridade e doses altas com alimentos ricos em tiramina.
Efeitos iniciaisNáusea, insônia, tontura, cefaleia e agitação; em geral leves.
Podem persistirInsônia/agitação podem persistir; disfunção sexual, peso e retirada tendem a ser baixos.
MonitorizaçãoPA e interações; função hepática se risco. Reavaliar dieta quando dose alta.
InteraçõesSerotonérgicos e simpaticomiméticos continuam perigosos; cimetidina pode elevar níveis. Não extrapolar segurança alimentar a dose alta.
PérolaRIMA não significa 'sem interação'. Tratar como IMAO até que a compatibilidade específica esteja confirmada.

Parte 7 · Opções menos usuais

45 · Reboxetina Opções menos usuais

PerfilInibidor seletivo da recaptação de noradrenalina; eficácia/aceitabilidade menos favoráveis em metanálises e efeitos autonômicos limitam uso.
Quando escolherRaramente, após falhas/intolerâncias e quando sedação/efeito sexual serotoninérgico são grandes problemas.
IndicaçõesTDM em alguns países. Sem apresentação comercial no Brasil.
Dose4 mg duas vezes/dia; mínima eficaz 8 mg/dia; alvo 8-12 mg; máximo 12 mg/dia.
Como introduzirSubir conforme resposta após 2-4 semanas; reduzir em idosos/insuficiência renal/hepática.
CI formaisHipersensibilidade; IMAO conforme bula.
Cautela relativaHipertensão, taquicardia, retenção urinária, glaucoma, ansiedade/insônia, epilepsia e bipolaridade.
Efeitos iniciaisBoca seca, constipação, insônia, sudorese, taquicardia e hesitação urinária.
Podem persistirSintomas autonômicos e sexuais podem persistir.
MonitorizaçãoPA/FC e sintomas urinários; renal/hepática para ajuste.
InteraçõesSubstrato CYP3A4; inibidores fortes elevam níveis. Somação noradrenérgica.
PérolaNão é escolha de rotina quando opções com melhor base comparativa estão disponíveis.

46 · Nefazodona Opções menos usuais

PerfilSARI com baixa disfunção sexual, mas risco raro de insuficiência hepática grave e muitas interações CYP3A4; retirada/indisponibilidade em vários mercados.
Quando escolherExcepcionalmente, em local onde disponível, após consentimento e quando alternativas falharam.
IndicaçõesTDM em alguns países. Sem apresentação comercial no Brasil.
DoseInício 100 mg duas vezes/dia; alvo 300-600 mg/dia; máximo 600 mg/dia.
Como introduzirAumentar 100-200 mg/dia em intervalos de pelo menos 1 semana.
CI formaisDoença hepática ativa ou transaminases elevadas relevantes; IMAO; uso de substratos CYP3A4 formalmente proibidos pela bula; hipersensibilidade.
Cautela relativaQualquer risco hepático, álcool, polifarmácia, hipotensão, arritmia/QT e sedação.
Efeitos iniciaisSedação, tontura, boca seca, náusea e ortostase.
Podem persistirSedação/ortostase podem persistir; disfunção sexual costuma ser baixa. Hepatotoxicidade pode ser assintomática.
MonitorizaçãoTGO/TGP basal e durante conforme bula/local, além de sintomas de hepatite; suspender diante de lesão suspeita.
InteraçõesInibidor forte CYP3A4; pode elevar benzodiazepínicos, alguns hipolipemiantes, imunossupressores e outros. Somação serotoninérgica.
PérolaO risco hepático e a carga de interação explicam seu papel muito limitado.

47 · Selegilina transdérmica Opções menos usuais

PerfilIMAO transdérmico; em 6 mg/24 h há menor inibição intestinal de MAO-A, mas doses maiores exigem dieta de baixa tiramina.
Quando escolherDepressão resistente/atípica quando disponível e o sistema transdérmico melhora adesão.
IndicaçõesTDM. Sem apresentação transdérmica comercial no Brasil.
Dose6 mg/24 h; pode subir para 9 e 12 mg/24 h em intervalos de pelo menos 2 semanas; máximo 12 mg/24 h.
Como introduzirUm adesivo por dia, alternar local. Dieta de baixa tiramina para 9-12 mg e por 2 semanas após reduzir/suspender dose alta.
CI formaisSerotonérgicos, outros IMAO, simpaticomiméticos e opioides incompatíveis; feocromocitoma; hipersensibilidade.
Cautela relativaDermatite adesiva, hipertensão/cardiopatia, incapacidade de aderir às interações/dieta e bipolaridade.
Efeitos iniciaisReação local, insônia, ortostase e cefaleia.
Podem persistirReações cutâneas/insônia podem persistir; interações permanecem 14 dias após.
MonitorizaçãoPA, pele e lista de interações; educação igual à de IMAO.
InteraçõesMesmos riscos de síndrome serotoninérgica/crise hipertensiva; restrição de tiramina depende da dose.
PérolaVia transdérmica reduz, mas não zera, a complexidade de IMAO.

Parte 8 · Antidepressivos de ação rápida e estratégias avançadas

48 · Escetamina intranasal Antidepressivos de ação rápida

PerfilAntagonista NMDA de ação rápida administrado em serviço credenciado, sempre com observação; não é substituto de um plano longitudinal.
Quando escolherDepressão resistente ou episódio com necessidade de resposta rápida, conforme indicação regulatória, após avaliação de risco e acesso a monitorização.
IndicaçõesTDM resistente em associação a antidepressivo oral; algumas bulas incluem sintomas depressivos com ideação/comportamento suicida agudo, sem prova de prevenir suicídio.
DoseIndução usual 56 mg na primeira sessão, depois 56 ou 84 mg duas vezes/semana por 4 semanas; manutenção semanal e depois a cada 1-2 semanas, individualizada pela bula.
Como introduzirAdministração supervisionada. Não dirigir até o dia seguinte após sono reparador. Jejum e restrição de líquidos conforme protocolo do produto.
CI formaisDoença vascular aneurismática, malformação arteriovenosa ou história de hemorragia intracerebral em várias bulas; hipersensibilidade a cetamina/escetamina.
Cautela relativaHipertensão não controlada, psicose, transtorno por uso de substâncias, gravidez, doença cardiovascular/respiratória e risco de sedação sem retaguarda.
Efeitos iniciaisDissociação, tontura, náusea, sedação, vertigem e elevação transitória de PA; costumam resolver no período de observação.
Podem persistirEfeitos agudos não costumam persistir; uso repetido exige vigilância de sintomas urinários, cognição e uso indevido.
MonitorizaçãoPA antes e após, nível de consciência e dissociação por pelo menos 2 h; oximetria conforme protocolo. Urina se sintomas/uso prolongado; rastrear uso de substâncias.
InteraçõesDepressores do SNC aumentam sedação; psicoestimulantes/IMAO podem elevar PA. Álcool deve ser evitado.
PérolaA sessão exige logística e plano de transporte. A melhora rápida não elimina monitorização de suicídio nem tratamento de manutenção.

49 · Potencialização: quando e com o quê Estratégia

Quando considerarResposta parcial após ensaio adequado em dose terapêutica, com adesão, diagnóstico, substâncias e comorbidade já revisados. Preferir potencialização à troca quando há benefício parcial que se deseja preservar.
AtípicosBase comparativa mais robusta. Em metanálise em rede (48 ECR, 6.654 participantes), quetiapina (OR 1,92; ICr 1,39-3,13) e aripiprazol (OR 1,85; ICr 1,27-2,27) superaram placebo em resposta. Custo: acatisia, sedação, peso e perfil metabólico.
Lítio e T3Lítio OR 1,56 (ICr 1,05-2,55) e hormônio tireoidiano OR 1,84 (ICr 1,06-3,56); ambas as estimativas perderam robustez em análise de sensibilidade. Lítio exige litemia, função renal e tireoidiana e cuidado com desidratação, AINE e IECA; T3 exige controle de TSH e de sintomas de hipertireoidismo.
Ação rápidaEm metanálise em rede restrita a depressão resistente unipolar, escetamina intranasal, aripiprazol e lítio não diferiram entre si na taxa de resposta.
TolerabilidadeFrente a placebo, quetiapina (OR 3,85), olanzapina (OR 3,36), aripiprazol (OR 2,51) e lítio (OR 2,30) descontinuaram mais por efeito adverso, embora a aceitabilidade global não tenha diferido.
LimitesCombinar dois antidepressivos não é potencialização (cartão 15). Comparações diretas são escassas e as definições de resistência são heterogêneas entre ensaios. Definir alvo, prazo de reavaliação e critério de retirada do agente potencializador antes de iniciar.

50 · Duração do tratamento e manutenção Método

ContinuaçãoApós a remissão, manter a mesma dose que a produziu. Em metanálise de 40 ECR com desenho de enriquecimento (n = 8.890), a recaída foi de 20,9% com antidepressivo contra 39,7% com placebo (OR 0,38; IC 95% 0,33-0,43).
Quanto tempoRevisão sistemática clássica estimou redução de cerca de 70% na chance de recaída com a continuação. As taxas de recaída foram semelhantes entre manutenção de 6 meses e de 1 ano; o sinal de proteção adicional entre 12 e 18 meses vem de menos estudos e é menos robusto.
Manutenção longaConsiderar 2 anos ou mais quando há episódios recorrentes, sintomas residuais, prejuízo funcional importante, tentativa de suicídio prévia ou recaída em tentativas anteriores de retirada.
DoseManter a dose eficaz. Redução profilática de dose na manutenção não tem suporte de ensaios e desloca o paciente para faixa subterapêutica.
RetiradaEm ECR de atenção primária com pacientes em remissão, a suspensão associou-se a mais recaída em 52 semanas do que a manutenção. Quando indicada, descontinuar com desmame gradual e acompanhamento estruturado (cartão 14).
Erros comunsContar semanas em dose subterapêutica como tempo de tratamento; confundir sintomas de retirada com recaída; encerrar o tratamento na melhora sintomática, antes da remissão sustentada.

51 · Farmacogenética aplicável Individualização

O que é acionávelA diretriz CPIC 2023 emite recomendações de dose para CYP2C19 (citalopram, escitalopram, sertralina), e a de 2016/2017 para tricíclicos. SLC6A4 e HTR2A foram avaliados, mas não sustentam recomendação de dose.
CYP2C19 lentoExposição maior a citalopram e escitalopram: reduzir dose inicial e de manutenção ou escolher agente não metabolizado extensamente por 2C19. Relevante porque o risco de QT desses dois é dose-dependente (cartões 09 e 19).
CYP2C19 ultrarrápidoExposição menor, menos melhora sintomática e mais troca/descontinuação; a recomendação é escolher alternativa não dependente da 2C19. Se citalopram/escitalopram forem mantidos e a resposta for insuficiente na dose usual, considerar titulação acima dela.
CYP2D6Evitar paroxetina em metabolizador lento e no ultrarrápido. Vortioxetina: máximo de 10 mg/dia em metabolizador lento, conforme bula. Tricíclicos: reduzir dose ou usar nível plasmático para guiar (cartões 36 a 39).
FenocópiaInibidor forte de 2D6 (fluoxetina, paroxetina, bupropiona) converte metabolizador normal em lento funcional, e o mesmo vale para 1A2 com fluvoxamina/tabagismo. O genótipo não substitui a revisão de interações; frequentemente ela pesa mais.
LimitesPainéis combinatórios comerciais têm resultados inconsistentes em ensaios de desfecho clínico. Tratar o genótipo como um dado a mais entre dose, resposta prévia e tolerabilidade, não como algoritmo de prescrição.

52 · Cetamina racêmica (uso off-label) Antidepressivos de ação rápida

PerfilAntagonista NMDA de ação rápida. A via intravenosa subanestésica é a mais estudada em depressão, mas não há aprovação regulatória para essa indicação: o uso é off-label, com o produto aprovado como anestésico.
Quando escolherDepressão resistente ou necessidade de resposta rápida quando escetamina intranasal não está disponível ou acessível, em serviço com monitorização e plano de manutenção definido.
IndicaçõesNenhuma indicação aprovada em depressão. Exige consentimento explícito quanto ao caráter off-label, aos riscos e à ausência de esquema de manutenção padronizado.
DoseEsquema mais estudado: 0,5 mg/kg por via intravenosa em cerca de 40 minutos, 2 a 3 vezes por semana, por 2 a 4 semanas. Vias subcutânea, intramuscular e oral têm menos evidência e biodisponibilidade variável.
Como introduzirAdministração supervisionada, com PA, FC, oximetria e nível de consciência. Observar até a resolução da dissociação. Não dirigir no dia da sessão.
CI formaisHipersensibilidade. Conforme bula anestésica e protocolos: hipertensão não controlada, aneurisma ou malformação vascular, doença coronariana instável, hipertensão intracraniana e psicose ativa.
Cautela relativaTranstorno por uso de substâncias, história de psicose, gravidez, hepatopatia, glaucoma, doença cardiovascular ou respiratória e risco de sedação sem retaguarda.
Efeitos iniciaisDissociação, elevação transitória de PA/FC, náusea ou vômito, tontura, cefaleia e sedação; em geral resolvem no período de observação.
Podem persistirOs efeitos agudos não costumam persistir. O uso repetido ou prolongado exige vigilância de cistite/sintomas urinários, alteração hepática, cognição e uso indevido.
MonitorizaçãoPA e FC por sessão; sintomas urinários; função hepática em uso prolongado; rastreio de uso de substâncias e de escalada de dose; reavaliar periodicamente a necessidade de manutenção.
InteraçõesDepressores do SNC somam sedação; simpaticomiméticos e IMAO elevam a PA; a evidência sobre benzodiazepínicos reduzirem a resposta antidepressiva é observacional.
PérolaMetanálise de 24 ECR (1.877 participantes) apontou resposta e remissão maiores com cetamina intravenosa do que com escetamina intranasal, sem comparação direta randomizada: a diferença pode refletir via, dose e desenho dos ensaios.

Referências Nucleares

As doses e condutas foram sintetizadas do manual clínico completo. O leitor deve confirmar bula, disponibilidade e interações em tempo real. Contraindicações formais e doses máximas podem variar por jurisdição, formulação e atualização regulatória.

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