Manual Clínico dos Antidepressivos
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Sumário
Manual Clínico dos Antidepressivos
Seleção da molécula · dose e titulação · contraindicações · efeitos adversos · monitorização · interações
Como usar este manual
Este documento diferencia quatro conceitos que frequentemente são misturados na prática: dose inicial, dose mínima eficaz, faixa-alvo e dose máxima. A dose inicial é de tolerabilidade; a mínima eficaz é a menor com suporte de eficácia populacional; a faixa-alvo é onde a maioria dos ensaios terapêuticos ocorre; e a máxima é um limite regulatório ou de diretriz, não uma meta.
Hierarquia da evidência usada
| Marca | Interpretação no manual | Exemplos |
|---|---|---|
| A | Alta/moderada: diretriz baseada em revisão sistemática, metanálise ou múltiplos ECRs. | Eficácia comparativa; dose terapêutica; risco cardiometabólico. |
| B | Evidência direta limitada ou documento regulatório. | Contraindicações formais; ajuste renal/hepático; algumas estratégias de efeito adverso. |
| C | Consenso, farmacologia clínica, série de casos ou extrapolação. | Troca de horário, titulação ultralenta, buspirona para bruxismo. |
As fichas não repetem uma letra em cada frase para preservar a velocidade de consulta. Condutas de menor certeza são nomeadas como 'evidência limitada', 'off-label' ou 'consenso'.
Navegação
- Parte I - decisão antes da receita e monitorização.
- Parte II - escolha da molécula por fenótipo, comorbidade e efeito a evitar.
- Parte III - efeitos adversos: o que tende a melhorar, o que tende a persistir e como manejar.
- Parte IV - interações medicamentosas de maior relevância.
- Parte V - fichas individuais por classe e molécula.
- Parte VI - populações especiais; em seguida, capítulo próprio de troca, retirada e combinações.
- Parte VII - referências, método e limitações.
Parte I - Antes de prescrever
Os 10 pontos que mais evitam erro
- Confirmar a síndrome-alvo e o prejuízo funcional; não tratar apenas um escore.
- Rastrear história pessoal/familiar de mania ou hipomania, estados mistos e ciclagem por antidepressivo.
- Avaliar risco de suicídio e toxicidade em overdose; limitar quantidade quando necessário.
- Rever álcool, cannabis, estimulantes, opioides, fitoterápicos e automedicação para dor/resfriado.
- Listar todos os fármacos e checar serotonina, sangramento, QT, pressão arterial e CYP.
- Documentar peso/IMC, pressão, sono, função sexual, sintomas GI e queixa cognitiva antes do início.
- Solicitar exames apenas quando o risco os torna úteis; evitar 'painel universal' sem hipótese.
- Escolher a molécula junto com o paciente pelo efeito que mais importa evitar e pela comorbidade que se deseja tratar.
- Prescrever início/titulação e plano para efeitos iniciais, não apenas a dose final.
- Marcar reavaliação em até 2 semanas para tolerabilidade/risco e em 2-4 semanas para melhora mensurável.
Checklist clínico basal
| Domínio | Perguntas / medidas essenciais | Como muda a escolha |
|---|---|---|
| Diagnóstico | Bipolaridade, psicose, luto, substâncias, TDAH, TEPT, TOC, dor, causas médicas. | Antidepressivo pode ser inadequado, insuficiente ou precisar de proteção do humor. |
| Risco | Suicídio, automutilação, impulsividade, acesso a medicamentos, convulsão. | Evitar TCA/IMAO em overdose; evitar bupropiona em risco convulsivo. |
| Somático | PA/FC, peso/IMC, sono, dor, GI, função urinária, sexual, quedas. | Direciona IRSN, mirtazapina, TCA ou alternativas com menor carga específica. |
| Cardíaco | Síncope, arritmia, cardiopatia, QT longo familiar, bradicardia. | ECG; evitar citalopram/TCA e combinações de QT quando risco elevado. |
| Metabólico | Obesidade, diabetes, dislipidemia, esteatose. | Evitar mirtazapina/paroxetina/TCA se alternativas equivalentes. |
| Hepatorrenal | Cirrose/hepatite, álcool, TFG, diálise. | Evitar agomelatina/hepatotóxicos; ajustar duloxetina/desvenlafaxina. |
| Reprodutivo | Gestação, lactação, planejamento, contracepção. | Discussão risco-benefício e fonte perinatal atualizada; não interromper abruptamente. |
| Preferência | Efeitos inaceitáveis, resposta familiar/pessoal, custo e formulação. | Frequentemente decide entre opções de eficácia média semelhante. |
Base: CANMAT [1], Maudsley [2], NICE [6] e Pillinger et al. [4,5].
Exames e medidas: matriz prática
| Situação / fármaco | Antes | Durante | Gatilho para agir |
|---|---|---|---|
| Adulto saudável + ISRS/IRSN comum | Nenhum exame obrigatório; PA/peso/sexual clínicos. | Sem laboratório rotineiro. | Sintoma ou novo fator de risco. |
| ≥60 anos, diurético, baixo peso ou hiponatremia prévia | Sódio. | Sódio em 1-2 semanas e após aumento; repetir em 4 semanas conforme risco. | Sintomas ou queda relevante: investigar SIADH e suspender conforme gravidade. |
| Citalopram / escitalopram ou combinação de QT com risco | ECG, K, Mg. | ECG após estabilizar / aumentar. | QTc >500 ms ou aumento >60 ms: corrigir causas e retirar agente implicado. |
| TCA | ECG se >40 anos ou risco; PA ortostática. | ECG após dose/nível relevante; nível plasmático seletivo. | QRS/QTc, síncope, arritmia, delirium ou nível alto. |
| IRSN / bupropiona | PA e FC. | Após aumentos e periodicamente. | Elevação sustentada: reduzir, tratar ou trocar. |
| Agomelatina | TGO/TGP. | Semanas 3, 6, 12 e 24; reiniciar cronograma após aumento. | >3x o limite superior da normalidade (LSN) ou sintomas hepáticos: suspender e acompanhar. |
| Duloxetina com risco hepático | TGO/TGP; álcool / hepatopatia. | Se sintomas ou conforme risco/bula. | Icterícia, colúria, dor em hipocôndrio direito (HD), fadiga nova ou enzimas significativas. |
| Mirtazapina / TCA com risco de peso | Peso/IMC; glicemia / lipídios se risco. | Peso; glicemia/lipídios cerca de 6/6 meses se ganho/risco. | Ganho clinicamente relevante ou piora metabólica. |
| Queixa sexual | ASEX/CSFQ ou história estruturada. | Perguntar ativamente em 2-4 semanas. | Impacto em adesão/qualidade de vida: manejar, não esperar relato espontâneo. |
Parte II - Escolha da molécula
As diferenças médias de eficácia entre antidepressivos são menores que as diferenças de tolerabilidade, interações e adequação ao fenótipo. Em CANMAT, os fármacos de primeira linha incluem ISRS, IRSN, bupropiona, mirtazapina, vortioxetina, vilazodona e agomelatina; TCA e trazodona antidepressiva ficam atrás por segurança/tolerabilidade. A escolha deve começar pelo risco que não pode ser aceito.
Tabela-mestra de escolha
| Cenário | Opções que costumam favorecer | Evitar ou usar com cautela | Racional |
|---|---|---|---|
| Ansiedade / pânico muito sensível | Escitalopram, sertralina; iniciar meia dose. | Fluoxetina/bupropiona rápidas; IRSN em dose inicial alta. | Ativação inicial compromete adesão. |
| TOC | Sertralina, fluoxetina, fluvoxamina, paroxetina; clomipramina depois. | Bupropiona isolada. | Necessita dose alta e 10-12 semanas. |
| Dor neuropática / fibromialgia | Duloxetina; amitriptilina/nortriptilina. | ISRS como analgésico principal. | Duplo alvo evita polifarmácia. |
| Hipersonia / fadiga / baixa energia | Bupropiona, fluoxetina; vortioxetina. | Mirtazapina, trazodona, TCA sedativo. | Perfil ativador e menor H1. |
| Insônia + perda de apetite | Mirtazapina; trazodona apenas se dose/objetivo claros. | Bupropiona tardia; fluoxetina ativadora. | Sedação/orexia podem ser úteis. |
| Disfunção sexual prévia | Bupropiona, vortioxetina, agomelatina, mirtazapina. | Paroxetina, clomipramina; ISRS/IRSN. | Menor carga serotoninérgica sexual. |
| Obesidade / ganho de peso temido | Bupropiona; vortioxetina; fluoxetina no curto prazo. | Mirtazapina, paroxetina, amitriptilina. | Diferenças metabólicas são clinicamente relevantes. |
| Polifarmácia | Escitalopram, sertralina, desvenlafaxina, mirtazapina. | Fluvoxamina; fluoxetina/paroxetina/bupropiona se substratos 2D6. | Menor inibição CYP. |
| Tamoxifeno | Escitalopram, citalopram, sertralina, venlafaxina/desvenlafaxina. | Paroxetina, fluoxetina e bupropiona. | CYP2D6 converte tamoxifeno em endoxifeno. |
| Cardiopatia isquêmica | Sertralina; escitalopram em cenário apropriado. | TCA; citalopram se QT; venlafaxina se PA. | Histórico de segurança e menor condução. |
| Hipertensão / taquicardia | ISRS, mirtazapina, vortioxetina. | Venlafaxina, duloxetina, bupropiona. | Carga noradrenérgica eleva PA/FC. |
| Baixa adesão / retirada difícil | Fluoxetina, vortioxetina, bupropiona, mirtazapina, agomelatina. | Paroxetina, venlafaxina. | Meia-vida e síndrome de retirada. |
| Doença hepática / álcool relevante | Escolher agente/ajuste conforme caso; sertralina em baixa dose pode ser considerada. | Agomelatina; duloxetina. | Hepatotoxicidade / metabolismo. |
| TFG <30 mL/min | Agentes com ajuste individual e apoio farmacêutico. | Duloxetina; desvenlafaxina sem ajuste. | Acúmulo renal. |
| Alto risco de overdose | ISRS, mirtazapina, vortioxetina em quantidade controlada. | TCA e IMAO. | Toxicidade cardíaca / neurológica. |
Base comparativa: Cipriani et al. [3], CANMAT [1], Pillinger et al. [4,5] e Maudsley [2].
Eficácia e aceitabilidade: como interpretar
- Todos os antidepressivos incluídos na metanálise de rede de 2018 foram superiores ao placebo em TDM agudo; isso não significa equivalência individual.
- Amitriptilina aparece com alta eficácia média, porém aceitabilidade e segurança reduzem seu valor como primeira linha.
- Escitalopram, sertralina, mirtazapina, venlafaxina, vortioxetina e agomelatina figuram entre fármacos com sinais favoráveis em algumas comparações; diferenças absolutas são modestas.
- Mirtazapina pode parecer mais eficaz em escalas totais por melhorar sono e apetite; não presumir superioridade uniforme em humor deprimido ou suicidabilidade.
- A escolha baseada apenas em ranking ignora overdose, retirada, comorbidades, interações, custo e preferência.
Dose, duração e decisão de próximo passo
| Momento | Pergunta | Conduta |
|---|---|---|
| Semana 0 | Diagnóstico, risco, preferência, baseline e interações estão claros? | Escolher e prescrever titulação + plano de efeitos iniciais. |
| Até 2 semanas | Tolerabilidade, ativação, suicidabilidade, adesão e dose? | Reduzir ritmo, manejar efeito ou interromper se grave. |
| 2-4 semanas | Há ≥20% de melhora ou qualquer sinal discernível? | Se nenhum: otimizar dose ou trocar; se parcial: continuar/otimizar. |
| 6-8 semanas | Houve ensaio em dose terapêutica pelo tempo correto? | Remissão: manter; parcial: otimizar/adjuntar; zero: trocar. |
| TOC/pânico/TEPT | O transtorno exige latência/dose maior? | TOC pode exigir 10-12 semanas; ansiedade precisa titulação mais lenta. |
| Após remissão | Qual risco de recorrência? | Manter 6-12 meses; 2 anos ou mais se recorrência/alto risco. |
Parte III - Efeitos adversos e manejo
Curso temporal: o que costuma melhorar e o que costuma continuar
| Efeito | Início típico | Curso durante manutenção | Conduta de primeira linha |
|---|---|---|---|
| Náusea / diarreia | Dias 1-7; ISRS/IRSN/vilazodona/vortioxetina. | Muitas vezes reduz em 1-2 semanas; diarreia da sertralina pode persistir. | Com alimento, dose menor, titulação lenta; trocar se desidratação/perda de peso ou persistência. |
| Ativação / ansiedade / acatisia | Primeiros dias ou após aumento. | Frequentemente atenua; acatisia intensa não deve ser apenas observada. | Reduzir dose/ritmo, mudar horário; avaliar mania, uso de estimulante e suicidabilidade. |
| Cefaleia / tontura | Primeira semana. | Costumam atenuar; tontura também pode ser hiponatremia/ortostase. | Hidratação, horário, descartar causa; medir sódio/PA se risco. |
| Insônia | Início ou dose alta. | Pode atenuar ou persistir, sobretudo fluoxetina/bupropiona/IMAO. | Manhã, higiene do sono, reduzir ativadores; trocar se funcionalmente relevante. |
| Sonolência | Primeiras doses. | Pode tolerizar parcialmente; mirtazapina/TCA/trazodona podem manter. | Noite, retirar outros sedativos, investigar apneia; reduzir/trocar. |
| Disfunção sexual | Semanas iniciais, dose-dependente. | Frequentemente persiste; melhora espontânea completa é minoria. | Baseline, dose mínima eficaz, switch/adjunto com evidência; não esperar indefinidamente. |
| Sudorese | Semanas. | Pode persistir enquanto o fármaco é usado. | Dose/horário, excluir tireoide/menopausa/infecção; troca ou antídoto off-label selecionado. |
| Bruxismo | Semanas após início/aumento. | Pode persistir. | Dose/troca, avaliação odontológica; buspirona tem evidência baixa. |
| Ganho de peso | Mais tardio, embora mirtazapina/TCA iniciem cedo. | Tende a continuar; pode ser progressivo. | Baseline, dieta/atividade, tratar comorbidade, reduzir/trocar; não aguardar grande ganho. |
| Anticolinérgicos | Desde o início com TCA / paroxetina. | Boca seca/constipação/retenção frequentemente persistem. | Reduzir carga total, medidas sintomáticas, trocar; urgência se íleo/retenção/delirium. |
| PA/FC elevadas | Após dose noradrenérgica. | Persistem se dependentes da dose. | Medir, corrigir fatores, reduzir/trocar; tratar PA quando indicado. |
| Hiponatremia | Sobretudo 1-4 semanas. | Não é efeito para 'esperar passar'. | Confirmar SIADH/gravidade; suspender e tratar clinicamente. |
Curso temporal: Pillinger et al. [4], Goldberg & Ernst [7], CANMAT [1] e Maudsley [2].
Náusea, diarreia e desconforto gastrointestinal
- Diferenciar efeito do fármaco de ansiedade, gastroenterite, metformina, GLP-1, álcool, cannabis e retirada de outro agente.
- Começar abaixo da dose terapêutica não é subtratamento se houver plano explícito de subida.
- Tomar com alimento ajuda duloxetina, venlafaxina, vortioxetina e trazodona; vilazodona deve ser tomada com alimento por absorção.
- Antiemético por poucos dias é estratégia de consenso; revisar QT, sedação e interações. Evitar perpetuar outro fármaco para sustentar uma opção mal tolerada.
- Diarreia importante, sangramento, febre, desidratação ou perda ponderal exigem investigação e possível troca.
Ativação, ansiedade, acatisia e virada do humor
| Achado | Pistas | Conduta |
|---|---|---|
| Ativação simples | Inquietação, insônia, ansiedade sem aceleração persistente do pensamento. | Reduzir dose/ritmo; manhã; retirar cafeína/estimulante; acompanhar em dias. |
| Acatisia | Urgência interna de mover-se, incapacidade de ficar sentado, sofrimento intenso. | Não banalizar; reduzir/suspender agente, avaliar outros causadores e risco suicida. |
| Hipomania / mania | Menor necessidade de sono, grandiosidade, aceleração, aumento de atividade/risco. | Suspender antidepressivo conforme gravidade, tratar episódio e revisar diagnóstico bipolar. |
| Estado misto | Depressão com agitação, irritabilidade, pensamento acelerado e impulsividade. | Evitar escalada automática de antidepressivo; priorizar estratégia de bipolaridade/misto. |
Disfunção sexual
Perguntar antes do tratamento e depois ativamente. Depressão, ansiedade, diabetes, doença vascular, dor, relacionamento, menopausa/hipogonadismo, prolactina, álcool e outras medicações são confundidores. Relato espontâneo subestima o problema.
| Estratégia | Quando usar | Força/limite |
|---|---|---|
| Aguardar 2-4 semanas | Efeito leve, resposta excelente, paciente aceita. | Adaptação completa é incomum; não prolongar sofrimento. |
| Reduzir até mínima eficaz | Remissão estável e dose acima do necessário. | Pode melhorar; risco de recaída/retirada. |
| Trocar | Impacto moderado / grave. | Bupropiona, vortioxetina, agomelatina ou mirtazapina tendem a menor risco. |
| Sildenafil / tadalafil | Disfunção erétil associada ao antidepressivo. | Melhor evidência farmacológica; avaliar contraindicação cardiovascular/nitrato. |
| Bupropiona adjuvante | Desejo/orgasmo reduzidos com serotonérgico. | Evidência mista; considerar ansiedade, PA e convulsão. |
| Drug holiday | Excepcionalmente com ISRS de meia-vida curta. | Evidência baixa; risco de retirada/recorrência; não funciona para fluoxetina. |
Peso e risco cardiometabólico
Na metanálise do Lancet de 2025 (mediana de 8 semanas), a variação entre os extremos comparados chegou a cerca de 4 kg. Amitriptilina, nortriptilina, fluvoxamina e mirtazapina tenderam a maior peso agudo; agomelatina, fluoxetina, bupropiona, sertralina, venlafaxina, duloxetina e desvenlafaxina reduziram peso no curto prazo. Isso não prediz necessariamente o longo prazo: paroxetina e vários serotonérgicos podem ganhar peso com manutenção.
- Medir peso/IMC antes; em risco, cintura, glicemia/HbA1c e lipídios.
- Intervir cedo (por exemplo, 2-3 kg ou aumento consistente), considerando recuperação do apetite versus efeito farmacológico.
- Revisar sono, álcool, alimentação, atividade, hipotireoidismo, menopausa, antipsicótico e estabilizador concomitantes.
- Se o antidepressivo é substituível, troca costuma ser mais racional que adicionar medicação para peso.
- Metformina/agonistas GLP-1 não têm a mesma base antidepressivo-específica que no ganho por antipsicótico; seguir indicação metabólica própria.
Hiponatremia, sangramento, QT e fígado
| Evento | Maior risco | Sinais/conduta imediata |
|---|---|---|
| Hiponatremia / SIADH | Idoso, mulher, baixo peso, diurético, Na baixo prévio, ISRS/IRSN. | Náusea, cefaleia, confusão, queda, convulsão: dosar Na; suspender/tratar conforme gravidade. |
| Sangramento | ISRS/IRSN + AAS/AINE/anticoagulante, úlcera, idoso. | Equimose, melena, hematêmese: avaliar urgência; reduzir combinação e considerar gastroproteção por indicação. |
| QT / arrítmia | Citalopram, TCA, polifarmácia QT, cardiopatia, bradicardia, K/Mg baixos. | Síncope/palpitação: ECG e eletrólitos. QTc >500 ms é alto risco. |
| Hepatotoxicidade | Agomelatina; duloxetina com álcool/hepatopatia. | Icterícia, colúria, hipocolia, dor HD, fadiga nova: suspender e investigar. |
Síndrome serotoninérgica: reconhecimento rápido
- Suspender agentes serotoninérgicos e acionar avaliação médica urgente; casos moderados/graves exigem ambiente hospitalar.
- Buscar combinação recente: IMAO, linezolida, azul de metileno, tramadol, meperidina, dextrometorfano, MDMA, lítio ou múltiplos antidepressivos.
- Não confundir com síndrome neuroléptica maligna, anticolinérgica, abstinência ou sepse.
- O risco com triptano isolado + ISRS parece baixo, mas o paciente deve conhecer os sintomas e a carga serotoninérgica total.
Parte IV - Interações medicamentosas
A tabela prioriza interações com potencial de mudar conduta. Ela não substitui uma base atualizada: IMAO, oncologia, transplante, antiarrítmicos, antirretrovirais e polifarmácia geriátrica exigem verificação específica.
Interações farmacodinâmicas
| Combinação | Risco / mecanismo | Conduta prática |
|---|---|---|
| IMAO + serotonérgico | Síndrome serotoninérgica potencialmente fatal. | Contraindicado; washout apropriado. 5 semanas após fluoxetina; usualmente 14 dias para outros, conforme meia-vida/bula. |
| IMAO + simpaticomimético / tiramina | Crise hipertensiva. | Contraindicado/evitar; educação dietética e OTC. |
| ISRS/IRSN + AINE / AAS / anticoagulante | Inibição plaquetária + lesão/coagulação. | Estimar risco GI/intracraniano; evitar AINE crônico, gastroproteger quando indicado, monitorar. |
| Serotonérgico + tramadol / meperidina / dextrometorfano | Síndrome serotoninérgica; tramadol também convulsão. | Preferir alternativa; meperidina é proibida com IMAO. |
| Noradrenérgico + estimulante / descongestionante | PA/FC, agitação, arritmia. | Evitar combinação de alta carga; monitorar PA/FC. |
| QT + QT | Somação de repolarização, maior com eletrólitos baixos. | ECG/K/Mg; reduzir agentes. |
| Sedativo + álcool / benzodiazepínico / opioide | Queda, depressão psicomotora/respiratória. | Evitar ou reduzir; orientar direção e overdose. |
| Anticolinérgico + anticolinérgico | Retenção, íleo, delirium, glaucoma. | Calcular carga e simplificar; especialmente idoso. |
| Bupropiona / TCA + pró-convulsivante | Redução aditiva do limiar convulsivo. | Evitar/limitar dose e corrigir fatores. |
| Lítio + serotonérgicos | Tremor/serotonina; combinação pode ser terapêutica. | Não é proibida, mas monitorar e educar. |
Interações CYP que mais alteram a receita
| Antidepressivo | Papel CYP | Interações de alto rendimento |
|---|---|---|
| Fluoxetina | Inibidor forte 2D6; moderado 2C19 e 2C9; meia-vida longa. | ↑TCA, metoprolol, alguns antipsicóticos; ↓ativação tamoxifeno, codeína, tramadol. Efeito persiste semanas. |
| Paroxetina | Inibidor forte 2D6. | Mesmas famílias 2D6; evitar com tamoxifeno quando possível. |
| Bupropiona | Inibidor forte 2D6; substrato 2B6. | ↑TCA/antipsicótico/betabloqueador; ↓tamoxifeno/codeína/tramadol. Carbamazepina ↓bupropiona. |
| Fluvoxamina | Inibidor forte 1A2 e 2C19; algum 3A4/2C9. | ↑clozapina, olanzapina, teofilina, cafeína e benzodiazepínicos; tizanidina/ramelteona proibidas. |
| Duloxetina | Substrato 1A2/2D6; inibidor moderado 2D6. | Fluvoxamina/ciprofloxacino ↑duloxetina; pode ↑substratos 2D6. |
| Sertralina | Inibidor 2D6 fraco e 2C19 leve a moderado, ambos maiores em alta dose. | Geralmente baixo, mas revisar substrato estreito 2D6 e 2C19 (ex.: clopidogrel, diazepam, fenitoína). |
| Citalopram / escitalopram | Substratos 2C19/3A4/2D6; pouca inibição. | Omeprazol/2C19 podem ↑exposição; risco principal é QT/farmacodinâmica. |
| Venlafaxina | Substrato 2D6/3A4; inibidor fraco 2D6. | Inibidor 2D6 muda relação venlafaxina/desvenlafaxina; monitorar tolerabilidade. |
| Desvenlafaxina | Conjugação + pouca 3A4; baixa inibição. | Poucas interações CYP; ajustar rim. |
| Vortioxetina | Substrato principal 2D6; não inibe de modo relevante. | Reduzir pela metade com bupropiona/fluoxetina/paroxetina; indutores fortes podem exigir aumento. |
| Agomelatina | Substrato 1A2. | Fluvoxamina e ciprofloxacino contraindicados; fumar pode ↓níveis. |
| Trazodona / vilazodona | Substratos 3A4. | Azólicos, macrolídeos, ritonavir ↑níveis; carbamazepina/rifampicina ↓níveis. |
| TCA | Substratos sobretudo 2D6/2C19. | Inibidores 2D6/2C19 podem causar toxicidade; considerar nível e reduzir dose. |
Base: Maudsley [2], Goldberg & Ernst [7], CPIC [8,9] e monografias [13].
Tamoxifeno, codeína e tramadol: o mesmo erro CYP2D6
Farmacogenética
- Não é teste obrigatório antes de todo antidepressivo e não substitui diagnóstico, adesão, dose e interação.
- CPIC oferece recomendações acionáveis para pares como escitalopram/citalopram-CYP2C19, paroxetina-CYP2D6, sertralina-CYP2C19/CYP2B6 e TCAs-CYP2D6/CYP2C19.
- É mais útil em efeitos graves/incomuns em dose baixa, falhas repetidas com exposição incerta ou resultado já disponível.
- Painéis comerciais não são equivalentes; diferenciar gene-fármaco validado de algoritmo proprietário.
Parte V - Classes e fichas por molécula
Comparação rápida das classes
| Classe | Força prática | Limitações típicas | Retirada |
|---|---|---|---|
| ISRS | Primeira linha; amplo espectro ansioso/TOC; seguros em overdose. | GI, sexual, hiponatremia, sangramento, ativação. | Alta paroxetina; baixa fluoxetina; intermediária nas demais. |
| IRSN | Dor + depressão/ansiedade; eficácia robusta. | Náusea, sexual, sudorese, PA/FC, retirada. | Alta venlafaxina; moderada duloxetina/desvenlafaxina. |
| Bupropiona | Energia, sexo, peso, tabagismo. | Insônia, PA, convulsão; não trata TOC. | Baixa. |
| Mirtazapina | Sono, apetite, náusea; baixo sexual. | Sedação e ganho de peso. | Baixa. |
| Vortioxetina | Cognição/aceitabilidade; baixo peso/interação. | Náusea; custo; sexual não zero. | Baixa. |
| Agomelatina | Circadiano, baixo sexual / retirada. | Hepatotoxicidade e exames. | Mínima. |
| Trazodona | Sono; baixa anticolinergia relativa. | Dose antidepressiva sedativa, ortostase, priapismo. | Moderada. |
| Vilazodona | Serotoninérgica com agonismo parcial 5-HT1A; possível menor carga sexual. | Diarreia e náusea; exige tomada com alimento; custo. | Intermediária. |
| TCA | Dor, TOC (clomipramina), depressão resistente. | Overdose, condução, anticolinérgico, peso, quedas. | Moderada; taper. |
| IMAO | Depressão resistente / atípica. | Interações e dieta; ortostase; logística. | Taper; restrições persistem após suspensão. |
| Escetamina | Resposta rápida em resistente. | Dissociação, PA, sedação, custo/logística. | Esquema supervisionado. |
ISRS
Escitalopram
| Decisão | Resumo clínico |
|---|---|
| Quando escolher | TDM, TAG; ansiedade ou pânico com titulação lenta; polifarmácia; cardiopatia estável quando se deseja evitar agentes mais noradrenérgicos. |
| Indicações | TDM e TAG (indicações regulatórias em vários países). Evidência também para pânico, ansiedade social e TOC, conforme país/diretriz. |
| Dose | Início 5-10 mg/dia; dose mínima eficaz 10 mg/dia; alvo 10-20 mg/dia; máximo usual/licenciado 20 mg/dia. Em ansiedade muito sensível: 5 mg por 4-7 dias. Idoso ou insuficiência hepática: em geral 10 mg/dia como máximo recomendado. |
| Como introduzir | Aumentar para 10 mg após 4-7 dias se iniciado com 5 mg; considerar 20 mg após pelo menos 1-2 semanas, apenas se resposta parcial e boa tolerabilidade. Pode ser tomado manhã ou noite. |
Segurança
| Domínio | Informação prática |
|---|---|
| Contraindicações formais | Uso concomitante ou intervalo inadequado com IMAO, linezolida ou azul de metileno IV; pimozida; hipersensibilidade a escitalopram/citalopram. |
| Evitar/cautela relativa | QT longo, bradicardia, hipocalemia/hipomagnesemia, múltiplos fármacos que prolongam QT; epilepsia; bipolaridade; hiponatremia prévia, idade avançada ou diurético; risco hemorrágico; glaucoma de ângulo fechado. |
| Efeitos iniciais | Náusea, cefaleia, diarreia/constipação, insônia ou sonolência, aumento transitório de ansiedade; em muitos pacientes atenuam em 1-2 semanas. |
| Mais propensos a persistir | Disfunção sexual, sudorese, embotamento afetivo e alterações do sono podem persistir enquanto o fármaco é mantido; ganho de peso costuma ser tardio e variável. |
| Monitorização | Sem exames de rotina no adulto saudável. Considerar sódio basal e 1-2 semanas após início/aumento em alto risco; ECG e eletrólitos se risco de QT; avaliar função sexual, peso e suicidabilidade clinicamente. |
Interações e pérola
Baixa inibição CYP; é substrato sobretudo de CYP2C19/3A4. Somação serotoninérgica, hemorrágica e de QT. Omeprazol e outros inibidores de CYP2C19 podem elevar exposição.
Citalopram
| Decisão | Resumo clínico |
|---|---|
| Quando escolher | TDM em polifarmácia quando ECG/risco cardíaco não limitam; alternativa de boa previsibilidade farmacocinética. |
| Indicações | TDM. Evidência para pânico, TAG e outras condições ansiosas; indicações formais variam. |
| Dose | Início 10-20 mg/dia; mínima eficaz 20 mg/dia; alvo 20-40 mg/dia; máximo 40 mg/dia. Máximo 20 mg/dia em >60 anos, insuficiência hepática, metabolizador lento CYP2C19 ou uso de inibidor forte de CYP2C19, conforme alerta FDA. |
| Como introduzir | Subir de 10 para 20 mg em cerca de 1 semana; aumentos posteriores de 10-20 mg com intervalos de pelo menos 1-2 semanas. Uma tomada diária. |
Segurança
| Domínio | Informação prática |
|---|---|
| Contraindicações formais | IMAO/linezolida/azul de metileno IV em janela proibida; pimozida; hipersensibilidade. Algumas bulas tratam QT longo congênito como contraindicação. |
| Evitar/cautela relativa | QTc elevado, cardiopatia, bradicardia, distúrbio eletrolítico, uso de outros prolongadores de QT; insuficiência hepática; epilepsia; bipolaridade; hiponatremia; sangramento. |
| Efeitos iniciais | Náusea, cefaleia, ativação, insônia/sonolência, alterações intestinais; tendem a atenuar nas primeiras semanas. |
| Mais propensos a persistir | Disfunção sexual, sudorese e possível ganho de peso/embotamento podem persistir. |
| Monitorização | ECG basal e após estabilização se fatores de risco ou dose alta; potássio/magnésio se risco; sódio em vulneráveis. Sem painel laboratorial universal. |
Interações e pérola
Somação de QT, serotonina e sangramento. Inibidores CYP2C19 podem elevar níveis; pouca inibição de enzimas por citalopram.
Sertralina
| Decisão | Resumo clínico |
|---|---|
| Quando escolher | TDM com ansiedade; pânico, TOC, TEPT e ansiedade social; cardiopatia isquêmica; lactação quando um ISRS é necessário e clinicamente apropriado. |
| Indicações | TDM, TOC, pânico, TEPT, ansiedade social e TDPM em diversas jurisdições. |
| Dose | Início 25-50 mg/dia; mínima eficaz 50 mg/dia; alvo 50-200 mg/dia; máximo licenciado 200 mg/dia. Pânico/TEPT: começar 25 mg. |
| Como introduzir | Aumentar 25-50 mg a cada 1-2 semanas segundo tolerância. Tomar com alimento se náusea/diarreia; manhã se ativadora, noite se sedativa. |
Segurança
| Domínio | Informação prática |
|---|---|
| Contraindicações formais | IMAO/linezolida/azul de metileno IV; pimozida; hipersensibilidade. Concentrado oral contém álcool e é contraindicado com dissulfiram. |
| Evitar/cautela relativa | Diarreia crônica, doença inflamatória intestinal ativa, epilepsia, bipolaridade, hiponatremia, risco hemorrágico e QT em cenário de múltiplos fatores. |
| Efeitos iniciais | Náusea, diarreia, cólicas, cefaleia, tremor leve, ativação ou insônia; sintomas GI frequentemente melhoram em 1-2 semanas, mas a diarreia pode persistir. |
| Mais propensos a persistir | Disfunção sexual, sudorese, bruxismo e diarreia em parte dos pacientes; ganho de peso tardio é possível. |
| Monitorização | Clínico; sódio em alto risco. ECG apenas se risco cardíaco/QT. Acompanhar GI, função sexual, peso e sintomas de ativação. |
Interações e pérola
Inibição CYP2D6 geralmente fraca e CYP2C19 leve a moderada, ambas maiores em doses altas. Somação serotoninérgica/hemorrágica. Pode aumentar exposição a alguns substratos 2D6.
Fluoxetina
| Decisão | Resumo clínico |
|---|---|
| Quando escolher | TDM com hipersonia/fadiga; baixa adesão; bulimia nervosa (60 mg); TOC; pânico; quando retirada prévia foi difícil. |
| Indicações | TDM, TOC, bulimia nervosa e pânico; combinação olanzapina-fluoxetina tem indicações específicas em depressão bipolar I e depressão resistente. |
| Dose | Início 10-20 mg pela manhã; mínima eficaz 20 mg; alvo TDM 20-60 mg; máximo de bula 80 mg/dia. Bulimia: 60 mg/dia. Pânico: iniciar 10 mg e subir para 20 mg. |
| Como introduzir | Subir após 2-4 semanas, pois há autoacúmulo e resposta frequente em 20 mg. Doses >20 mg podem ser manhã ou manhã/meio-dia. Reduzir frequência em hepatopatia. |
Segurança
| Domínio | Informação prática |
|---|---|
| Contraindicações formais | IMAO/linezolida/azul de metileno IV; pimozida; tioridazina; hipersensibilidade. Exige 5 semanas entre parar fluoxetina e iniciar IMAO. |
| Evitar/cautela relativa | Agitação, insônia, baixo peso, epilepsia, bipolaridade, sangramento, hiponatremia; polifarmácia com substratos CYP2D6. |
| Efeitos iniciais | Ativação, ansiedade, insônia, náusea, anorexia, cefaleia; parte atenua em 1-2 semanas. |
| Mais propensos a persistir | Disfunção sexual, sudorese, bruxismo e insônia podem persistir. A supressão de apetite pode reduzir com o tempo; peso pode aumentar tardiamente. |
| Monitorização | Clínico; peso se baixo peso/transtorno alimentar; sódio em risco; revisar interações mesmo semanas após suspensão. |
Interações e pérola
Inibidor forte CYP2D6 e moderado CYP2C19/CYP2C9; eleva TCAs, alguns antipsicóticos e betabloqueadores; reduz ativação de tamoxifeno, codeína e tramadol. Risco serotoninérgico e hemorrágico.
Paroxetina
| Decisão | Resumo clínico |
|---|---|
| Quando escolher | Ansiedade/pânico com insônia quando benefícios superam o custo de tolerabilidade; situações em que resposta prévia foi claramente superior. |
| Indicações | TDM, TAG, pânico, ansiedade social, TOC, TEPT e TDPM em diferentes formulações/jurisdições. |
| Dose | Início 10-20 mg/dia; mínima eficaz 20 mg; alvo 20-50 mg/dia; máximo varia por indicação/formulação (em geral 50-60 mg IR; CR possui equivalências próprias). |
| Como introduzir | Aumentar 10 mg a cada 1-2 semanas. Geralmente à noite se sedativa. Planejar retirada desde a prescrição. |
Segurança
| Domínio | Informação prática |
|---|---|
| Contraindicações formais | IMAO/linezolida/azul de metileno IV; pimozida; tioridazina; hipersensibilidade. |
| Evitar/cautela relativa | Obesidade, síndrome metabólica, constipação, retenção urinária, glaucoma de ângulo fechado, disfunção sexual, gestação planejada, idoso, tamoxifeno, epilepsia e bipolaridade. |
| Efeitos iniciais | Náusea, sonolência, tontura, constipação, boca seca; parte melhora em semanas. |
| Mais propensos a persistir | Disfunção sexual, ganho de peso, sudorese, constipação e embotamento frequentemente persistem. Retirada pode surgir após poucas doses omitidas. |
| Monitorização | Peso/IMC; sódio em vulneráveis; função sexual; sintomas anticolinérgicos. Sem exames universais. |
Interações e pérola
Inibidor forte CYP2D6: evitar com tamoxifeno quando possível; eleva metoprolol, TCAs e diversos antipsicóticos; reduz ativação de codeína/tramadol.
Fluvoxamina
| Decisão | Resumo clínico |
|---|---|
| Quando escolher | TOC; quadro ansioso-obsessivo quando se aceita manejo cuidadoso das interações; resposta prévia favorável. |
| Indicações | TOC é a indicação mais consolidada; TDM é indicado em diversos países, mas não em todos. |
| Dose | Início 25-50 mg à noite; mínima eficaz para depressão 50 mg, mas alvos usuais 100-300 mg; máximo 300 mg/dia. Doses IR >100 mg usualmente divididas. |
| Como introduzir | Aumentar 25-50 mg a cada 4-7 dias ou mais lentamente. Preferir noite no início; formulação CR tem esquema próprio. |
Segurança
| Domínio | Informação prática |
|---|---|
| Contraindicações formais | IMAO/linezolida/azul de metileno IV; tizanidina, ramelteona, alosetrona e pimozida conforme bulas; hipersensibilidade. |
| Evitar/cautela relativa | Polifarmácia, alto consumo de cafeína, uso de clozapina/olanzapina/teofilina, hepatopatia, epilepsia, bipolaridade, hiponatremia e sangramento. |
| Efeitos iniciais | Náusea, diarreia, sonolência ou insônia, cefaleia; náusea pode ser mais marcada, em geral reduz nas primeiras semanas. |
| Mais propensos a persistir | Disfunção sexual, sudorese e alterações GI/sono podem persistir. |
| Monitorização | Revisão de interações é mandatória. Considerar níveis de clozapina e redução de dose quando combinação deliberada; sódio em risco. |
Interações e pérola
Inibidor potente CYP1A2 e CYP2C19, com efeito adicional em CYP3A4/2C9: pode elevar clozapina, olanzapina, teofilina, cafeína, benzodiazepínicos oxidativos e outros.
IRSN
Venlafaxina XR
| Decisão | Resumo clínico |
|---|---|
| Quando escolher | TDM com ansiedade; TAG, pânico e ansiedade social; resposta insuficiente a ISRS com boa tolerância a agentes serotoninérgicos. |
| Indicações | TDM, TAG, ansiedade social e pânico em formulação XR, conforme jurisdição. |
| Dose | Início 37,5 mg por 4-7 dias, depois 75 mg/dia; mínima eficaz 75 mg; alvo 75-225 mg; máximo XR usual/licenciado 225 mg/dia. Doses até 375 mg/dia são usadas em contextos/formulações específicos, com maior risco e fora de várias bulas. |
| Como introduzir | Incrementos de 37,5-75 mg com intervalos de pelo menos 1 semana; mais lentamente em ansiedade sensível. Tomar com alimento, no mesmo horário. |
Segurança
| Domínio | Informação prática |
|---|---|
| Contraindicações formais | IMAO/linezolida/azul de metileno IV em janela proibida; hipersensibilidade. |
| Evitar/cautela relativa | Hipertensão não controlada, taquiarritmia, glaucoma de ângulo fechado, alto risco de retirada, epilepsia, bipolaridade, hiponatremia, sangramento, doença renal/hepática. |
| Efeitos iniciais | Náusea, ativação, insônia, tontura, redução do apetite; em geral atenuam. Sudorese e disfunção sexual podem aparecer cedo. |
| Mais propensos a persistir | Sudorese, disfunção sexual, elevação de PA/FC e, às vezes, insônia; retirada é frequente e pode ser intensa. |
| Monitorização | PA e FC antes e durante, especialmente após aumentos; sódio em risco; função renal/hepática para ajuste; peso e função sexual clinicamente. |
Interações e pérola
Substrato CYP2D6/3A4 e inibidor fraco 2D6. Somação serotoninérgica, hemorrágica e pressórica. Inibidores 2D6 alteram relação venlafaxina/desvenlafaxina.
Desvenlafaxina
| Decisão | Resumo clínico |
|---|---|
| Quando escolher | TDM em polifarmácia; quando se deseja IRSN com menor dependência de CYP2D6; resposta prévia à venlafaxina com problema farmacocinético/interações. |
| Indicações | TDM. |
| Dose | Início e dose mínima eficaz 50 mg/dia; alvo 50 mg, podendo chegar a 100 mg/dia; 100 mg é máximo prático em muitas diretrizes, pois doses maiores não demonstram benefício proporcional e pioram tolerabilidade. Ajustar em insuficiência renal. |
| Como introduzir | Frequentemente não é necessário titular além de 50 mg. Com sensibilidade, pode-se usar 25 mg por poucos dias onde disponível. Engolir comprimido de liberação prolongada inteiro. |
Segurança
| Domínio | Informação prática |
|---|---|
| Contraindicações formais | IMAO/linezolida/azul de metileno IV; hipersensibilidade a desvenlafaxina ou venlafaxina. |
| Evitar/cautela relativa | Hipertensão, insuficiência renal, taquiarritmia, glaucoma, epilepsia, bipolaridade, hiponatremia e risco hemorrágico. |
| Efeitos iniciais | Náusea, tontura, insônia, constipação, ativação; náusea tende a reduzir em semanas. |
| Mais propensos a persistir | Sudorese, disfunção sexual, PA/FC elevadas e retirada podem persistir. |
| Monitorização | PA/FC; função renal para dose; sódio em alto risco. Não requer monitorização sérica de rotina. |
Interações e pérola
Baixa inibição CYP; pequena metabolização por CYP3A4 e conjugação. Mantém interações farmacodinâmicas serotoninérgicas, hemorrágicas e pressóricas.
Duloxetina
| Decisão | Resumo clínico |
|---|---|
| Quando escolher | TDM com dor neuropática, fibromialgia ou dor musculoesquelética; TAG; depressão com sintomas somáticos dolorosos. |
| Indicações | TDM, TAG, neuropatia diabética dolorosa, fibromialgia e dor musculoesquelética crônica; algumas jurisdições incluem incontinência urinária de esforço. |
| Dose | Início 30 mg/dia por 1 semana; mínima eficaz e alvo habitual 60 mg/dia; máximo 120 mg/dia. Acima de 60 mg, benefício adicional é inconsistente e tolerabilidade piora. |
| Como introduzir | Subir para 60 mg após 1 semana; considerar 90-120 mg somente com resposta parcial e boa tolerabilidade. Cápsula gastro-resistente não deve ser triturada. |
Segurança
| Domínio | Informação prática |
|---|---|
| Contraindicações formais | IMAO/linezolida/azul de metileno IV; glaucoma de ângulo fechado não controlado; hipersensibilidade. Contraindicações regulatórias adicionais variam. |
| Evitar/cautela relativa | Doença hepática, consumo substancial de álcool, TFG <30 mL/min, hipertensão não controlada, retenção urinária, epilepsia, bipolaridade, hiponatremia e sangramento. |
| Efeitos iniciais | Náusea, boca seca, constipação, tontura, insônia/sonolência, redução do apetite; náusea frequentemente melhora em 1-2 semanas. |
| Mais propensos a persistir | Sudorese, disfunção sexual, constipação e possível aumento de PA/FC; retirada é moderada. |
| Monitorização | PA/FC basal e periódica; função renal/hepática se comorbidade. TGO/TGP basal e durante se risco hepático ou sintomas; sódio em vulneráveis. |
Interações e pérola
Substrato CYP1A2/2D6 e inibidor moderado 2D6. Fluvoxamina/ciprofloxacino podem elevar níveis; eleva alguns substratos 2D6. Somação serotoninérgica e hemorrágica.
Outros antidepressivos
Bupropiona
| Decisão | Resumo clínico |
|---|---|
| Quando escolher | TDM com fadiga, hipersonia, baixa energia, disfunção sexual com serotonérgicos, preocupação com peso; cessação do tabagismo; combinação com ISRS/IRSN. |
| Indicações | TDM, transtorno afetivo sazonal e cessação do tabagismo, conforme formulação/país. |
| Dose | XL: iniciar 150 mg pela manhã e subir para 300 mg após 4-7 dias; alvo 300 mg. Máximo 450 mg/dia em algumas bulas/formulações, mas 300 mg é máximo de muitas apresentações locais. SR: 150 mg/dia e depois 150 mg 2x/dia; máximo 400 mg/dia. Nunca triturar liberação modificada. |
| Como introduzir | Aumentar gradualmente; espaçar doses SR por pelo menos 8 horas. Evitar dose noturna. Ajustar frequência em insuficiência renal/hepática. |
Segurança
| Domínio | Informação prática |
|---|---|
| Contraindicações formais | Epilepsia/convulsão atual; anorexia ou bulimia atual ou prévia; retirada abrupta de álcool, benzodiazepínico, barbitúrico ou antiepiléptico; IMAO em 14 dias; uso simultâneo de outro produto com bupropiona; hipersensibilidade. |
| Evitar/cautela relativa | Traumatismo craniano importante, tumor/infecção SNC, AVC grave, fármacos pró-convulsivantes, hipertensão não controlada, ansiedade/insônia intensa, baixo peso, bipolaridade. |
| Efeitos iniciais | Insônia, ativação, ansiedade, boca seca, náusea, cefaleia, tremor; parte atenua com horário e adaptação. |
| Mais propensos a persistir | Sudorese, tremor, insônia e elevação de PA podem persistir; disfunção sexual e ganho de peso são incomuns. |
| Monitorização | PA basal e periódica; peso; fatores de risco convulsivo e uso de álcool. Sem exames laboratoriais universais. |
Interações e pérola
Inibidor forte CYP2D6: eleva TCAs, alguns antipsicóticos e betabloqueadores; reduz ativação de tamoxifeno, codeína e tramadol. Substrato CYP2B6: carbamazepina pode reduzir níveis; clopidogrel pode elevar.
Mirtazapina
| Decisão | Resumo clínico |
|---|---|
| Quando escolher | TDM com insônia, perda de apetite/peso, náusea ou ansiedade; necessidade de menor impacto sexual; idoso frágil com baixo peso, sob monitorização. |
| Indicações | TDM; usos em insônia e náusea são off-label. |
| Dose | Início 15 mg à noite; mínima eficaz reconhecida 30 mg/dia, embora 15 mg possa ser eficaz em alguns; alvo 30-45 mg; máximo licenciado frequente 45 mg, com até 60 mg em algumas diretrizes/bulas. |
| Como introduzir | Aumentar para 30 mg após 1-2 semanas; depois 45 mg conforme resposta. A relação dose-sedação não é linear e maior dose não garante menos sedação. |
Segurança
| Domínio | Informação prática |
|---|---|
| Contraindicações formais | IMAO/linezolida/azul de metileno IV em janela proibida; hipersensibilidade. |
| Evitar/cautela relativa | Obesidade, diabetes/dislipidemia, apneia do sono, sedação diurna, neutropenia prévia, epilepsia, bipolaridade e uso de outros depressores do SNC. |
| Efeitos iniciais | Sonolência, tontura, aumento de apetite e boca seca; sonolência pode atenuar parcialmente, mas não sempre. |
| Mais propensos a persistir | Aumento do apetite e ganho de peso frequentemente persistem; sedação pode permanecer. Disfunção sexual é baixa. |
| Monitorização | Peso/IMC basal e periódico; glicemia/lipídios basal e a cada 6 meses se ganho de peso/risco. Hemograma apenas se febre, odinofagia ou sinais de infecção. |
Interações e pérola
Pouca inibição CYP; substrato CYP1A2/2D6/3A4. Somação de sedação com álcool, benzodiazepínicos e outros. Risco serotoninérgico existe, mas é menor que com ISRS.
Vortioxetina
| Decisão | Resumo clínico |
|---|---|
| Quando escolher | TDM com queixa cognitiva; preocupação sexual ou de peso; polifarmácia; histórico de retirada difícil. |
| Indicações | TDM. |
| Dose | Início 5-10 mg/dia; mínima eficaz 10 mg; alvo 10-20 mg; máximo 20 mg/dia. Idosos ou muito sensíveis podem iniciar 5 mg. |
| Como introduzir | Subir de 5 para 10 mg após cerca de 1 semana; 20 mg após 1-2 semanas ou mais. Com alimento pode ajudar a náusea. |
Segurança
| Domínio | Informação prática |
|---|---|
| Contraindicações formais | IMAO/linezolida/azul de metileno IV; hipersensibilidade. |
| Evitar/cautela relativa | Bipolaridade, epilepsia, hiponatremia, sangramento, glaucoma; uso de forte inibidor/indutor CYP2D6. |
| Efeitos iniciais | Náusea, cefaleia, tontura e sonhos vívidos; náusea é dose-dependente e tende a reduzir nas primeiras semanas. |
| Mais propensos a persistir | Náusea pode persistir em minoria; disfunção sexual é menor que em ISRS, mas aumenta em 20 mg e pode persistir se ocorrer. |
| Monitorização | Clínico; sódio em alto risco. Sem exames de rotina. |
Interações e pérola
Substrato principalmente CYP2D6, sem inibição clinicamente relevante. Reduzir dose pela metade com inibidor forte 2D6 (ex.: bupropiona, fluoxetina, paroxetina); indutores fortes podem exigir ajuste.
Agomelatina
| Decisão | Resumo clínico |
|---|---|
| Quando escolher | TDM com desorganização circadiana/insônia, preocupação sexual, peso ou retirada; quando o paciente consegue aderir aos exames. |
| Indicações | Episódio depressivo maior em adultos em países onde aprovada. |
| Dose | 25 mg ao deitar; se resposta insuficiente após 2 semanas, 50 mg ao deitar; máximo 50 mg/dia. Não requer desmame por síndrome de retirada. |
| Como introduzir | Reavaliar benefício e TGO/TGP antes de subir. Tomada noturna. |
Segurança
| Domínio | Informação prática |
|---|---|
| Contraindicações formais | Doença hepática/cirrose, transaminases >3 vezes o limite superior, uso de potente inibidor CYP1A2 (fluvoxamina, ciprofloxacino) e hipersensibilidade. |
| Evitar/cautela relativa | Obesidade/esteatose, diabetes, consumo relevante de álcool, outros hepatotóxicos, idade avançada, bipolaridade. |
| Efeitos iniciais | Cefaleia, náusea, tontura, sonolência ou insônia; frequentemente leves/transitórios. |
| Mais propensos a persistir | Efeitos sexuais e metabólicos são baixos. Hepatotoxicidade pode ser assintomática e não depende de sintomas iniciais. |
| Monitorização | TGO/TGP antes; por volta de 3, 6, 12 e 24 semanas; repetir cronograma após aumento; repetir em 48 h se elevação; suspender se >3x LSN ou sintomas de lesão hepática. |
Interações e pérola
Substrato CYP1A2. Fluvoxamina/ciprofloxacino são proibidos; tabagismo pode reduzir exposição. Cautela com outros hepatotóxicos e álcool.
Trazodona
| Decisão | Resumo clínico |
|---|---|
| Quando escolher | TDM com insônia quando se pretende atingir dose antidepressiva; adjuvante para sono em casos selecionados, reconhecendo uso off-label e riscos. |
| Indicações | TDM. Insônia em 25-100 mg é uso off-label e não equivale a tratamento antidepressivo. |
| Dose | TDM: iniciar 50-100 mg/dia, frequentemente à noite/dividido; mínima eficaz cerca de 150 mg/dia; alvo 150-300 mg; máximo 400 mg/dia ambulatorial e 600 mg/dia em internação em algumas bulas. Insônia: 25-100 mg à noite, off-label. |
| Como introduzir | Aumentar 50 mg a cada 3-7 dias conforme tolerância. Administrar após alimento; maior parte à noite. |
Segurança
| Domínio | Informação prática |
|---|---|
| Contraindicações formais | IMAO/linezolida/azul de metileno IV em janela proibida; hipersensibilidade. |
| Evitar/cautela relativa | Hipotensão, síncope/quedas, arritmia/QT, cardiopatia, uso de outros sedativos, doença hepática, glaucoma, bipolaridade e histórico de priapismo. |
| Efeitos iniciais | Sedação, tontura, hipotensão ortostática, náusea, boca seca; pode haver tolerância parcial à sedação/ortostase. |
| Mais propensos a persistir | Sedação, ortostase, boca seca e constipação podem persistir. Priapismo é raro, imprevisível e emergencial. |
| Monitorização | PA/ortostase; ECG se risco; função hepática se doença. Orientar ereção >4 h como emergência. |
Interações e pérola
Substrato CYP3A4: inibidores fortes elevam e indutores reduzem níveis. Somação de sedação, QT, hipotensão, sangramento e serotonina.
Vilazodona
| Decisão | Resumo clínico |
|---|---|
| Quando escolher | TDM quando se deseja opção serotoninérgica com possível menor impacto sexual, desde que GI e adesão com alimento sejam aceitáveis. |
| Indicações | TDM. |
| Dose | 10 mg/dia com alimento por 7 dias; 20 mg/dia por pelo menos 7 dias; alvo 20-40 mg; máximo 40 mg/dia. |
| Como introduzir | Seguir 10 -> 20 -> 40 mg. Sem alimento, a exposição cai de forma clinicamente relevante. |
Segurança
| Domínio | Informação prática |
|---|---|
| Contraindicações formais | IMAO/linezolida/azul de metileno IV; hipersensibilidade. |
| Evitar/cautela relativa | Diarreia/doença GI, bipolaridade, epilepsia, hiponatremia, sangramento e uso de moduladores CYP3A4. |
| Efeitos iniciais | Diarreia, náusea, vômito, insônia e cefaleia; GI costuma reduzir com o tempo e titulação. |
| Mais propensos a persistir | Diarreia pode persistir; disfunção sexual tende a ser menor que com ISRS clássicos, mas não é ausente. |
| Monitorização | Clínico; sódio em alto risco. Verificar tomada com alimento. |
Interações e pérola
Substrato CYP3A4: reduzir limite com inibidor forte e reavaliar com indutor. Interações serotoninérgicas e hemorrágicas.
Tricíclicos
Amitriptilina
| Decisão | Resumo clínico |
|---|---|
| Quando escolher | Dor neuropática, profilaxia de migrânea ou insônia com comorbidade depressiva, quando segurança cardíaca e anticolinérgica foram avaliadas. |
| Indicações | TDM; usos frequentes off-label em dor neuropática e prevenção de migrânea. |
| Dose | TDM: iniciar 10-25 mg à noite; mínima eficaz aproximada 75-100 mg; alvo 75-150 mg; máximo 300 mg/dia em contextos selecionados. Dor/migrânea: 10-75 mg à noite, doses não necessariamente antidepressivas. |
| Como introduzir | Aumentar 10-25 mg a cada 3-7 dias; mais lentamente em idosos. Dividir dose alta se necessário, mantendo maior fração à noite. |
Segurança
| Domínio | Informação prática |
|---|---|
| Contraindicações formais | IMAO em janela proibida; fase aguda de recuperação pós-infarto; hipersensibilidade. Bulas podem incluir outras condições cardíacas graves. |
| Evitar/cautela relativa | Bloqueio de condução/QT, cardiopatia, glaucoma de ângulo fechado, retenção urinária/HBP, íleo/constipação, demência/delirium, quedas, epilepsia, alto risco suicida/overdose. |
| Efeitos iniciais | Sedação, boca seca, visão borrada, constipação, ortostase e taquicardia; sedação/ortostase podem tolerizar parcialmente. |
| Mais propensos a persistir | Efeitos anticolinérgicos, ganho de peso e disfunção sexual tendem a persistir; alterações de condução são dose/concentração dependentes. |
| Monitorização | ECG basal em >40 anos ou qualquer risco cardíaco e após titulação; PA/ortostase, peso. Considerar nível sérico em não resposta, toxicidade, idoso ou interação. |
Interações e pérola
CYP2D6/2C19; níveis aumentam com fluoxetina, paroxetina, bupropiona e fluvoxamina. Somação anticolinérgica, sedativa, hipotensora, pró-convulsivante e de QT.
Nortriptilina
| Decisão | Resumo clínico |
|---|---|
| Quando escolher | Depressão resistente quando TCA é apropriado; dor neuropática em paciente que não tolera amitriptilina; idoso selecionado com ECG/nível. |
| Indicações | TDM; uso off-label em dor neuropática. |
| Dose | Iniciar 10-25 mg à noite; alvo 75-150 mg/dia; máximo 150 mg/dia na maioria das bulas. Janela plasmática terapêutica usual: 50-150 ng/mL. |
| Como introduzir | Aumentar 25 mg a cada 3-7 dias; medir nível em estado de equilíbrio após dose estável quando clinicamente indicado. |
Segurança
| Domínio | Informação prática |
|---|---|
| Contraindicações formais | IMAO; recuperação aguda pós-infarto; hipersensibilidade. |
| Evitar/cautela relativa | Condução/QT, cardiopatia, glaucoma, retenção urinária, constipação, quedas, epilepsia, bipolaridade e risco de overdose. |
| Efeitos iniciais | Boca seca, constipação, sedação leve, tremor, ortostase e taquicardia; parte melhora. |
| Mais propensos a persistir | Anticolinérgicos, ganho de peso, sudorese e disfunção sexual podem persistir. |
| Monitorização | ECG conforme risco; PA/ortostase; nível sérico em idosos, não resposta, efeitos inesperados, doses altas, aderência/interações. |
Interações e pérola
Substrato CYP2D6 sensível: inibidores fortes elevam níveis. Somação anticolinérgica, sedativa e de QT.
Imipramina
| Decisão | Resumo clínico |
|---|---|
| Quando escolher | Pânico resistente a opções mais seguras; depressão resistente; enurese em contexto específico (dose pediátrica fora deste manual). |
| Indicações | TDM; pânico e enurese têm uso/evidência conforme jurisdição. |
| Dose | Iniciar 25 mg à noite; mínima eficaz aproximada 75-100 mg; alvo 75-200 mg; máximo 300 mg/dia em ambiente selecionado. |
| Como introduzir | Aumentar 25 mg a cada 3-7 dias; começar muito baixo em pânico. Dose dividida se necessário. |
Segurança
| Domínio | Informação prática |
|---|---|
| Contraindicações formais | IMAO; fase aguda pós-infarto; hipersensibilidade. |
| Evitar/cautela relativa | Cardiopatia/QT/condução, glaucoma, retenção urinária, constipação, quedas, epilepsia, bipolaridade e risco de overdose. |
| Efeitos iniciais | Sedação, boca seca, constipação, visão borrada, ortostase e taquicardia; ativação pode ocorrer. |
| Mais propensos a persistir | Anticolinérgicos, ganho de peso e disfunção sexual; cardiotoxicidade permanece relevante. |
| Monitorização | ECG/PA/ortostase; nível sérico de imipramina + desipramina em casos selecionados; peso. |
Interações e pérola
CYP2D6/2C19; forte elevação com inibidores 2D6/2C19. Somação anticolinérgica, sedativa, de QT e serotonérgica.
Clomipramina
| Decisão | Resumo clínico |
|---|---|
| Quando escolher | TOC após ensaios adequados de ISRS e TCC com exposição/resposta; depressão resistente selecionada. |
| Indicações | TOC; TDM em vários países. |
| Dose | Iniciar 25 mg/dia; alvo 100-250 mg; máximo 250 mg/dia. Dose mínima antidepressiva geral 75-100 mg; TOC frequentemente requer 150-250 mg. |
| Como introduzir | Aumentar 25 mg a cada 4-7 dias; após titulação, pode concentrar à noite. A resposta no TOC pode exigir 10-12 semanas. |
Segurança
| Domínio | Informação prática |
|---|---|
| Contraindicações formais | IMAO; recuperação aguda pós-infarto; hipersensibilidade a tricíclicos. |
| Evitar/cautela relativa | Epilepsia, QT/condução, cardiopatia, glaucoma, retenção urinária, constipação, bipolaridade, alto risco de overdose e combinações serotoninérgicas. |
| Efeitos iniciais | Náusea, sedação, tremor, sudorese, boca seca, constipação, ortostase; parte toleriza. |
| Mais propensos a persistir | Disfunção sexual, sudorese, anticolinérgicos e ganho de peso frequentemente persistem; risco convulsivo aumenta com dose/nível. |
| Monitorização | ECG; PA/ortostase; níveis de clomipramina + desmetilclomipramina em doses altas, interação, idoso ou efeitos. Avaliar convulsões. |
Interações e pérola
CYP2D6/2C19/3A4 e forte carga serotoninérgica. ISRS podem elevar níveis e síndrome serotoninérgica; combinações exigem expertise e monitorização.
Doxepina
| Decisão | Resumo clínico |
|---|---|
| Quando escolher | TDM com insônia quando TCA é justificável; insônia de manutenção em formulação de baixa dose, separando objetivos. |
| Indicações | TDM; insônia em formulação/dose baixa em alguns países. No Brasil, nenhuma das duas apresentações tem registro industrializado ativo na ANVISA: o uso depende de preparação magistral, com as limitações de padronização e rastreabilidade que isso implica. |
| Dose | TDM: iniciar 25-50 mg à noite; mínima eficaz aproximada 75-100 mg; alvo 75-300 mg; máximo 300 mg/dia. Insônia: 3-6 mg à noite, não antidepressivo. |
| Como introduzir | Aumentar 25-50 mg a cada 3-7 dias para TDM. Evitar extrapolar segurança da dose de 3-6 mg para dose antidepressiva. |
Segurança
| Domínio | Informação prática |
|---|---|
| Contraindicações formais | IMAO; glaucoma não tratado/retenção urinária grave em algumas bulas; recuperação aguda pós-infarto; hipersensibilidade. |
| Evitar/cautela relativa | Obesidade, apneia do sono, anticolinérgicos, cardiopatia/QT, quedas, epilepsia e overdose. |
| Efeitos iniciais | Sedação intensa, boca seca, constipação, ortostase e taquicardia. |
| Mais propensos a persistir | Sedação, anticolinérgicos e ganho de peso podem persistir; risco de condução em dose antidepressiva. |
| Monitorização | ECG/ortostase/peso em dose antidepressiva; sem monitorização semelhante em baixa dose, salvo risco clínico. |
Interações e pérola
CYP2D6/1A2/3A4; somação sedativa, anticolinérgica e de QT.
IMAO
Tranilcipromina
| Decisão | Resumo clínico |
|---|---|
| Quando escolher | Depressão resistente após estratégias mais seguras; depressão atípica; resposta prévia marcante a IMAO. |
| Indicações | TDM resistente em diversas bulas/diretrizes. |
| Dose | Iniciar 10 mg pela manhã + 10 mg ao meio-dia; alvo 30-60 mg/dia; máximo licenciado comum 60 mg/dia. Evitar dose tardia. |
| Como introduzir | Aumentar 10 mg a cada 1-3 semanas conforme PA/efeitos. Respeitar washout de 5 meias-vidas do antidepressivo anterior; 5 semanas após fluoxetina. |
Segurança
| Domínio | Informação prática |
|---|---|
| Contraindicações formais | Qualquer serotonérgico/releasor proibido; simpaticomiméticos; meperidina, tramadol, dextrometorfano e diversos opioides; outros IMAO; feocromocitoma; alimento com alta tiramina. Lista exata deve ser conferida em fonte de interação atualizada. |
| Evitar/cautela relativa | Doença cardiovascular/cerebrovascular, hipertensão, hepatopatia, epilepsia, baixo peso, insônia, incapacidade de aderir à dieta/alerta médico e risco de overdose. |
| Efeitos iniciais | Ortostase, insônia, agitação, cefaleia, boca seca; ortostase pode atenuar parcialmente. |
| Mais propensos a persistir | Insônia, disfunção sexual, edema e ganho/perda de peso variáveis; restrições permanecem durante uso e 14 dias após. |
| Monitorização | PA sentada/em pé; peso; função hepática conforme risco; revisar medicamentos prescritos, OTC, fitoterápicos e alimentos em cada visita. |
Interações e pérola
Risco de síndrome serotoninérgica ou crise hipertensiva. Evitar descongestionantes, estimulantes e anestésicos/analgésicos incompatíveis; portar cartão de alerta.
Antidepressivos de ação rápida
Escetamina intranasal
| Decisão | Resumo clínico |
|---|---|
| Quando escolher | Depressão resistente ou episódio com necessidade de resposta rápida, conforme indicação regulatória, após avaliação de risco e acesso a monitorização. |
| Indicações | TDM resistente em associação a antidepressivo oral; algumas bulas incluem sintomas depressivos com ideação/comportamento suicida agudo, sem prova de prevenir suicídio. |
| Dose | Indução usual 56 mg na primeira sessão, depois 56 ou 84 mg duas vezes/semana por 4 semanas; manutenção semanal e depois a cada 1-2 semanas, individualizada pela bula. |
| Como introduzir | Administração supervisionada. Não dirigir até o dia seguinte após sono reparador. Jejum e restrição de líquidos conforme protocolo do produto. |
Segurança
| Domínio | Informação prática |
|---|---|
| Contraindicações formais | Doença vascular aneurismática, malformação arteriovenosa ou história de hemorragia intracerebral em várias bulas; hipersensibilidade a cetamina/escetamina. |
| Evitar/cautela relativa | Hipertensão não controlada, psicose, transtorno por uso de substâncias, gravidez, doença cardiovascular/respiratória, aumento de pressão intracraniana e risco de sedação. |
| Efeitos iniciais | Dissociação, tontura, náusea, sedação, vertigem e elevação transitória de PA; costumam resolver no período de observação. |
| Mais propensos a persistir | Efeitos agudos não costumam persistir; uso repetido exige vigilância de sintomas urinários, cognição e uso indevido. |
| Monitorização | PA antes e após, nível de consciência e dissociação por pelo menos 2 h; oximetria conforme protocolo. Urina se sintomas/uso prolongado; rastrear uso de substâncias. |
Interações e pérola
Depressores do SNC aumentam sedação; psicoestimulantes/IMAO podem elevar PA. Álcool deve ser evitado.
Parte VI - Situações especiais
Idoso
- Começar mais baixo e subir mais devagar, sem manter indefinidamente dose subterapêutica.
- Priorizar baixa carga anticolinérgica e ortostática; paroxetina e TCAs geralmente são escolhas ruins.
- Sódio basal e após início/aumento em risco; avaliar quedas, cognição, sangramento e QT.
- Sertralina, escitalopram e mirtazapina são opções frequentes, mas a escolha depende de sódio, peso, sono e interações.
- Reavaliar função renal/hepática e todas as medicações, inclusive OTC.
Doença cardiovascular
- Sertralina tem amplo uso e evidência em doença coronariana; escitalopram pode ser apropriado com avaliação de QT.
- Evitar TCA após infarto, em bloqueio de condução ou alto risco arrítmico.
- Citalopram exige atenção especial a dose, idade, QT e eletrólitos.
- IRSN e bupropiona pedem PA/FC; controlar hipertensão antes.
- Síncope, palpitação nova ou história familiar de morte súbita justificam ECG/avaliação.
Epilepsia e risco convulsivo
| Preferência relativa | Maior cautela | Evitar / contraindicado |
|---|---|---|
| Sertralina, escitalopram, fluoxetina e mirtazapina em dose usual, individualizando. | TCA, venlafaxina, estimulantes, múltiplos pró-convulsivantes. | Bupropiona em epilepsia; clomipramina em alto risco. |
Corrigir privação de sono, álcool/abstinência, distúrbio eletrolítico e interações. Convulsão associada à bupropiona implica suspensão e não reintrodução.
Insuficiência hepática e renal
| Condição | Implicação |
|---|---|
| Hepatopatia ativa | Agomelatina é incompatível; duloxetina deve ser evitada em doença hepática relevante/álcool substancial. Usar dose menor/intervalo maior de agentes hepatometabolizados. |
| TFG <30 mL/min | Evitar duloxetina em várias bulas; reduzir desvenlafaxina e avaliar venlafaxina/bupropiona. Não presumir segurança pela ausência de exame rotineiro. |
| Diálise | Requer fonte específica e, idealmente, farmácia clínica; evidência para várias moléculas é limitada. |
Gestação e lactação
- Evitar troca automática em paciente estável apenas por teste positivo; recaída também causa risco materno-fetal.
- Sertralina é frequentemente preferida na lactação por baixa exposição infantil, quando clinicamente adequada.
- Paroxetina costuma não ser primeira escolha para iniciar na gestação, mas suspensão abrupta de paciente estável pode ser pior.
- Agomelatina, vilazodona, vortioxetina e tianeptina têm base perinatal menor que ISRS mais antigos.
- Próximo ao parto, discutir adaptação neonatal, hemorragia e hipertensão pulmonar persistente sem alarmismo e com obstetrícia/pediatria.
Depressão bipolar e características mistas
- Antidepressivo em monoterapia não é tratamento padrão da depressão bipolar I.
- Evitar/retirar em mania, estado misto, ciclagem rápida ou piora consistente com antidepressivo.
- Quando usado em bipolaridade selecionada, fazê-lo com estratégia estabilizadora e vigilância de sono, energia, impulsividade e aceleração.
- IRSN e TCA podem ter maior preocupação de virada que alguns ISRS/bupropiona, embora o risco dependa do paciente e da proteção do humor.
Troca, retirada e combinações
Escolher a estratégia de troca
| Estratégia | Quando | Risco principal |
|---|---|---|
| Direta | Alguns ISRS/IRSN em doses usuais e baixo risco de interação. | Retirada do primeiro ou efeitos do segundo. |
| Troca cruzada | Baixo risco farmacodinâmico e necessidade de continuidade. | Somação serotoninérgica/CYP; não usar com IMAO. |
| Reduzir e iniciar | História de sensibilidade, dose alta, incerteza. | Intervalo de subtratamento menor. |
| Washout | IMAO, fluoxetina, interação grave, reação adversa. | Recorrência durante intervalo; requer plano. |
Risco de síndrome de retirada
| Risco | Moléculas | Implicação |
|---|---|---|
| Alto | Paroxetina, venlafaxina. | Redução lenta; formulações menores; evitar dias alternados. |
| Intermediário | Citalopram, escitalopram, sertralina, fluvoxamina, duloxetina, desvenlafaxina, vilazodona, TCA/IMAO. | Taper em semanas a meses, individual. |
| Baixo/mínimo | Fluoxetina, bupropiona, mirtazapina, vortioxetina, agomelatina. | Ainda pode ocorrer; considerar duração e experiência prévia. |
- FINISH: sintomas gripais, insônia, náusea, desequilíbrio, alterações sensoriais e hiperativação.
- Retirada começa em dias, inclui sintomas físicos incomuns na recaída e melhora rapidamente ao restaurar dose; recaída tende a surgir mais lentamente.
- Se sintomas forem intensos, voltar à última dose tolerada e reduzir em passos menores.
- Redução hiperbólica é farmacologicamente plausível, mas a evidência de ECR ainda é insuficiente; pode ser individualmente útil com formulação líquida/manipulada.
- Dias alternados geram oscilação e costumam ser ruins para fármacos de meia-vida curta.
Combinar antidepressivos
A metanálise de Henssler et al. [10] encontrou benefício médio para combinações, especialmente um inibidor de recaptação com antagonista de autorreceptor alfa-2 (mirtazapina). O resultado não justifica combinação automática: há heterogeneidade, mais carga de efeitos e pouca evidência para manutenção.
| Combinação | Possível utilidade | Riscos / observações |
|---|---|---|
| ISRS/IRSN + mirtazapina | Resposta parcial, insônia, apetite baixo. | Peso/sedação; benefício não é garantido. |
| ISRS/IRSN + bupropiona | Fadiga, sexual, resposta parcial. | PA, ansiedade, insônia, CYP2D6, convulsão. |
| ISRS + TCA | Casos especializados. | CYP/nível, QT, serotonina; evitar improviso. |
| Clomipramina + ISRS | TOC ultrarresistente em especialista. | Convulsão, QT, síndrome serotoninérgica, níveis muito elevados. |
| Qualquer serotonérgico + IMAO | Nenhuma rotina segura. | Contraindicado; potencial fatal. |
Apêndice A - Doses de consulta rápida
| Molécula | Início (mg/d) | Mínima (mg/d) | Alvo (mg/d) | Máximo/nota |
|---|---|---|---|---|
| Escitalopram | 5-10 | 10 | 10-20 | 20 |
| Citalopram | 10-20 | 20 | 20-40 | 40; 20 em grupos de risco |
| Sertralina | 25-50 | 50 | 50-200 | 200 |
| Fluoxetina | 10-20 | 20 | 20-60 | 80 bula; 60 usual |
| Paroxetina | 10-20 | 20 | 20-50 | 50-60 conforme indicação / formulação |
| Fluvoxamina | 25-50 | 50 | 100-300 | 300 |
| Venlafaxina XR | 37,5 | 75 | 75-225 | 225 XR usual |
| Desvenlafaxina | 25-50 | 50 | 50-100 | 100 prático |
| Duloxetina | 30 | 60 | 60-120 | 120 |
| Bupropiona XL | 150 | 150 | 300 | 300-450 conforme formulação |
| Mirtazapina | 15 | 30 (15 em alguns) | 30-45 | 45; 60 em algumas diretrizes |
| Vortioxetina | 5-10 | 10 | 10-20 | 20 |
| Agomelatina | 25 | 25 | 25-50 | 50 |
| Trazodona (TDM) | 50-100 | 150 | 150-300 | 400 amb.; 600 internado |
| Vilazodona | 10 | 20 | 20-40 | 40 |
| Tianeptina IR | 37,5 | 37,5 | 37,5 | 37,5; dividir em 3 tomadas de 12,5 mg |
| Amitriptilina | 10-25 | 75-100 | 75-150 | 300 |
| Nortriptilina | 10-25 | 75 | 75-150 | 150 |
| Imipramina | 25 | 75-100 | 75-200 | 300 |
| Clomipramina | 25 | 75-100 | 100-250 | 250 |
| Doxepina (TDM) | 25-50 | 75-100 | 75-300 | 300 |
| Tranilcipromina | 20 | 20-30 | 30-60 | 60 |
Faixas: CANMAT [1], Maudsley [2] e monografias regulatórias [13,14].
Disponibilidade: esta revisão foi limitada a antidepressivos com apresentação comercial no Brasil. Moléculas sem registro nacional ativo não constam do manual, ainda que apareçam em diretrizes internacionais.
TCA: para amitriptilina, imipramina e doxepina, 300 mg/dia é limite de exceção em contexto selecionado e monitorizado; a faixa usual de bula brasileira é bem menor.
Tianeptina consta apenas neste apêndice, sem ficha própria: conferir bula e fonte de interações antes de prescrever.
Apêndice B - Alertas que exigem ação
| Alerta | Suspeita | Ação |
|---|---|---|
| Clônus + hiperreflexia + agitação / febre | Síndrome serotoninérgica. | Suspender serotonérgicos e encaminhar com urgência. |
| Euforia / aceleração + menor sono | Virada maníaca/misto. | Interromper escalada; tratar episódio e revisar bipolaridade. |
| Confusão / queda / convulsão no primeiro mês | Hiponatremia. | Sódio urgente; suspender/tratar conforme gravidade. |
| Síncope / palpitação | Arritmia / QT / ortostase. | ECG, eletrólitos, PA e revisão medicamentosa. |
| Icterícia / colúria / dor HD/fadiga nova | Hepatotoxicidade. | Suspender suspeito e avaliar fígado. |
| Ereção >4 h | Priapismo por trazodona / outros. | Emergência urológica imediata. |
| Convulsão com bupropiona | Efeito adverso grave. | Suspender e não reintroduzir. |
| Dor torácica / cefaleia súbita após IMAO | Crise hipertensiva. | Emergência; revisar tiramina/simpaticomimético. |
| Melena / hematêmese / neurológico focal | Sangramento. | Emergência; revisar ISRS/IRSN + anticoagulante/AINE. |
| Ideação suicida nova com ativação / acatisia | Risco agudo. | Reavaliar imediatamente, reduzir/suspender causador e criar plano de segurança. |
Parte VII - Referências e método
Referências nucleares
- Lam RW, Kennedy SH, Adams C, et al. CANMAT 2023 Update on Clinical Guidelines for Management of Major Depressive Disorder in Adults. Can J Psychiatry. 2024;69:641-687. doi:10.1177/07067437241245384.
- Taylor DM, Barnes TRE, Young AH. The Maudsley Prescribing Guidelines in Psychiatry. 15th ed. Wiley-Blackwell; 2025.
- Cipriani A, Furukawa TA, Salanti G, et al. Comparative efficacy and acceptability of 21 antidepressant drugs for acute treatment of adults with major depressive disorder: network meta-analysis. Lancet. 2018;391:1357-1366. doi:10.1016/S0140-6736(17)32802-7.
- Pillinger T, Howes OD, Correll CU, et al. Antidepressant and antipsychotic side-effects and personalised prescribing: systematic review and digital tool development. Lancet Psychiatry. 2023;10:860-876. doi:10.1016/S2215-0366(23)00262-6.
- Pillinger T, Arumuham A, McCutcheon RA, et al. The effects of antidepressants on cardiometabolic and other physiological parameters: systematic review and network meta-analysis. Lancet. 2025;406:2063-2077. doi:10.1016/S0140-6736(25)01293-0.
- National Institute for Health and Care Excellence. Depression in adults: treatment and management (NG222). 2022; surveillance review January 2026: recommendations not updated.
- Goldberg JF, Ernst CL. Managing the Side Effects of Psychotropic Medications. 2nd ed. American Psychiatric Association Publishing; 2019.
- Bousman CA, Stevenson JM, Ramsey LB, et al. CPIC Guideline for serotonin reuptake inhibitor antidepressants and CYP2D6, CYP2C19, CYP2B6 and SLC6A4/HTR2A. Clin Pharmacol Ther. 2023;114:51-68. doi:10.1002/cpt.2903.
- Hicks JK, Sangkuhl K, Swen JJ, et al. CPIC guideline for CYP2D6 and CYP2C19 genotypes and dosing of tricyclic antidepressants: 2016 update. Clin Pharmacol Ther. 2017.
- Henssler J, Alexander D, Schwarzer G, Bschor T, Baethge C. Combining antidepressants vs antidepressant monotherapy for acute depression: systematic review and meta-analysis. JAMA Psychiatry. 2022;79:300-312. doi:10.1001/jamapsychiatry.2021.4313.
- Lewis G, Marston L, Duffy L, et al. Maintenance or discontinuation of antidepressants in primary care. N Engl J Med. 2021;385:1257-1267. doi:10.1056/NEJMoa2106356.
- Taylor MJ, Rudkin L, Bullemor-Day P, Lubin J, Chukwujekwu C, Hawton K. Strategies for managing sexual dysfunction induced by antidepressant medication. Cochrane Database Syst Rev. 2013;(5):CD003382. doi:10.1002/14651858.CD003382.pub3.
- DailyMed. Current US prescribing information for escitalopram, fluoxetine, bupropion, duloxetine, venlafaxine, trazodone and other individual products. Accessed July 26, 2026.
- Therapeutic Goods Administration (Australia). Agomelatine/Valdoxan: product information and Australian Public Assessment Report; contraindications and liver monitoring. Accessed July 26, 2026.
- Brasil. Associação Brasileira de Psiquiatria. Tratado de Psiquiatria. 2022.
- Universidade de São Paulo. Clínica Psiquiátrica. 2a ed. 2021; volume 3 e material correlato fornecido.
- Quevedo J, et al. Neurobiologia dos Transtornos Psiquiátricos. Material fornecido.
- Psicofarmacologia Clínica: Bases Neurocientíficas e Aplicações Práticas. Material fornecido.
- Psicofarmacologia Prática. Material fornecido.
- Keks N, Hope J, Keogh S. Switching and stopping antidepressants. Aust Prescr. 2016;39:76-83.
Método editorial
- Autoria e responsabilidade editorial: Cecília Franco, Ricardo Kadi e Tomaz Eugenio.
- Prioridade: diretrizes baseadas em revisão sistemática, metanálises em rede, ECRs, documentos regulatórios e farmacologia clínica reconhecida.
- Tabelas e sínteses são autorais; não foram copiadas figuras ou tabelas protegidas.
- Contraindicações formais foram separadas de situações de cautela relativa.
- Doses divergentes foram apresentadas com o contexto (usual, bula, formulação ou diretriz).
- Condutas com baixa certeza foram rotuladas como off-label, consenso ou evidência limitada.
- A busca complementar foi atualizada até 26 de julho de 2026. A vigilância NICE de janeiro de 2026 não modificou as recomendações do NG222.
Limitações
- Disponibilidade comercial, nomes de marca e textos de bula variam e podem mudar; confirmar ANVISA e bula do produto prescrito.
- A maior parte da evidência de eficácia aguda dura 6-12 semanas; efeitos de manutenção podem diferir.
- Comparações de efeitos adversos combinam ECRs, coortes, bulas e consenso; ausência de sinal não prova ausência de risco.
- Gestação, lactação, infância/adolescência, diálise, farmacogenética complexa e IMAO exigem consulta a fonte específica atualizada.
- Este manual não substitui avaliação individual, base de interações em tempo real ou monitorização clínica.