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Manual Clínico dos Antidepressivos

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Manual Clínico dos Antidepressivos
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Sumário

Manual completo

Manual Clínico dos Antidepressivos

Seleção da molécula · dose e titulação · contraindicações · efeitos adversos · monitorização · interações

Cecília Franco, Ricardo Kadi, Tomaz Eugenio · ~51 min de leitura

Como usar este manual

Este documento diferencia quatro conceitos que frequentemente são misturados na prática: dose inicial, dose mínima eficaz, faixa-alvo e dose máxima. A dose inicial é de tolerabilidade; a mínima eficaz é a menor com suporte de eficácia populacional; a faixa-alvo é onde a maioria dos ensaios terapêuticos ocorre; e a máxima é um limite regulatório ou de diretriz, não uma meta.

Regra de segurança: Quando a bula brasileira, a formulação comercial ou a condição clínica impuser limite inferior ao apresentado, prevalece o limite mais conservador. Doses acima de bula exigem justificativa, consentimento e monitorização proporcionais.

Hierarquia da evidência usada

MarcaInterpretação no manualExemplos
AAlta/moderada: diretriz baseada em revisão sistemática, metanálise ou múltiplos ECRs.Eficácia comparativa; dose terapêutica; risco cardiometabólico.
BEvidência direta limitada ou documento regulatório.Contraindicações formais; ajuste renal/hepático; algumas estratégias de efeito adverso.
CConsenso, farmacologia clínica, série de casos ou extrapolação.Troca de horário, titulação ultralenta, buspirona para bruxismo.

As fichas não repetem uma letra em cada frase para preservar a velocidade de consulta. Condutas de menor certeza são nomeadas como 'evidência limitada', 'off-label' ou 'consenso'.

Navegação

  • Parte I - decisão antes da receita e monitorização.
  • Parte II - escolha da molécula por fenótipo, comorbidade e efeito a evitar.
  • Parte III - efeitos adversos: o que tende a melhorar, o que tende a persistir e como manejar.
  • Parte IV - interações medicamentosas de maior relevância.
  • Parte V - fichas individuais por classe e molécula.
  • Parte VI - populações especiais; em seguida, capítulo próprio de troca, retirada e combinações.
  • Parte VII - referências, método e limitações.

Parte I - Antes de prescrever

Os 10 pontos que mais evitam erro

  1. Confirmar a síndrome-alvo e o prejuízo funcional; não tratar apenas um escore.
  2. Rastrear história pessoal/familiar de mania ou hipomania, estados mistos e ciclagem por antidepressivo.
  3. Avaliar risco de suicídio e toxicidade em overdose; limitar quantidade quando necessário.
  4. Rever álcool, cannabis, estimulantes, opioides, fitoterápicos e automedicação para dor/resfriado.
  5. Listar todos os fármacos e checar serotonina, sangramento, QT, pressão arterial e CYP.
  6. Documentar peso/IMC, pressão, sono, função sexual, sintomas GI e queixa cognitiva antes do início.
  7. Solicitar exames apenas quando o risco os torna úteis; evitar 'painel universal' sem hipótese.
  8. Escolher a molécula junto com o paciente pelo efeito que mais importa evitar e pela comorbidade que se deseja tratar.
  9. Prescrever início/titulação e plano para efeitos iniciais, não apenas a dose final.
  10. Marcar reavaliação em até 2 semanas para tolerabilidade/risco e em 2-4 semanas para melhora mensurável.

Checklist clínico basal

DomínioPerguntas / medidas essenciaisComo muda a escolha
DiagnósticoBipolaridade, psicose, luto, substâncias, TDAH, TEPT, TOC, dor, causas médicas.Antidepressivo pode ser inadequado, insuficiente ou precisar de proteção do humor.
RiscoSuicídio, automutilação, impulsividade, acesso a medicamentos, convulsão.Evitar TCA/IMAO em overdose; evitar bupropiona em risco convulsivo.
SomáticoPA/FC, peso/IMC, sono, dor, GI, função urinária, sexual, quedas.Direciona IRSN, mirtazapina, TCA ou alternativas com menor carga específica.
CardíacoSíncope, arritmia, cardiopatia, QT longo familiar, bradicardia.ECG; evitar citalopram/TCA e combinações de QT quando risco elevado.
MetabólicoObesidade, diabetes, dislipidemia, esteatose.Evitar mirtazapina/paroxetina/TCA se alternativas equivalentes.
HepatorrenalCirrose/hepatite, álcool, TFG, diálise.Evitar agomelatina/hepatotóxicos; ajustar duloxetina/desvenlafaxina.
ReprodutivoGestação, lactação, planejamento, contracepção.Discussão risco-benefício e fonte perinatal atualizada; não interromper abruptamente.
PreferênciaEfeitos inaceitáveis, resposta familiar/pessoal, custo e formulação.Frequentemente decide entre opções de eficácia média semelhante.

Base: CANMAT [1], Maudsley [2], NICE [6] e Pillinger et al. [4,5].

Exames e medidas: matriz prática

Situação / fármacoAntesDuranteGatilho para agir
Adulto saudável + ISRS/IRSN comumNenhum exame obrigatório; PA/peso/sexual clínicos.Sem laboratório rotineiro.Sintoma ou novo fator de risco.
≥60 anos, diurético, baixo peso ou hiponatremia préviaSódio.Sódio em 1-2 semanas e após aumento; repetir em 4 semanas conforme risco.Sintomas ou queda relevante: investigar SIADH e suspender conforme gravidade.
Citalopram / escitalopram ou combinação de QT com riscoECG, K, Mg.ECG após estabilizar / aumentar.QTc >500 ms ou aumento >60 ms: corrigir causas e retirar agente implicado.
TCAECG se >40 anos ou risco; PA ortostática.ECG após dose/nível relevante; nível plasmático seletivo.QRS/QTc, síncope, arritmia, delirium ou nível alto.
IRSN / bupropionaPA e FC.Após aumentos e periodicamente.Elevação sustentada: reduzir, tratar ou trocar.
AgomelatinaTGO/TGP.Semanas 3, 6, 12 e 24; reiniciar cronograma após aumento.>3x o limite superior da normalidade (LSN) ou sintomas hepáticos: suspender e acompanhar.
Duloxetina com risco hepáticoTGO/TGP; álcool / hepatopatia.Se sintomas ou conforme risco/bula.Icterícia, colúria, dor em hipocôndrio direito (HD), fadiga nova ou enzimas significativas.
Mirtazapina / TCA com risco de pesoPeso/IMC; glicemia / lipídios se risco.Peso; glicemia/lipídios cerca de 6/6 meses se ganho/risco.Ganho clinicamente relevante ou piora metabólica.
Queixa sexualASEX/CSFQ ou história estruturada.Perguntar ativamente em 2-4 semanas.Impacto em adesão/qualidade de vida: manejar, não esperar relato espontâneo.
Não pedir automaticamente: TSH, vitamina B12, ferritina, hemograma, função renal/hepática e gravidez devem ser guiados por história, exame, população e diagnóstico diferencial - não pelo simples fato de iniciar um ISRS.

Parte II - Escolha da molécula

As diferenças médias de eficácia entre antidepressivos são menores que as diferenças de tolerabilidade, interações e adequação ao fenótipo. Em CANMAT, os fármacos de primeira linha incluem ISRS, IRSN, bupropiona, mirtazapina, vortioxetina, vilazodona e agomelatina; TCA e trazodona antidepressiva ficam atrás por segurança/tolerabilidade. A escolha deve começar pelo risco que não pode ser aceito.

Tabela-mestra de escolha

CenárioOpções que costumam favorecerEvitar ou usar com cautelaRacional
Ansiedade / pânico muito sensívelEscitalopram, sertralina; iniciar meia dose.Fluoxetina/bupropiona rápidas; IRSN em dose inicial alta.Ativação inicial compromete adesão.
TOCSertralina, fluoxetina, fluvoxamina, paroxetina; clomipramina depois.Bupropiona isolada.Necessita dose alta e 10-12 semanas.
Dor neuropática / fibromialgiaDuloxetina; amitriptilina/nortriptilina.ISRS como analgésico principal.Duplo alvo evita polifarmácia.
Hipersonia / fadiga / baixa energiaBupropiona, fluoxetina; vortioxetina.Mirtazapina, trazodona, TCA sedativo.Perfil ativador e menor H1.
Insônia + perda de apetiteMirtazapina; trazodona apenas se dose/objetivo claros.Bupropiona tardia; fluoxetina ativadora.Sedação/orexia podem ser úteis.
Disfunção sexual préviaBupropiona, vortioxetina, agomelatina, mirtazapina.Paroxetina, clomipramina; ISRS/IRSN.Menor carga serotoninérgica sexual.
Obesidade / ganho de peso temidoBupropiona; vortioxetina; fluoxetina no curto prazo.Mirtazapina, paroxetina, amitriptilina.Diferenças metabólicas são clinicamente relevantes.
PolifarmáciaEscitalopram, sertralina, desvenlafaxina, mirtazapina.Fluvoxamina; fluoxetina/paroxetina/bupropiona se substratos 2D6.Menor inibição CYP.
TamoxifenoEscitalopram, citalopram, sertralina, venlafaxina/desvenlafaxina.Paroxetina, fluoxetina e bupropiona.CYP2D6 converte tamoxifeno em endoxifeno.
Cardiopatia isquêmicaSertralina; escitalopram em cenário apropriado.TCA; citalopram se QT; venlafaxina se PA.Histórico de segurança e menor condução.
Hipertensão / taquicardiaISRS, mirtazapina, vortioxetina.Venlafaxina, duloxetina, bupropiona.Carga noradrenérgica eleva PA/FC.
Baixa adesão / retirada difícilFluoxetina, vortioxetina, bupropiona, mirtazapina, agomelatina.Paroxetina, venlafaxina.Meia-vida e síndrome de retirada.
Doença hepática / álcool relevanteEscolher agente/ajuste conforme caso; sertralina em baixa dose pode ser considerada.Agomelatina; duloxetina.Hepatotoxicidade / metabolismo.
TFG <30 mL/minAgentes com ajuste individual e apoio farmacêutico.Duloxetina; desvenlafaxina sem ajuste.Acúmulo renal.
Alto risco de overdoseISRS, mirtazapina, vortioxetina em quantidade controlada.TCA e IMAO.Toxicidade cardíaca / neurológica.

Base comparativa: Cipriani et al. [3], CANMAT [1], Pillinger et al. [4,5] e Maudsley [2].

Eficácia e aceitabilidade: como interpretar

  • Todos os antidepressivos incluídos na metanálise de rede de 2018 foram superiores ao placebo em TDM agudo; isso não significa equivalência individual.
  • Amitriptilina aparece com alta eficácia média, porém aceitabilidade e segurança reduzem seu valor como primeira linha.
  • Escitalopram, sertralina, mirtazapina, venlafaxina, vortioxetina e agomelatina figuram entre fármacos com sinais favoráveis em algumas comparações; diferenças absolutas são modestas.
  • Mirtazapina pode parecer mais eficaz em escalas totais por melhorar sono e apetite; não presumir superioridade uniforme em humor deprimido ou suicidabilidade.
  • A escolha baseada apenas em ranking ignora overdose, retirada, comorbidades, interações, custo e preferência.

Dose, duração e decisão de próximo passo

MomentoPerguntaConduta
Semana 0Diagnóstico, risco, preferência, baseline e interações estão claros?Escolher e prescrever titulação + plano de efeitos iniciais.
Até 2 semanasTolerabilidade, ativação, suicidabilidade, adesão e dose?Reduzir ritmo, manejar efeito ou interromper se grave.
2-4 semanasHá ≥20% de melhora ou qualquer sinal discernível?Se nenhum: otimizar dose ou trocar; se parcial: continuar/otimizar.
6-8 semanasHouve ensaio em dose terapêutica pelo tempo correto?Remissão: manter; parcial: otimizar/adjuntar; zero: trocar.
TOC/pânico/TEPTO transtorno exige latência/dose maior?TOC pode exigir 10-12 semanas; ansiedade precisa titulação mais lenta.
Após remissãoQual risco de recorrência?Manter 6-12 meses; 2 anos ou mais se recorrência/alto risco.

Parte III - Efeitos adversos e manejo

Curso temporal: o que costuma melhorar e o que costuma continuar

Limite da previsão: A trajetória é probabilística. Insônia, náusea e ativação são tipicamente agudas e tendem a diminuir; disfunção sexual, sudorese, ganho de peso e efeitos anticolinérgicos são mais propensos a permanecer. Não prometer adaptação.
EfeitoInício típicoCurso durante manutençãoConduta de primeira linha
Náusea / diarreiaDias 1-7; ISRS/IRSN/vilazodona/vortioxetina.Muitas vezes reduz em 1-2 semanas; diarreia da sertralina pode persistir.Com alimento, dose menor, titulação lenta; trocar se desidratação/perda de peso ou persistência.
Ativação / ansiedade / acatisiaPrimeiros dias ou após aumento.Frequentemente atenua; acatisia intensa não deve ser apenas observada.Reduzir dose/ritmo, mudar horário; avaliar mania, uso de estimulante e suicidabilidade.
Cefaleia / tonturaPrimeira semana.Costumam atenuar; tontura também pode ser hiponatremia/ortostase.Hidratação, horário, descartar causa; medir sódio/PA se risco.
InsôniaInício ou dose alta.Pode atenuar ou persistir, sobretudo fluoxetina/bupropiona/IMAO.Manhã, higiene do sono, reduzir ativadores; trocar se funcionalmente relevante.
SonolênciaPrimeiras doses.Pode tolerizar parcialmente; mirtazapina/TCA/trazodona podem manter.Noite, retirar outros sedativos, investigar apneia; reduzir/trocar.
Disfunção sexualSemanas iniciais, dose-dependente.Frequentemente persiste; melhora espontânea completa é minoria.Baseline, dose mínima eficaz, switch/adjunto com evidência; não esperar indefinidamente.
SudoreseSemanas.Pode persistir enquanto o fármaco é usado.Dose/horário, excluir tireoide/menopausa/infecção; troca ou antídoto off-label selecionado.
BruxismoSemanas após início/aumento.Pode persistir.Dose/troca, avaliação odontológica; buspirona tem evidência baixa.
Ganho de pesoMais tardio, embora mirtazapina/TCA iniciem cedo.Tende a continuar; pode ser progressivo.Baseline, dieta/atividade, tratar comorbidade, reduzir/trocar; não aguardar grande ganho.
AnticolinérgicosDesde o início com TCA / paroxetina.Boca seca/constipação/retenção frequentemente persistem.Reduzir carga total, medidas sintomáticas, trocar; urgência se íleo/retenção/delirium.
PA/FC elevadasApós dose noradrenérgica.Persistem se dependentes da dose.Medir, corrigir fatores, reduzir/trocar; tratar PA quando indicado.
HiponatremiaSobretudo 1-4 semanas.Não é efeito para 'esperar passar'.Confirmar SIADH/gravidade; suspender e tratar clinicamente.

Curso temporal: Pillinger et al. [4], Goldberg & Ernst [7], CANMAT [1] e Maudsley [2].

Náusea, diarreia e desconforto gastrointestinal

  • Diferenciar efeito do fármaco de ansiedade, gastroenterite, metformina, GLP-1, álcool, cannabis e retirada de outro agente.
  • Começar abaixo da dose terapêutica não é subtratamento se houver plano explícito de subida.
  • Tomar com alimento ajuda duloxetina, venlafaxina, vortioxetina e trazodona; vilazodona deve ser tomada com alimento por absorção.
  • Antiemético por poucos dias é estratégia de consenso; revisar QT, sedação e interações. Evitar perpetuar outro fármaco para sustentar uma opção mal tolerada.
  • Diarreia importante, sangramento, febre, desidratação ou perda ponderal exigem investigação e possível troca.

Ativação, ansiedade, acatisia e virada do humor

AchadoPistasConduta
Ativação simplesInquietação, insônia, ansiedade sem aceleração persistente do pensamento.Reduzir dose/ritmo; manhã; retirar cafeína/estimulante; acompanhar em dias.
AcatisiaUrgência interna de mover-se, incapacidade de ficar sentado, sofrimento intenso.Não banalizar; reduzir/suspender agente, avaliar outros causadores e risco suicida.
Hipomania / maniaMenor necessidade de sono, grandiosidade, aceleração, aumento de atividade/risco.Suspender antidepressivo conforme gravidade, tratar episódio e revisar diagnóstico bipolar.
Estado mistoDepressão com agitação, irritabilidade, pensamento acelerado e impulsividade.Evitar escalada automática de antidepressivo; priorizar estratégia de bipolaridade/misto.

Disfunção sexual

Perguntar antes do tratamento e depois ativamente. Depressão, ansiedade, diabetes, doença vascular, dor, relacionamento, menopausa/hipogonadismo, prolactina, álcool e outras medicações são confundidores. Relato espontâneo subestima o problema.

EstratégiaQuando usarForça/limite
Aguardar 2-4 semanasEfeito leve, resposta excelente, paciente aceita.Adaptação completa é incomum; não prolongar sofrimento.
Reduzir até mínima eficazRemissão estável e dose acima do necessário.Pode melhorar; risco de recaída/retirada.
TrocarImpacto moderado / grave.Bupropiona, vortioxetina, agomelatina ou mirtazapina tendem a menor risco.
Sildenafil / tadalafilDisfunção erétil associada ao antidepressivo.Melhor evidência farmacológica; avaliar contraindicação cardiovascular/nitrato.
Bupropiona adjuvanteDesejo/orgasmo reduzidos com serotonérgico.Evidência mista; considerar ansiedade, PA e convulsão.
Drug holidayExcepcionalmente com ISRS de meia-vida curta.Evidência baixa; risco de retirada/recorrência; não funciona para fluoxetina.
PSSD: Disfunção sexual persistente após suspensão foi descrita, mas frequência, fatores de risco e causalidade permanecem incertos. Informar sem alarmismo e investigar causas concorrentes.

Peso e risco cardiometabólico

Na metanálise do Lancet de 2025 (mediana de 8 semanas), a variação entre os extremos comparados chegou a cerca de 4 kg. Amitriptilina, nortriptilina, fluvoxamina e mirtazapina tenderam a maior peso agudo; agomelatina, fluoxetina, bupropiona, sertralina, venlafaxina, duloxetina e desvenlafaxina reduziram peso no curto prazo. Isso não prediz necessariamente o longo prazo: paroxetina e vários serotonérgicos podem ganhar peso com manutenção.

  • Medir peso/IMC antes; em risco, cintura, glicemia/HbA1c e lipídios.
  • Intervir cedo (por exemplo, 2-3 kg ou aumento consistente), considerando recuperação do apetite versus efeito farmacológico.
  • Revisar sono, álcool, alimentação, atividade, hipotireoidismo, menopausa, antipsicótico e estabilizador concomitantes.
  • Se o antidepressivo é substituível, troca costuma ser mais racional que adicionar medicação para peso.
  • Metformina/agonistas GLP-1 não têm a mesma base antidepressivo-específica que no ganho por antipsicótico; seguir indicação metabólica própria.

Hiponatremia, sangramento, QT e fígado

EventoMaior riscoSinais/conduta imediata
Hiponatremia / SIADHIdoso, mulher, baixo peso, diurético, Na baixo prévio, ISRS/IRSN.Náusea, cefaleia, confusão, queda, convulsão: dosar Na; suspender/tratar conforme gravidade.
SangramentoISRS/IRSN + AAS/AINE/anticoagulante, úlcera, idoso.Equimose, melena, hematêmese: avaliar urgência; reduzir combinação e considerar gastroproteção por indicação.
QT / arrítmiaCitalopram, TCA, polifarmácia QT, cardiopatia, bradicardia, K/Mg baixos.Síncope/palpitação: ECG e eletrólitos. QTc >500 ms é alto risco.
HepatotoxicidadeAgomelatina; duloxetina com álcool/hepatopatia.Icterícia, colúria, hipocolia, dor HD, fadiga nova: suspender e investigar.

Síndrome serotoninérgica: reconhecimento rápido

Tríade: Alteração mental + hiperatividade autonômica + hiperatividade neuromuscular. Clônus espontâneo/induzível, hiperreflexia e tremor são mais úteis que febre isolada.
  • Suspender agentes serotoninérgicos e acionar avaliação médica urgente; casos moderados/graves exigem ambiente hospitalar.
  • Buscar combinação recente: IMAO, linezolida, azul de metileno, tramadol, meperidina, dextrometorfano, MDMA, lítio ou múltiplos antidepressivos.
  • Não confundir com síndrome neuroléptica maligna, anticolinérgica, abstinência ou sepse.
  • O risco com triptano isolado + ISRS parece baixo, mas o paciente deve conhecer os sintomas e a carga serotoninérgica total.

Parte IV - Interações medicamentosas

A tabela prioriza interações com potencial de mudar conduta. Ela não substitui uma base atualizada: IMAO, oncologia, transplante, antiarrítmicos, antirretrovirais e polifarmácia geriátrica exigem verificação específica.

Interações farmacodinâmicas

CombinaçãoRisco / mecanismoConduta prática
IMAO + serotonérgicoSíndrome serotoninérgica potencialmente fatal.Contraindicado; washout apropriado. 5 semanas após fluoxetina; usualmente 14 dias para outros, conforme meia-vida/bula.
IMAO + simpaticomimético / tiraminaCrise hipertensiva.Contraindicado/evitar; educação dietética e OTC.
ISRS/IRSN + AINE / AAS / anticoagulanteInibição plaquetária + lesão/coagulação.Estimar risco GI/intracraniano; evitar AINE crônico, gastroproteger quando indicado, monitorar.
Serotonérgico + tramadol / meperidina / dextrometorfanoSíndrome serotoninérgica; tramadol também convulsão.Preferir alternativa; meperidina é proibida com IMAO.
Noradrenérgico + estimulante / descongestionantePA/FC, agitação, arritmia.Evitar combinação de alta carga; monitorar PA/FC.
QT + QTSomação de repolarização, maior com eletrólitos baixos.ECG/K/Mg; reduzir agentes.
Sedativo + álcool / benzodiazepínico / opioideQueda, depressão psicomotora/respiratória.Evitar ou reduzir; orientar direção e overdose.
Anticolinérgico + anticolinérgicoRetenção, íleo, delirium, glaucoma.Calcular carga e simplificar; especialmente idoso.
Bupropiona / TCA + pró-convulsivanteRedução aditiva do limiar convulsivo.Evitar/limitar dose e corrigir fatores.
Lítio + serotonérgicosTremor/serotonina; combinação pode ser terapêutica.Não é proibida, mas monitorar e educar.

Interações CYP que mais alteram a receita

AntidepressivoPapel CYPInterações de alto rendimento
FluoxetinaInibidor forte 2D6; moderado 2C19 e 2C9; meia-vida longa.↑TCA, metoprolol, alguns antipsicóticos; ↓ativação tamoxifeno, codeína, tramadol. Efeito persiste semanas.
ParoxetinaInibidor forte 2D6.Mesmas famílias 2D6; evitar com tamoxifeno quando possível.
BupropionaInibidor forte 2D6; substrato 2B6.↑TCA/antipsicótico/betabloqueador; ↓tamoxifeno/codeína/tramadol. Carbamazepina ↓bupropiona.
FluvoxaminaInibidor forte 1A2 e 2C19; algum 3A4/2C9.↑clozapina, olanzapina, teofilina, cafeína e benzodiazepínicos; tizanidina/ramelteona proibidas.
DuloxetinaSubstrato 1A2/2D6; inibidor moderado 2D6.Fluvoxamina/ciprofloxacino ↑duloxetina; pode ↑substratos 2D6.
SertralinaInibidor 2D6 fraco e 2C19 leve a moderado, ambos maiores em alta dose.Geralmente baixo, mas revisar substrato estreito 2D6 e 2C19 (ex.: clopidogrel, diazepam, fenitoína).
Citalopram / escitalopramSubstratos 2C19/3A4/2D6; pouca inibição.Omeprazol/2C19 podem ↑exposição; risco principal é QT/farmacodinâmica.
VenlafaxinaSubstrato 2D6/3A4; inibidor fraco 2D6.Inibidor 2D6 muda relação venlafaxina/desvenlafaxina; monitorar tolerabilidade.
DesvenlafaxinaConjugação + pouca 3A4; baixa inibição.Poucas interações CYP; ajustar rim.
VortioxetinaSubstrato principal 2D6; não inibe de modo relevante.Reduzir pela metade com bupropiona/fluoxetina/paroxetina; indutores fortes podem exigir aumento.
AgomelatinaSubstrato 1A2.Fluvoxamina e ciprofloxacino contraindicados; fumar pode ↓níveis.
Trazodona / vilazodonaSubstratos 3A4.Azólicos, macrolídeos, ritonavir ↑níveis; carbamazepina/rifampicina ↓níveis.
TCASubstratos sobretudo 2D6/2C19.Inibidores 2D6/2C19 podem causar toxicidade; considerar nível e reduzir dose.

Base: Maudsley [2], Goldberg & Ernst [7], CPIC [8,9] e monografias [13].

Tamoxifeno, codeína e tramadol: o mesmo erro CYP2D6

Evitar inibidor forte CYP2D6: Paroxetina, fluoxetina e bupropiona podem reduzir conversão de pró-fármacos. Em tamoxifeno, preferir alternativa de baixa inibição; em codeína/tramadol, pode haver menor analgesia, enquanto tramadol ainda mantém risco serotoninérgico e convulsivo.

Farmacogenética

  • Não é teste obrigatório antes de todo antidepressivo e não substitui diagnóstico, adesão, dose e interação.
  • CPIC oferece recomendações acionáveis para pares como escitalopram/citalopram-CYP2C19, paroxetina-CYP2D6, sertralina-CYP2C19/CYP2B6 e TCAs-CYP2D6/CYP2C19.
  • É mais útil em efeitos graves/incomuns em dose baixa, falhas repetidas com exposição incerta ou resultado já disponível.
  • Painéis comerciais não são equivalentes; diferenciar gene-fármaco validado de algoritmo proprietário.

Parte V - Classes e fichas por molécula

Comparação rápida das classes

ClasseForça práticaLimitações típicasRetirada
ISRSPrimeira linha; amplo espectro ansioso/TOC; seguros em overdose.GI, sexual, hiponatremia, sangramento, ativação.Alta paroxetina; baixa fluoxetina; intermediária nas demais.
IRSNDor + depressão/ansiedade; eficácia robusta.Náusea, sexual, sudorese, PA/FC, retirada.Alta venlafaxina; moderada duloxetina/desvenlafaxina.
BupropionaEnergia, sexo, peso, tabagismo.Insônia, PA, convulsão; não trata TOC.Baixa.
MirtazapinaSono, apetite, náusea; baixo sexual.Sedação e ganho de peso.Baixa.
VortioxetinaCognição/aceitabilidade; baixo peso/interação.Náusea; custo; sexual não zero.Baixa.
AgomelatinaCircadiano, baixo sexual / retirada.Hepatotoxicidade e exames.Mínima.
TrazodonaSono; baixa anticolinergia relativa.Dose antidepressiva sedativa, ortostase, priapismo.Moderada.
VilazodonaSerotoninérgica com agonismo parcial 5-HT1A; possível menor carga sexual.Diarreia e náusea; exige tomada com alimento; custo.Intermediária.
TCADor, TOC (clomipramina), depressão resistente.Overdose, condução, anticolinérgico, peso, quedas.Moderada; taper.
IMAODepressão resistente / atípica.Interações e dieta; ortostase; logística.Taper; restrições persistem após suspensão.
EscetaminaResposta rápida em resistente.Dissociação, PA, sedação, custo/logística.Esquema supervisionado.
Leitura das fichas: 'Contraindicação absoluta/formal' reflete proibição de classe ou bula frequente. 'Evitar/cautela' reúne riscos fortes que podem admitir exceção documentada. As indicações e máximos variam entre países e apresentações.

ISRS

Escitalopram

Perfil: ISRS com boa aceitabilidade e baixo potencial de interação; escolha geral quando simplicidade e tolerabilidade são prioritárias.
DecisãoResumo clínico
Quando escolherTDM, TAG; ansiedade ou pânico com titulação lenta; polifarmácia; cardiopatia estável quando se deseja evitar agentes mais noradrenérgicos.
IndicaçõesTDM e TAG (indicações regulatórias em vários países). Evidência também para pânico, ansiedade social e TOC, conforme país/diretriz.
DoseInício 5-10 mg/dia; dose mínima eficaz 10 mg/dia; alvo 10-20 mg/dia; máximo usual/licenciado 20 mg/dia. Em ansiedade muito sensível: 5 mg por 4-7 dias. Idoso ou insuficiência hepática: em geral 10 mg/dia como máximo recomendado.
Como introduzirAumentar para 10 mg após 4-7 dias se iniciado com 5 mg; considerar 20 mg após pelo menos 1-2 semanas, apenas se resposta parcial e boa tolerabilidade. Pode ser tomado manhã ou noite.

Segurança

DomínioInformação prática
Contraindicações formaisUso concomitante ou intervalo inadequado com IMAO, linezolida ou azul de metileno IV; pimozida; hipersensibilidade a escitalopram/citalopram.
Evitar/cautela relativaQT longo, bradicardia, hipocalemia/hipomagnesemia, múltiplos fármacos que prolongam QT; epilepsia; bipolaridade; hiponatremia prévia, idade avançada ou diurético; risco hemorrágico; glaucoma de ângulo fechado.
Efeitos iniciaisNáusea, cefaleia, diarreia/constipação, insônia ou sonolência, aumento transitório de ansiedade; em muitos pacientes atenuam em 1-2 semanas.
Mais propensos a persistirDisfunção sexual, sudorese, embotamento afetivo e alterações do sono podem persistir enquanto o fármaco é mantido; ganho de peso costuma ser tardio e variável.
MonitorizaçãoSem exames de rotina no adulto saudável. Considerar sódio basal e 1-2 semanas após início/aumento em alto risco; ECG e eletrólitos se risco de QT; avaliar função sexual, peso e suicidabilidade clinicamente.

Interações e pérola

Baixa inibição CYP; é substrato sobretudo de CYP2C19/3A4. Somação serotoninérgica, hemorrágica e de QT. Omeprazol e outros inibidores de CYP2C19 podem elevar exposição.

Pérola prática: Boa opção de primeira linha, mas não confundir 'baixo risco' com ausência de disfunção sexual ou hiponatremia. Retirada: risco intermediário; reduzir gradualmente.

Citalopram

Perfil: ISRS simples, com poucas interações CYP relevantes, mas com alerta dose-dependente para QT.
DecisãoResumo clínico
Quando escolherTDM em polifarmácia quando ECG/risco cardíaco não limitam; alternativa de boa previsibilidade farmacocinética.
IndicaçõesTDM. Evidência para pânico, TAG e outras condições ansiosas; indicações formais variam.
DoseInício 10-20 mg/dia; mínima eficaz 20 mg/dia; alvo 20-40 mg/dia; máximo 40 mg/dia. Máximo 20 mg/dia em >60 anos, insuficiência hepática, metabolizador lento CYP2C19 ou uso de inibidor forte de CYP2C19, conforme alerta FDA.
Como introduzirSubir de 10 para 20 mg em cerca de 1 semana; aumentos posteriores de 10-20 mg com intervalos de pelo menos 1-2 semanas. Uma tomada diária.

Segurança

DomínioInformação prática
Contraindicações formaisIMAO/linezolida/azul de metileno IV em janela proibida; pimozida; hipersensibilidade. Algumas bulas tratam QT longo congênito como contraindicação.
Evitar/cautela relativaQTc elevado, cardiopatia, bradicardia, distúrbio eletrolítico, uso de outros prolongadores de QT; insuficiência hepática; epilepsia; bipolaridade; hiponatremia; sangramento.
Efeitos iniciaisNáusea, cefaleia, ativação, insônia/sonolência, alterações intestinais; tendem a atenuar nas primeiras semanas.
Mais propensos a persistirDisfunção sexual, sudorese e possível ganho de peso/embotamento podem persistir.
MonitorizaçãoECG basal e após estabilização se fatores de risco ou dose alta; potássio/magnésio se risco; sódio em vulneráveis. Sem painel laboratorial universal.

Interações e pérola

Somação de QT, serotonina e sangramento. Inibidores CYP2C19 podem elevar níveis; pouca inibição de enzimas por citalopram.

Pérola prática: Não é a melhor escolha quando já há QTc limítrofe. Retirada: risco intermediário; evitar interrupção abrupta.

Sertralina

Perfil: ISRS versátil, amplo espectro de evidência e bom histórico em cardiopatia; diarreia é o marcador de tolerabilidade mais típico.
DecisãoResumo clínico
Quando escolherTDM com ansiedade; pânico, TOC, TEPT e ansiedade social; cardiopatia isquêmica; lactação quando um ISRS é necessário e clinicamente apropriado.
IndicaçõesTDM, TOC, pânico, TEPT, ansiedade social e TDPM em diversas jurisdições.
DoseInício 25-50 mg/dia; mínima eficaz 50 mg/dia; alvo 50-200 mg/dia; máximo licenciado 200 mg/dia. Pânico/TEPT: começar 25 mg.
Como introduzirAumentar 25-50 mg a cada 1-2 semanas segundo tolerância. Tomar com alimento se náusea/diarreia; manhã se ativadora, noite se sedativa.

Segurança

DomínioInformação prática
Contraindicações formaisIMAO/linezolida/azul de metileno IV; pimozida; hipersensibilidade. Concentrado oral contém álcool e é contraindicado com dissulfiram.
Evitar/cautela relativaDiarreia crônica, doença inflamatória intestinal ativa, epilepsia, bipolaridade, hiponatremia, risco hemorrágico e QT em cenário de múltiplos fatores.
Efeitos iniciaisNáusea, diarreia, cólicas, cefaleia, tremor leve, ativação ou insônia; sintomas GI frequentemente melhoram em 1-2 semanas, mas a diarreia pode persistir.
Mais propensos a persistirDisfunção sexual, sudorese, bruxismo e diarreia em parte dos pacientes; ganho de peso tardio é possível.
MonitorizaçãoClínico; sódio em alto risco. ECG apenas se risco cardíaco/QT. Acompanhar GI, função sexual, peso e sintomas de ativação.

Interações e pérola

Inibição CYP2D6 geralmente fraca e CYP2C19 leve a moderada, ambas maiores em doses altas. Somação serotoninérgica/hemorrágica. Pode aumentar exposição a alguns substratos 2D6.

Pérola prática: Uma das escolhas mais equilibradas. Em TOC, é comum necessitar 150-200 mg e 10-12 semanas, com subida tolerada.

Fluoxetina

Perfil: ISRS ativador, meia-vida muito longa e forte inibição CYP2D6; menor risco de retirada, porém interações persistem por semanas.
DecisãoResumo clínico
Quando escolherTDM com hipersonia/fadiga; baixa adesão; bulimia nervosa (60 mg); TOC; pânico; quando retirada prévia foi difícil.
IndicaçõesTDM, TOC, bulimia nervosa e pânico; combinação olanzapina-fluoxetina tem indicações específicas em depressão bipolar I e depressão resistente.
DoseInício 10-20 mg pela manhã; mínima eficaz 20 mg; alvo TDM 20-60 mg; máximo de bula 80 mg/dia. Bulimia: 60 mg/dia. Pânico: iniciar 10 mg e subir para 20 mg.
Como introduzirSubir após 2-4 semanas, pois há autoacúmulo e resposta frequente em 20 mg. Doses >20 mg podem ser manhã ou manhã/meio-dia. Reduzir frequência em hepatopatia.

Segurança

DomínioInformação prática
Contraindicações formaisIMAO/linezolida/azul de metileno IV; pimozida; tioridazina; hipersensibilidade. Exige 5 semanas entre parar fluoxetina e iniciar IMAO.
Evitar/cautela relativaAgitação, insônia, baixo peso, epilepsia, bipolaridade, sangramento, hiponatremia; polifarmácia com substratos CYP2D6.
Efeitos iniciaisAtivação, ansiedade, insônia, náusea, anorexia, cefaleia; parte atenua em 1-2 semanas.
Mais propensos a persistirDisfunção sexual, sudorese, bruxismo e insônia podem persistir. A supressão de apetite pode reduzir com o tempo; peso pode aumentar tardiamente.
MonitorizaçãoClínico; peso se baixo peso/transtorno alimentar; sódio em risco; revisar interações mesmo semanas após suspensão.

Interações e pérola

Inibidor forte CYP2D6 e moderado CYP2C19/CYP2C9; eleva TCAs, alguns antipsicóticos e betabloqueadores; reduz ativação de tamoxifeno, codeína e tramadol. Risco serotoninérgico e hemorrágico.

Pérola prática: A meia-vida protege contra esquecimentos, mas torna efeitos adversos e interações lentos para resolver. Não é ideal em ansiedade muito ativável sem titulação lenta.

Paroxetina

Perfil: ISRS mais anticolinérgico, sedativo e associado a ganho de peso, disfunção sexual e retirada; forte inibidor CYP2D6.
DecisãoResumo clínico
Quando escolherAnsiedade/pânico com insônia quando benefícios superam o custo de tolerabilidade; situações em que resposta prévia foi claramente superior.
IndicaçõesTDM, TAG, pânico, ansiedade social, TOC, TEPT e TDPM em diferentes formulações/jurisdições.
DoseInício 10-20 mg/dia; mínima eficaz 20 mg; alvo 20-50 mg/dia; máximo varia por indicação/formulação (em geral 50-60 mg IR; CR possui equivalências próprias).
Como introduzirAumentar 10 mg a cada 1-2 semanas. Geralmente à noite se sedativa. Planejar retirada desde a prescrição.

Segurança

DomínioInformação prática
Contraindicações formaisIMAO/linezolida/azul de metileno IV; pimozida; tioridazina; hipersensibilidade.
Evitar/cautela relativaObesidade, síndrome metabólica, constipação, retenção urinária, glaucoma de ângulo fechado, disfunção sexual, gestação planejada, idoso, tamoxifeno, epilepsia e bipolaridade.
Efeitos iniciaisNáusea, sonolência, tontura, constipação, boca seca; parte melhora em semanas.
Mais propensos a persistirDisfunção sexual, ganho de peso, sudorese, constipação e embotamento frequentemente persistem. Retirada pode surgir após poucas doses omitidas.
MonitorizaçãoPeso/IMC; sódio em vulneráveis; função sexual; sintomas anticolinérgicos. Sem exames universais.

Interações e pérola

Inibidor forte CYP2D6: evitar com tamoxifeno quando possível; eleva metoprolol, TCAs e diversos antipsicóticos; reduz ativação de codeína/tramadol.

Pérola prática: Não costuma ser primeira escolha em idoso ou polifarmácia. Risco alto de descontinuação: taper lento, frequentemente com reduções menores no final.

Fluvoxamina

Perfil: ISRS particularmente útil em TOC, mas com maior carga de interações via CYP1A2 e CYP2C19 e frequência de náusea.
DecisãoResumo clínico
Quando escolherTOC; quadro ansioso-obsessivo quando se aceita manejo cuidadoso das interações; resposta prévia favorável.
IndicaçõesTOC é a indicação mais consolidada; TDM é indicado em diversos países, mas não em todos.
DoseInício 25-50 mg à noite; mínima eficaz para depressão 50 mg, mas alvos usuais 100-300 mg; máximo 300 mg/dia. Doses IR >100 mg usualmente divididas.
Como introduzirAumentar 25-50 mg a cada 4-7 dias ou mais lentamente. Preferir noite no início; formulação CR tem esquema próprio.

Segurança

DomínioInformação prática
Contraindicações formaisIMAO/linezolida/azul de metileno IV; tizanidina, ramelteona, alosetrona e pimozida conforme bulas; hipersensibilidade.
Evitar/cautela relativaPolifarmácia, alto consumo de cafeína, uso de clozapina/olanzapina/teofilina, hepatopatia, epilepsia, bipolaridade, hiponatremia e sangramento.
Efeitos iniciaisNáusea, diarreia, sonolência ou insônia, cefaleia; náusea pode ser mais marcada, em geral reduz nas primeiras semanas.
Mais propensos a persistirDisfunção sexual, sudorese e alterações GI/sono podem persistir.
MonitorizaçãoRevisão de interações é mandatória. Considerar níveis de clozapina e redução de dose quando combinação deliberada; sódio em risco.

Interações e pérola

Inibidor potente CYP1A2 e CYP2C19, com efeito adicional em CYP3A4/2C9: pode elevar clozapina, olanzapina, teofilina, cafeína, benzodiazepínicos oxidativos e outros.

Pérola prática: Perguntar explicitamente sobre café/energéticos e tabagismo. Mudança do hábito de fumar pode alterar substratos CYP1A2, além do próprio esquema.

IRSN

Venlafaxina XR

Perfil: IRSN com efeito predominantemente serotoninérgico em doses baixas e maior contribuição noradrenérgica com a elevação; boa eficácia, mas retirada e pressão arterial exigem atenção.
DecisãoResumo clínico
Quando escolherTDM com ansiedade; TAG, pânico e ansiedade social; resposta insuficiente a ISRS com boa tolerância a agentes serotoninérgicos.
IndicaçõesTDM, TAG, ansiedade social e pânico em formulação XR, conforme jurisdição.
DoseInício 37,5 mg por 4-7 dias, depois 75 mg/dia; mínima eficaz 75 mg; alvo 75-225 mg; máximo XR usual/licenciado 225 mg/dia. Doses até 375 mg/dia são usadas em contextos/formulações específicos, com maior risco e fora de várias bulas.
Como introduzirIncrementos de 37,5-75 mg com intervalos de pelo menos 1 semana; mais lentamente em ansiedade sensível. Tomar com alimento, no mesmo horário.

Segurança

DomínioInformação prática
Contraindicações formaisIMAO/linezolida/azul de metileno IV em janela proibida; hipersensibilidade.
Evitar/cautela relativaHipertensão não controlada, taquiarritmia, glaucoma de ângulo fechado, alto risco de retirada, epilepsia, bipolaridade, hiponatremia, sangramento, doença renal/hepática.
Efeitos iniciaisNáusea, ativação, insônia, tontura, redução do apetite; em geral atenuam. Sudorese e disfunção sexual podem aparecer cedo.
Mais propensos a persistirSudorese, disfunção sexual, elevação de PA/FC e, às vezes, insônia; retirada é frequente e pode ser intensa.
MonitorizaçãoPA e FC antes e durante, especialmente após aumentos; sódio em risco; função renal/hepática para ajuste; peso e função sexual clinicamente.

Interações e pérola

Substrato CYP2D6/3A4 e inibidor fraco 2D6. Somação serotoninérgica, hemorrágica e pressórica. Inibidores 2D6 alteram relação venlafaxina/desvenlafaxina.

Pérola prática: Se não há nenhuma melhora em 4 semanas na dose terapêutica, reavaliar dose/diagnóstico/adesão. Risco alto de retirada: evitar dias alternados.

Desvenlafaxina

Perfil: Metabólito ativo da venlafaxina, com farmacocinética mais simples e poucas interações CYP; benefício adicional acima de 50 mg costuma ser pequeno.
DecisãoResumo clínico
Quando escolherTDM em polifarmácia; quando se deseja IRSN com menor dependência de CYP2D6; resposta prévia à venlafaxina com problema farmacocinético/interações.
IndicaçõesTDM.
DoseInício e dose mínima eficaz 50 mg/dia; alvo 50 mg, podendo chegar a 100 mg/dia; 100 mg é máximo prático em muitas diretrizes, pois doses maiores não demonstram benefício proporcional e pioram tolerabilidade. Ajustar em insuficiência renal.
Como introduzirFrequentemente não é necessário titular além de 50 mg. Com sensibilidade, pode-se usar 25 mg por poucos dias onde disponível. Engolir comprimido de liberação prolongada inteiro.

Segurança

DomínioInformação prática
Contraindicações formaisIMAO/linezolida/azul de metileno IV; hipersensibilidade a desvenlafaxina ou venlafaxina.
Evitar/cautela relativaHipertensão, insuficiência renal, taquiarritmia, glaucoma, epilepsia, bipolaridade, hiponatremia e risco hemorrágico.
Efeitos iniciaisNáusea, tontura, insônia, constipação, ativação; náusea tende a reduzir em semanas.
Mais propensos a persistirSudorese, disfunção sexual, PA/FC elevadas e retirada podem persistir.
MonitorizaçãoPA/FC; função renal para dose; sódio em alto risco. Não requer monitorização sérica de rotina.

Interações e pérola

Baixa inibição CYP; pequena metabolização por CYP3A4 e conjugação. Mantém interações farmacodinâmicas serotoninérgicas, hemorrágicas e pressóricas.

Pérola prática: A maior simplicidade farmacocinética não elimina risco de retirada. Se 50 mg funciona parcialmente, ponderar se subir agrega benefício ou apenas efeitos adversos.

Duloxetina

Perfil: IRSN com evidência em depressão, ansiedade e dor; náusea inicial, pressão arterial, fígado e função renal são os principais pontos de segurança.
DecisãoResumo clínico
Quando escolherTDM com dor neuropática, fibromialgia ou dor musculoesquelética; TAG; depressão com sintomas somáticos dolorosos.
IndicaçõesTDM, TAG, neuropatia diabética dolorosa, fibromialgia e dor musculoesquelética crônica; algumas jurisdições incluem incontinência urinária de esforço.
DoseInício 30 mg/dia por 1 semana; mínima eficaz e alvo habitual 60 mg/dia; máximo 120 mg/dia. Acima de 60 mg, benefício adicional é inconsistente e tolerabilidade piora.
Como introduzirSubir para 60 mg após 1 semana; considerar 90-120 mg somente com resposta parcial e boa tolerabilidade. Cápsula gastro-resistente não deve ser triturada.

Segurança

DomínioInformação prática
Contraindicações formaisIMAO/linezolida/azul de metileno IV; glaucoma de ângulo fechado não controlado; hipersensibilidade. Contraindicações regulatórias adicionais variam.
Evitar/cautela relativaDoença hepática, consumo substancial de álcool, TFG <30 mL/min, hipertensão não controlada, retenção urinária, epilepsia, bipolaridade, hiponatremia e sangramento.
Efeitos iniciaisNáusea, boca seca, constipação, tontura, insônia/sonolência, redução do apetite; náusea frequentemente melhora em 1-2 semanas.
Mais propensos a persistirSudorese, disfunção sexual, constipação e possível aumento de PA/FC; retirada é moderada.
MonitorizaçãoPA/FC basal e periódica; função renal/hepática se comorbidade. TGO/TGP basal e durante se risco hepático ou sintomas; sódio em vulneráveis.

Interações e pérola

Substrato CYP1A2/2D6 e inibidor moderado 2D6. Fluvoxamina/ciprofloxacino podem elevar níveis; eleva alguns substratos 2D6. Somação serotoninérgica e hemorrágica.

Pérola prática: Evitar como escolha inicial em hepatopatia ativa ou uso pesado de álcool. Para dor, 60 mg costuma ser o ponto ótimo.

Outros antidepressivos

Bupropiona

Perfil: Inibidor de recaptação de noradrenalina/dopamina, ativador, com baixa carga sexual e tendência a pouco ganho ou perda de peso; risco de convulsão é dose e contexto dependente.
DecisãoResumo clínico
Quando escolherTDM com fadiga, hipersonia, baixa energia, disfunção sexual com serotonérgicos, preocupação com peso; cessação do tabagismo; combinação com ISRS/IRSN.
IndicaçõesTDM, transtorno afetivo sazonal e cessação do tabagismo, conforme formulação/país.
DoseXL: iniciar 150 mg pela manhã e subir para 300 mg após 4-7 dias; alvo 300 mg. Máximo 450 mg/dia em algumas bulas/formulações, mas 300 mg é máximo de muitas apresentações locais. SR: 150 mg/dia e depois 150 mg 2x/dia; máximo 400 mg/dia. Nunca triturar liberação modificada.
Como introduzirAumentar gradualmente; espaçar doses SR por pelo menos 8 horas. Evitar dose noturna. Ajustar frequência em insuficiência renal/hepática.

Segurança

DomínioInformação prática
Contraindicações formaisEpilepsia/convulsão atual; anorexia ou bulimia atual ou prévia; retirada abrupta de álcool, benzodiazepínico, barbitúrico ou antiepiléptico; IMAO em 14 dias; uso simultâneo de outro produto com bupropiona; hipersensibilidade.
Evitar/cautela relativaTraumatismo craniano importante, tumor/infecção SNC, AVC grave, fármacos pró-convulsivantes, hipertensão não controlada, ansiedade/insônia intensa, baixo peso, bipolaridade.
Efeitos iniciaisInsônia, ativação, ansiedade, boca seca, náusea, cefaleia, tremor; parte atenua com horário e adaptação.
Mais propensos a persistirSudorese, tremor, insônia e elevação de PA podem persistir; disfunção sexual e ganho de peso são incomuns.
MonitorizaçãoPA basal e periódica; peso; fatores de risco convulsivo e uso de álcool. Sem exames laboratoriais universais.

Interações e pérola

Inibidor forte CYP2D6: eleva TCAs, alguns antipsicóticos e betabloqueadores; reduz ativação de tamoxifeno, codeína e tramadol. Substrato CYP2B6: carbamazepina pode reduzir níveis; clopidogrel pode elevar.

Pérola prática: Não é intrinsecamente 'ansiogênica' em todos, mas titulação rápida pode ativar. Em convulsão durante uso: suspender e não reintroduzir.

Mirtazapina

Perfil: Antidepressivo noradrenérgico e serotoninérgico específico, sedativo e orexígeno; baixa disfunção sexual e pouco risco de retirada.
DecisãoResumo clínico
Quando escolherTDM com insônia, perda de apetite/peso, náusea ou ansiedade; necessidade de menor impacto sexual; idoso frágil com baixo peso, sob monitorização.
IndicaçõesTDM; usos em insônia e náusea são off-label.
DoseInício 15 mg à noite; mínima eficaz reconhecida 30 mg/dia, embora 15 mg possa ser eficaz em alguns; alvo 30-45 mg; máximo licenciado frequente 45 mg, com até 60 mg em algumas diretrizes/bulas.
Como introduzirAumentar para 30 mg após 1-2 semanas; depois 45 mg conforme resposta. A relação dose-sedação não é linear e maior dose não garante menos sedação.

Segurança

DomínioInformação prática
Contraindicações formaisIMAO/linezolida/azul de metileno IV em janela proibida; hipersensibilidade.
Evitar/cautela relativaObesidade, diabetes/dislipidemia, apneia do sono, sedação diurna, neutropenia prévia, epilepsia, bipolaridade e uso de outros depressores do SNC.
Efeitos iniciaisSonolência, tontura, aumento de apetite e boca seca; sonolência pode atenuar parcialmente, mas não sempre.
Mais propensos a persistirAumento do apetite e ganho de peso frequentemente persistem; sedação pode permanecer. Disfunção sexual é baixa.
MonitorizaçãoPeso/IMC basal e periódico; glicemia/lipídios basal e a cada 6 meses se ganho de peso/risco. Hemograma apenas se febre, odinofagia ou sinais de infecção.

Interações e pérola

Pouca inibição CYP; substrato CYP1A2/2D6/3A4. Somação de sedação com álcool, benzodiazepínicos e outros. Risco serotoninérgico existe, mas é menor que com ISRS.

Pérola prática: Útil quando efeitos colaterais podem ser convertidos em benefício clínico. A agranulocitose é rara: orientar sinais de alerta, não hemograma seriado universal.

Vortioxetina

Perfil: Antidepressivo multimodal serotoninérgico, com boa aceitabilidade, baixa carga de interação e possível benefício cognitivo; náusea é o efeito limitante típico.
DecisãoResumo clínico
Quando escolherTDM com queixa cognitiva; preocupação sexual ou de peso; polifarmácia; histórico de retirada difícil.
IndicaçõesTDM.
DoseInício 5-10 mg/dia; mínima eficaz 10 mg; alvo 10-20 mg; máximo 20 mg/dia. Idosos ou muito sensíveis podem iniciar 5 mg.
Como introduzirSubir de 5 para 10 mg após cerca de 1 semana; 20 mg após 1-2 semanas ou mais. Com alimento pode ajudar a náusea.

Segurança

DomínioInformação prática
Contraindicações formaisIMAO/linezolida/azul de metileno IV; hipersensibilidade.
Evitar/cautela relativaBipolaridade, epilepsia, hiponatremia, sangramento, glaucoma; uso de forte inibidor/indutor CYP2D6.
Efeitos iniciaisNáusea, cefaleia, tontura e sonhos vívidos; náusea é dose-dependente e tende a reduzir nas primeiras semanas.
Mais propensos a persistirNáusea pode persistir em minoria; disfunção sexual é menor que em ISRS, mas aumenta em 20 mg e pode persistir se ocorrer.
MonitorizaçãoClínico; sódio em alto risco. Sem exames de rotina.

Interações e pérola

Substrato principalmente CYP2D6, sem inibição clinicamente relevante. Reduzir dose pela metade com inibidor forte 2D6 (ex.: bupropiona, fluoxetina, paroxetina); indutores fortes podem exigir ajuste.

Pérola prática: Meia-vida longa e baixo risco de retirada. Benefício cognitivo não substitui investigação de sono, TDAH, substâncias e comorbidades.

Agomelatina

Perfil: Agonista melatoninérgico MT1/MT2 e antagonista 5-HT2C, com baixa disfunção sexual e retirada, mas monitorização hepática obrigatória.
DecisãoResumo clínico
Quando escolherTDM com desorganização circadiana/insônia, preocupação sexual, peso ou retirada; quando o paciente consegue aderir aos exames.
IndicaçõesEpisódio depressivo maior em adultos em países onde aprovada.
Dose25 mg ao deitar; se resposta insuficiente após 2 semanas, 50 mg ao deitar; máximo 50 mg/dia. Não requer desmame por síndrome de retirada.
Como introduzirReavaliar benefício e TGO/TGP antes de subir. Tomada noturna.

Segurança

DomínioInformação prática
Contraindicações formaisDoença hepática/cirrose, transaminases >3 vezes o limite superior, uso de potente inibidor CYP1A2 (fluvoxamina, ciprofloxacino) e hipersensibilidade.
Evitar/cautela relativaObesidade/esteatose, diabetes, consumo relevante de álcool, outros hepatotóxicos, idade avançada, bipolaridade.
Efeitos iniciaisCefaleia, náusea, tontura, sonolência ou insônia; frequentemente leves/transitórios.
Mais propensos a persistirEfeitos sexuais e metabólicos são baixos. Hepatotoxicidade pode ser assintomática e não depende de sintomas iniciais.
MonitorizaçãoTGO/TGP antes; por volta de 3, 6, 12 e 24 semanas; repetir cronograma após aumento; repetir em 48 h se elevação; suspender se >3x LSN ou sintomas de lesão hepática.

Interações e pérola

Substrato CYP1A2. Fluvoxamina/ciprofloxacino são proibidos; tabagismo pode reduzir exposição. Cautela com outros hepatotóxicos e álcool.

Pérola prática: Só escolher se o sistema de acompanhamento garante os exames. A ausência de disfunção sexual não compensa risco hepático mal monitorado.

Trazodona

Perfil: Antagonista 5-HT2 e inibidor de recaptação de serotonina; em baixa dose é hipnótico, mas efeito antidepressivo exige doses muito maiores.
DecisãoResumo clínico
Quando escolherTDM com insônia quando se pretende atingir dose antidepressiva; adjuvante para sono em casos selecionados, reconhecendo uso off-label e riscos.
IndicaçõesTDM. Insônia em 25-100 mg é uso off-label e não equivale a tratamento antidepressivo.
DoseTDM: iniciar 50-100 mg/dia, frequentemente à noite/dividido; mínima eficaz cerca de 150 mg/dia; alvo 150-300 mg; máximo 400 mg/dia ambulatorial e 600 mg/dia em internação em algumas bulas. Insônia: 25-100 mg à noite, off-label.
Como introduzirAumentar 50 mg a cada 3-7 dias conforme tolerância. Administrar após alimento; maior parte à noite.

Segurança

DomínioInformação prática
Contraindicações formaisIMAO/linezolida/azul de metileno IV em janela proibida; hipersensibilidade.
Evitar/cautela relativaHipotensão, síncope/quedas, arritmia/QT, cardiopatia, uso de outros sedativos, doença hepática, glaucoma, bipolaridade e histórico de priapismo.
Efeitos iniciaisSedação, tontura, hipotensão ortostática, náusea, boca seca; pode haver tolerância parcial à sedação/ortostase.
Mais propensos a persistirSedação, ortostase, boca seca e constipação podem persistir. Priapismo é raro, imprevisível e emergencial.
MonitorizaçãoPA/ortostase; ECG se risco; função hepática se doença. Orientar ereção >4 h como emergência.

Interações e pérola

Substrato CYP3A4: inibidores fortes elevam e indutores reduzem níveis. Somação de sedação, QT, hipotensão, sangramento e serotonina.

Pérola prática: 25-50 mg trata sono, não depressão. Em idoso, quedas e hipotensão frequentemente superam a aparente segurança.

Vilazodona

Perfil: Inibidor de recaptação de serotonina com agonismo parcial 5-HT1A (SPARI); requer alimento e titulação programada; diarreia e náusea são comuns.
DecisãoResumo clínico
Quando escolherTDM quando se deseja opção serotoninérgica com possível menor impacto sexual, desde que GI e adesão com alimento sejam aceitáveis.
IndicaçõesTDM.
Dose10 mg/dia com alimento por 7 dias; 20 mg/dia por pelo menos 7 dias; alvo 20-40 mg; máximo 40 mg/dia.
Como introduzirSeguir 10 -> 20 -> 40 mg. Sem alimento, a exposição cai de forma clinicamente relevante.

Segurança

DomínioInformação prática
Contraindicações formaisIMAO/linezolida/azul de metileno IV; hipersensibilidade.
Evitar/cautela relativaDiarreia/doença GI, bipolaridade, epilepsia, hiponatremia, sangramento e uso de moduladores CYP3A4.
Efeitos iniciaisDiarreia, náusea, vômito, insônia e cefaleia; GI costuma reduzir com o tempo e titulação.
Mais propensos a persistirDiarreia pode persistir; disfunção sexual tende a ser menor que com ISRS clássicos, mas não é ausente.
MonitorizaçãoClínico; sódio em alto risco. Verificar tomada com alimento.

Interações e pérola

Substrato CYP3A4: reduzir limite com inibidor forte e reavaliar com indutor. Interações serotoninérgicas e hemorrágicas.

Pérola prática: Falha aparente pode ser falha de absorção por uso em jejum. Retirada: risco intermediário.

Tricíclicos

Amitriptilina

Perfil: TCA muito sedativo, anticolinérgico e hipotensor; útil para dor/migrânea, mas pouco atraente como primeira linha em TDM e perigoso em overdose.
DecisãoResumo clínico
Quando escolherDor neuropática, profilaxia de migrânea ou insônia com comorbidade depressiva, quando segurança cardíaca e anticolinérgica foram avaliadas.
IndicaçõesTDM; usos frequentes off-label em dor neuropática e prevenção de migrânea.
DoseTDM: iniciar 10-25 mg à noite; mínima eficaz aproximada 75-100 mg; alvo 75-150 mg; máximo 300 mg/dia em contextos selecionados. Dor/migrânea: 10-75 mg à noite, doses não necessariamente antidepressivas.
Como introduzirAumentar 10-25 mg a cada 3-7 dias; mais lentamente em idosos. Dividir dose alta se necessário, mantendo maior fração à noite.

Segurança

DomínioInformação prática
Contraindicações formaisIMAO em janela proibida; fase aguda de recuperação pós-infarto; hipersensibilidade. Bulas podem incluir outras condições cardíacas graves.
Evitar/cautela relativaBloqueio de condução/QT, cardiopatia, glaucoma de ângulo fechado, retenção urinária/HBP, íleo/constipação, demência/delirium, quedas, epilepsia, alto risco suicida/overdose.
Efeitos iniciaisSedação, boca seca, visão borrada, constipação, ortostase e taquicardia; sedação/ortostase podem tolerizar parcialmente.
Mais propensos a persistirEfeitos anticolinérgicos, ganho de peso e disfunção sexual tendem a persistir; alterações de condução são dose/concentração dependentes.
MonitorizaçãoECG basal em >40 anos ou qualquer risco cardíaco e após titulação; PA/ortostase, peso. Considerar nível sérico em não resposta, toxicidade, idoso ou interação.

Interações e pérola

CYP2D6/2C19; níveis aumentam com fluoxetina, paroxetina, bupropiona e fluvoxamina. Somação anticolinérgica, sedativa, hipotensora, pró-convulsivante e de QT.

Pérola prática: Prescrever quantidade limitada se risco de overdose. Doses analgésicas baixas não devem ser contadas como ensaio antidepressivo.

Nortriptilina

Perfil: TCA secundário, menos sedativo/anticolinérgico e hipotensor que amitriptilina; permite monitorização plasmática útil.
DecisãoResumo clínico
Quando escolherDepressão resistente quando TCA é apropriado; dor neuropática em paciente que não tolera amitriptilina; idoso selecionado com ECG/nível.
IndicaçõesTDM; uso off-label em dor neuropática.
DoseIniciar 10-25 mg à noite; alvo 75-150 mg/dia; máximo 150 mg/dia na maioria das bulas. Janela plasmática terapêutica usual: 50-150 ng/mL.
Como introduzirAumentar 25 mg a cada 3-7 dias; medir nível em estado de equilíbrio após dose estável quando clinicamente indicado.

Segurança

DomínioInformação prática
Contraindicações formaisIMAO; recuperação aguda pós-infarto; hipersensibilidade.
Evitar/cautela relativaCondução/QT, cardiopatia, glaucoma, retenção urinária, constipação, quedas, epilepsia, bipolaridade e risco de overdose.
Efeitos iniciaisBoca seca, constipação, sedação leve, tremor, ortostase e taquicardia; parte melhora.
Mais propensos a persistirAnticolinérgicos, ganho de peso, sudorese e disfunção sexual podem persistir.
MonitorizaçãoECG conforme risco; PA/ortostase; nível sérico em idosos, não resposta, efeitos inesperados, doses altas, aderência/interações.

Interações e pérola

Substrato CYP2D6 sensível: inibidores fortes elevam níveis. Somação anticolinérgica, sedativa e de QT.

Pérola prática: Entre TCAs, costuma oferecer melhor relação tolerabilidade/monitorização. Evitar interpretar nível 'terapêutico' sem resposta clínica e segurança.

Imipramina

Perfil: TCA de referência para depressão e pânico; anticolinérgico, hipotensor e cardiotóxico em overdose.
DecisãoResumo clínico
Quando escolherPânico resistente a opções mais seguras; depressão resistente; enurese em contexto específico (dose pediátrica fora deste manual).
IndicaçõesTDM; pânico e enurese têm uso/evidência conforme jurisdição.
DoseIniciar 25 mg à noite; mínima eficaz aproximada 75-100 mg; alvo 75-200 mg; máximo 300 mg/dia em ambiente selecionado.
Como introduzirAumentar 25 mg a cada 3-7 dias; começar muito baixo em pânico. Dose dividida se necessário.

Segurança

DomínioInformação prática
Contraindicações formaisIMAO; fase aguda pós-infarto; hipersensibilidade.
Evitar/cautela relativaCardiopatia/QT/condução, glaucoma, retenção urinária, constipação, quedas, epilepsia, bipolaridade e risco de overdose.
Efeitos iniciaisSedação, boca seca, constipação, visão borrada, ortostase e taquicardia; ativação pode ocorrer.
Mais propensos a persistirAnticolinérgicos, ganho de peso e disfunção sexual; cardiotoxicidade permanece relevante.
MonitorizaçãoECG/PA/ortostase; nível sérico de imipramina + desipramina em casos selecionados; peso.

Interações e pérola

CYP2D6/2C19; forte elevação com inibidores 2D6/2C19. Somação anticolinérgica, sedativa, de QT e serotonérgica.

Pérola prática: Em pânico, doses iniciais usuais de depressão podem piorar adesão por ativação. Planejar dispensação segura.

Clomipramina

Perfil: TCA mais serotoninérgico e referência para TOC; maior risco de efeitos sexuais, convulsão, QT e toxicidade do que ISRS.
DecisãoResumo clínico
Quando escolherTOC após ensaios adequados de ISRS e TCC com exposição/resposta; depressão resistente selecionada.
IndicaçõesTOC; TDM em vários países.
DoseIniciar 25 mg/dia; alvo 100-250 mg; máximo 250 mg/dia. Dose mínima antidepressiva geral 75-100 mg; TOC frequentemente requer 150-250 mg.
Como introduzirAumentar 25 mg a cada 4-7 dias; após titulação, pode concentrar à noite. A resposta no TOC pode exigir 10-12 semanas.

Segurança

DomínioInformação prática
Contraindicações formaisIMAO; recuperação aguda pós-infarto; hipersensibilidade a tricíclicos.
Evitar/cautela relativaEpilepsia, QT/condução, cardiopatia, glaucoma, retenção urinária, constipação, bipolaridade, alto risco de overdose e combinações serotoninérgicas.
Efeitos iniciaisNáusea, sedação, tremor, sudorese, boca seca, constipação, ortostase; parte toleriza.
Mais propensos a persistirDisfunção sexual, sudorese, anticolinérgicos e ganho de peso frequentemente persistem; risco convulsivo aumenta com dose/nível.
MonitorizaçãoECG; PA/ortostase; níveis de clomipramina + desmetilclomipramina em doses altas, interação, idoso ou efeitos. Avaliar convulsões.

Interações e pérola

CYP2D6/2C19/3A4 e forte carga serotoninérgica. ISRS podem elevar níveis e síndrome serotoninérgica; combinações exigem expertise e monitorização.

Pérola prática: Não combinar casualmente com fluvoxamina/fluoxetina/paroxetina. Para TOC, confirme dose e duração adequadas antes de declarar falha.

Doxepina

Perfil: TCA muito anti-histamínico e anticolinérgico em dose antidepressiva; em 3-6 mg atua como hipnótico e não como antidepressivo.
DecisãoResumo clínico
Quando escolherTDM com insônia quando TCA é justificável; insônia de manutenção em formulação de baixa dose, separando objetivos.
IndicaçõesTDM; insônia em formulação/dose baixa em alguns países. No Brasil, nenhuma das duas apresentações tem registro industrializado ativo na ANVISA: o uso depende de preparação magistral, com as limitações de padronização e rastreabilidade que isso implica.
DoseTDM: iniciar 25-50 mg à noite; mínima eficaz aproximada 75-100 mg; alvo 75-300 mg; máximo 300 mg/dia. Insônia: 3-6 mg à noite, não antidepressivo.
Como introduzirAumentar 25-50 mg a cada 3-7 dias para TDM. Evitar extrapolar segurança da dose de 3-6 mg para dose antidepressiva.

Segurança

DomínioInformação prática
Contraindicações formaisIMAO; glaucoma não tratado/retenção urinária grave em algumas bulas; recuperação aguda pós-infarto; hipersensibilidade.
Evitar/cautela relativaObesidade, apneia do sono, anticolinérgicos, cardiopatia/QT, quedas, epilepsia e overdose.
Efeitos iniciaisSedação intensa, boca seca, constipação, ortostase e taquicardia.
Mais propensos a persistirSedação, anticolinérgicos e ganho de peso podem persistir; risco de condução em dose antidepressiva.
MonitorizaçãoECG/ortostase/peso em dose antidepressiva; sem monitorização semelhante em baixa dose, salvo risco clínico.

Interações e pérola

CYP2D6/1A2/3A4; somação sedativa, anticolinérgica e de QT.

Pérola prática: A mesma molécula tem dois usos farmacologicamente distintos. Registrar claramente o objetivo e não chamar 6 mg de tratamento da depressão.

IMAO

Tranilcipromina

Perfil: IMAO irreversível não seletivo, geralmente ativador, eficaz em depressão resistente/atípica; exige dieta, lista de interações e educação rigorosa.
DecisãoResumo clínico
Quando escolherDepressão resistente após estratégias mais seguras; depressão atípica; resposta prévia marcante a IMAO.
IndicaçõesTDM resistente em diversas bulas/diretrizes.
DoseIniciar 10 mg pela manhã + 10 mg ao meio-dia; alvo 30-60 mg/dia; máximo licenciado comum 60 mg/dia. Evitar dose tardia.
Como introduzirAumentar 10 mg a cada 1-3 semanas conforme PA/efeitos. Respeitar washout de 5 meias-vidas do antidepressivo anterior; 5 semanas após fluoxetina.

Segurança

DomínioInformação prática
Contraindicações formaisQualquer serotonérgico/releasor proibido; simpaticomiméticos; meperidina, tramadol, dextrometorfano e diversos opioides; outros IMAO; feocromocitoma; alimento com alta tiramina. Lista exata deve ser conferida em fonte de interação atualizada.
Evitar/cautela relativaDoença cardiovascular/cerebrovascular, hipertensão, hepatopatia, epilepsia, baixo peso, insônia, incapacidade de aderir à dieta/alerta médico e risco de overdose.
Efeitos iniciaisOrtostase, insônia, agitação, cefaleia, boca seca; ortostase pode atenuar parcialmente.
Mais propensos a persistirInsônia, disfunção sexual, edema e ganho/perda de peso variáveis; restrições permanecem durante uso e 14 dias após.
MonitorizaçãoPA sentada/em pé; peso; função hepática conforme risco; revisar medicamentos prescritos, OTC, fitoterápicos e alimentos em cada visita.

Interações e pérola

Risco de síndrome serotoninérgica ou crise hipertensiva. Evitar descongestionantes, estimulantes e anestésicos/analgésicos incompatíveis; portar cartão de alerta.

Pérola prática: Erro de interação pode ser fatal. A prescrição só é segura com checklist escrito, plano de urgência e coordenação com outros médicos/dentista.

Antidepressivos de ação rápida

Escetamina intranasal

Perfil: Antagonista NMDA de ação rápida administrado em serviço credenciado, sempre com observação; não é substituto de um plano longitudinal.
DecisãoResumo clínico
Quando escolherDepressão resistente ou episódio com necessidade de resposta rápida, conforme indicação regulatória, após avaliação de risco e acesso a monitorização.
IndicaçõesTDM resistente em associação a antidepressivo oral; algumas bulas incluem sintomas depressivos com ideação/comportamento suicida agudo, sem prova de prevenir suicídio.
DoseIndução usual 56 mg na primeira sessão, depois 56 ou 84 mg duas vezes/semana por 4 semanas; manutenção semanal e depois a cada 1-2 semanas, individualizada pela bula.
Como introduzirAdministração supervisionada. Não dirigir até o dia seguinte após sono reparador. Jejum e restrição de líquidos conforme protocolo do produto.

Segurança

DomínioInformação prática
Contraindicações formaisDoença vascular aneurismática, malformação arteriovenosa ou história de hemorragia intracerebral em várias bulas; hipersensibilidade a cetamina/escetamina.
Evitar/cautela relativaHipertensão não controlada, psicose, transtorno por uso de substâncias, gravidez, doença cardiovascular/respiratória, aumento de pressão intracraniana e risco de sedação.
Efeitos iniciaisDissociação, tontura, náusea, sedação, vertigem e elevação transitória de PA; costumam resolver no período de observação.
Mais propensos a persistirEfeitos agudos não costumam persistir; uso repetido exige vigilância de sintomas urinários, cognição e uso indevido.
MonitorizaçãoPA antes e após, nível de consciência e dissociação por pelo menos 2 h; oximetria conforme protocolo. Urina se sintomas/uso prolongado; rastrear uso de substâncias.

Interações e pérola

Depressores do SNC aumentam sedação; psicoestimulantes/IMAO podem elevar PA. Álcool deve ser evitado.

Pérola prática: A sessão exige logística e plano de transporte. A melhora rápida não elimina monitorização de suicídio nem tratamento de manutenção.

Parte VI - Situações especiais

Idoso

  • Começar mais baixo e subir mais devagar, sem manter indefinidamente dose subterapêutica.
  • Priorizar baixa carga anticolinérgica e ortostática; paroxetina e TCAs geralmente são escolhas ruins.
  • Sódio basal e após início/aumento em risco; avaliar quedas, cognição, sangramento e QT.
  • Sertralina, escitalopram e mirtazapina são opções frequentes, mas a escolha depende de sódio, peso, sono e interações.
  • Reavaliar função renal/hepática e todas as medicações, inclusive OTC.

Doença cardiovascular

  • Sertralina tem amplo uso e evidência em doença coronariana; escitalopram pode ser apropriado com avaliação de QT.
  • Evitar TCA após infarto, em bloqueio de condução ou alto risco arrítmico.
  • Citalopram exige atenção especial a dose, idade, QT e eletrólitos.
  • IRSN e bupropiona pedem PA/FC; controlar hipertensão antes.
  • Síncope, palpitação nova ou história familiar de morte súbita justificam ECG/avaliação.

Epilepsia e risco convulsivo

Preferência relativaMaior cautelaEvitar / contraindicado
Sertralina, escitalopram, fluoxetina e mirtazapina em dose usual, individualizando.TCA, venlafaxina, estimulantes, múltiplos pró-convulsivantes.Bupropiona em epilepsia; clomipramina em alto risco.

Corrigir privação de sono, álcool/abstinência, distúrbio eletrolítico e interações. Convulsão associada à bupropiona implica suspensão e não reintrodução.

Insuficiência hepática e renal

CondiçãoImplicação
Hepatopatia ativaAgomelatina é incompatível; duloxetina deve ser evitada em doença hepática relevante/álcool substancial. Usar dose menor/intervalo maior de agentes hepatometabolizados.
TFG <30 mL/minEvitar duloxetina em várias bulas; reduzir desvenlafaxina e avaliar venlafaxina/bupropiona. Não presumir segurança pela ausência de exame rotineiro.
DiáliseRequer fonte específica e, idealmente, farmácia clínica; evidência para várias moléculas é limitada.

Gestação e lactação

Princípio: Nem doença não tratada nem exposição medicamentosa são neutras. Não classificar antidepressivo como 'seguro' ou 'proibido' sem contexto; usar decisão compartilhada, histórico de resposta, trimestre, dose e fonte perinatal atualizada.
  • Evitar troca automática em paciente estável apenas por teste positivo; recaída também causa risco materno-fetal.
  • Sertralina é frequentemente preferida na lactação por baixa exposição infantil, quando clinicamente adequada.
  • Paroxetina costuma não ser primeira escolha para iniciar na gestação, mas suspensão abrupta de paciente estável pode ser pior.
  • Agomelatina, vilazodona, vortioxetina e tianeptina têm base perinatal menor que ISRS mais antigos.
  • Próximo ao parto, discutir adaptação neonatal, hemorragia e hipertensão pulmonar persistente sem alarmismo e com obstetrícia/pediatria.

Depressão bipolar e características mistas

  • Antidepressivo em monoterapia não é tratamento padrão da depressão bipolar I.
  • Evitar/retirar em mania, estado misto, ciclagem rápida ou piora consistente com antidepressivo.
  • Quando usado em bipolaridade selecionada, fazê-lo com estratégia estabilizadora e vigilância de sono, energia, impulsividade e aceleração.
  • IRSN e TCA podem ter maior preocupação de virada que alguns ISRS/bupropiona, embora o risco dependa do paciente e da proteção do humor.

Troca, retirada e combinações

Escolher a estratégia de troca

EstratégiaQuandoRisco principal
DiretaAlguns ISRS/IRSN em doses usuais e baixo risco de interação.Retirada do primeiro ou efeitos do segundo.
Troca cruzadaBaixo risco farmacodinâmico e necessidade de continuidade.Somação serotoninérgica/CYP; não usar com IMAO.
Reduzir e iniciarHistória de sensibilidade, dose alta, incerteza.Intervalo de subtratamento menor.
WashoutIMAO, fluoxetina, interação grave, reação adversa.Recorrência durante intervalo; requer plano.
IMAO: Nunca usar troca cruzada. Em geral, aguardar 14 dias entre IMAO irreversível e serotonérgico; após fluoxetina, aguardar pelo menos 5 semanas antes de IMAO. Considerar meia-vida, metabólitos e bula específica.

Risco de síndrome de retirada

RiscoMoléculasImplicação
AltoParoxetina, venlafaxina.Redução lenta; formulações menores; evitar dias alternados.
IntermediárioCitalopram, escitalopram, sertralina, fluvoxamina, duloxetina, desvenlafaxina, vilazodona, TCA/IMAO.Taper em semanas a meses, individual.
Baixo/mínimoFluoxetina, bupropiona, mirtazapina, vortioxetina, agomelatina.Ainda pode ocorrer; considerar duração e experiência prévia.
  • FINISH: sintomas gripais, insônia, náusea, desequilíbrio, alterações sensoriais e hiperativação.
  • Retirada começa em dias, inclui sintomas físicos incomuns na recaída e melhora rapidamente ao restaurar dose; recaída tende a surgir mais lentamente.
  • Se sintomas forem intensos, voltar à última dose tolerada e reduzir em passos menores.
  • Redução hiperbólica é farmacologicamente plausível, mas a evidência de ECR ainda é insuficiente; pode ser individualmente útil com formulação líquida/manipulada.
  • Dias alternados geram oscilação e costumam ser ruins para fármacos de meia-vida curta.

Combinar antidepressivos

A metanálise de Henssler et al. [10] encontrou benefício médio para combinações, especialmente um inibidor de recaptação com antagonista de autorreceptor alfa-2 (mirtazapina). O resultado não justifica combinação automática: há heterogeneidade, mais carga de efeitos e pouca evidência para manutenção.

CombinaçãoPossível utilidadeRiscos / observações
ISRS/IRSN + mirtazapinaResposta parcial, insônia, apetite baixo.Peso/sedação; benefício não é garantido.
ISRS/IRSN + bupropionaFadiga, sexual, resposta parcial.PA, ansiedade, insônia, CYP2D6, convulsão.
ISRS + TCACasos especializados.CYP/nível, QT, serotonina; evitar improviso.
Clomipramina + ISRSTOC ultrarresistente em especialista.Convulsão, QT, síndrome serotoninérgica, níveis muito elevados.
Qualquer serotonérgico + IMAONenhuma rotina segura.Contraindicado; potencial fatal.
Antes de combinar: Confirmar diagnóstico, adesão, dose/duração, substâncias, comorbidade e resposta parcial real. Trocar tende a ser preferível quando há zero resposta ou efeito adverso problemático; adjuntar faz mais sentido quando há benefício parcial bem tolerado.

Apêndice A - Doses de consulta rápida

Leitura: Início = dose de tolerabilidade; mínima = menor dose com eficácia populacional reconhecida; alvo = faixa de ensaio; máximo = limite usual. Ajustes por idade, fígado, rim, interação e formulação prevalecem.
MoléculaInício (mg/d)Mínima (mg/d)Alvo (mg/d)Máximo/nota
Escitalopram5-101010-2020
Citalopram10-202020-4040; 20 em grupos de risco
Sertralina25-505050-200200
Fluoxetina10-202020-6080 bula; 60 usual
Paroxetina10-202020-5050-60 conforme indicação / formulação
Fluvoxamina25-5050100-300300
Venlafaxina XR37,57575-225225 XR usual
Desvenlafaxina25-505050-100100 prático
Duloxetina306060-120120
Bupropiona XL150150300300-450 conforme formulação
Mirtazapina1530 (15 em alguns)30-4545; 60 em algumas diretrizes
Vortioxetina5-101010-2020
Agomelatina252525-5050
Trazodona (TDM)50-100150150-300400 amb.; 600 internado
Vilazodona102020-4040
Tianeptina IR37,537,537,537,5; dividir em 3 tomadas de 12,5 mg
Amitriptilina10-2575-10075-150300
Nortriptilina10-257575-150150
Imipramina2575-10075-200300
Clomipramina2575-100100-250250
Doxepina (TDM)25-5075-10075-300300
Tranilcipromina2020-3030-6060

Faixas: CANMAT [1], Maudsley [2] e monografias regulatórias [13,14].

Disponibilidade: esta revisão foi limitada a antidepressivos com apresentação comercial no Brasil. Moléculas sem registro nacional ativo não constam do manual, ainda que apareçam em diretrizes internacionais.

TCA: para amitriptilina, imipramina e doxepina, 300 mg/dia é limite de exceção em contexto selecionado e monitorizado; a faixa usual de bula brasileira é bem menor.

Tianeptina consta apenas neste apêndice, sem ficha própria: conferir bula e fonte de interações antes de prescrever.

Apêndice B - Alertas que exigem ação

AlertaSuspeitaAção
Clônus + hiperreflexia + agitação / febreSíndrome serotoninérgica.Suspender serotonérgicos e encaminhar com urgência.
Euforia / aceleração + menor sonoVirada maníaca/misto.Interromper escalada; tratar episódio e revisar bipolaridade.
Confusão / queda / convulsão no primeiro mêsHiponatremia.Sódio urgente; suspender/tratar conforme gravidade.
Síncope / palpitaçãoArritmia / QT / ortostase.ECG, eletrólitos, PA e revisão medicamentosa.
Icterícia / colúria / dor HD/fadiga novaHepatotoxicidade.Suspender suspeito e avaliar fígado.
Ereção >4 hPriapismo por trazodona / outros.Emergência urológica imediata.
Convulsão com bupropionaEfeito adverso grave.Suspender e não reintroduzir.
Dor torácica / cefaleia súbita após IMAOCrise hipertensiva.Emergência; revisar tiramina/simpaticomimético.
Melena / hematêmese / neurológico focalSangramento.Emergência; revisar ISRS/IRSN + anticoagulante/AINE.
Ideação suicida nova com ativação / acatisiaRisco agudo.Reavaliar imediatamente, reduzir/suspender causador e criar plano de segurança.

Parte VII - Referências e método

Referências nucleares

  1. Lam RW, Kennedy SH, Adams C, et al. CANMAT 2023 Update on Clinical Guidelines for Management of Major Depressive Disorder in Adults. Can J Psychiatry. 2024;69:641-687. doi:10.1177/07067437241245384.
  2. Taylor DM, Barnes TRE, Young AH. The Maudsley Prescribing Guidelines in Psychiatry. 15th ed. Wiley-Blackwell; 2025.
  3. Cipriani A, Furukawa TA, Salanti G, et al. Comparative efficacy and acceptability of 21 antidepressant drugs for acute treatment of adults with major depressive disorder: network meta-analysis. Lancet. 2018;391:1357-1366. doi:10.1016/S0140-6736(17)32802-7.
  4. Pillinger T, Howes OD, Correll CU, et al. Antidepressant and antipsychotic side-effects and personalised prescribing: systematic review and digital tool development. Lancet Psychiatry. 2023;10:860-876. doi:10.1016/S2215-0366(23)00262-6.
  5. Pillinger T, Arumuham A, McCutcheon RA, et al. The effects of antidepressants on cardiometabolic and other physiological parameters: systematic review and network meta-analysis. Lancet. 2025;406:2063-2077. doi:10.1016/S0140-6736(25)01293-0.
  6. National Institute for Health and Care Excellence. Depression in adults: treatment and management (NG222). 2022; surveillance review January 2026: recommendations not updated.
  7. Goldberg JF, Ernst CL. Managing the Side Effects of Psychotropic Medications. 2nd ed. American Psychiatric Association Publishing; 2019.
  8. Bousman CA, Stevenson JM, Ramsey LB, et al. CPIC Guideline for serotonin reuptake inhibitor antidepressants and CYP2D6, CYP2C19, CYP2B6 and SLC6A4/HTR2A. Clin Pharmacol Ther. 2023;114:51-68. doi:10.1002/cpt.2903.
  9. Hicks JK, Sangkuhl K, Swen JJ, et al. CPIC guideline for CYP2D6 and CYP2C19 genotypes and dosing of tricyclic antidepressants: 2016 update. Clin Pharmacol Ther. 2017.
  10. Henssler J, Alexander D, Schwarzer G, Bschor T, Baethge C. Combining antidepressants vs antidepressant monotherapy for acute depression: systematic review and meta-analysis. JAMA Psychiatry. 2022;79:300-312. doi:10.1001/jamapsychiatry.2021.4313.
  11. Lewis G, Marston L, Duffy L, et al. Maintenance or discontinuation of antidepressants in primary care. N Engl J Med. 2021;385:1257-1267. doi:10.1056/NEJMoa2106356.
  12. Taylor MJ, Rudkin L, Bullemor-Day P, Lubin J, Chukwujekwu C, Hawton K. Strategies for managing sexual dysfunction induced by antidepressant medication. Cochrane Database Syst Rev. 2013;(5):CD003382. doi:10.1002/14651858.CD003382.pub3.
  13. DailyMed. Current US prescribing information for escitalopram, fluoxetine, bupropion, duloxetine, venlafaxine, trazodone and other individual products. Accessed July 26, 2026.
  14. Therapeutic Goods Administration (Australia). Agomelatine/Valdoxan: product information and Australian Public Assessment Report; contraindications and liver monitoring. Accessed July 26, 2026.
  15. Brasil. Associação Brasileira de Psiquiatria. Tratado de Psiquiatria. 2022.
  16. Universidade de São Paulo. Clínica Psiquiátrica. 2a ed. 2021; volume 3 e material correlato fornecido.
  17. Quevedo J, et al. Neurobiologia dos Transtornos Psiquiátricos. Material fornecido.
  18. Psicofarmacologia Clínica: Bases Neurocientíficas e Aplicações Práticas. Material fornecido.
  19. Psicofarmacologia Prática. Material fornecido.
  20. Keks N, Hope J, Keogh S. Switching and stopping antidepressants. Aust Prescr. 2016;39:76-83.

Método editorial

  • Autoria e responsabilidade editorial: Cecília Franco, Ricardo Kadi e Tomaz Eugenio.
  • Prioridade: diretrizes baseadas em revisão sistemática, metanálises em rede, ECRs, documentos regulatórios e farmacologia clínica reconhecida.
  • Tabelas e sínteses são autorais; não foram copiadas figuras ou tabelas protegidas.
  • Contraindicações formais foram separadas de situações de cautela relativa.
  • Doses divergentes foram apresentadas com o contexto (usual, bula, formulação ou diretriz).
  • Condutas com baixa certeza foram rotuladas como off-label, consenso ou evidência limitada.
  • A busca complementar foi atualizada até 26 de julho de 2026. A vigilância NICE de janeiro de 2026 não modificou as recomendações do NG222.

Limitações

  • Disponibilidade comercial, nomes de marca e textos de bula variam e podem mudar; confirmar ANVISA e bula do produto prescrito.
  • A maior parte da evidência de eficácia aguda dura 6-12 semanas; efeitos de manutenção podem diferir.
  • Comparações de efeitos adversos combinam ECRs, coortes, bulas e consenso; ausência de sinal não prova ausência de risco.
  • Gestação, lactação, infância/adolescência, diálise, farmacogenética complexa e IMAO exigem consulta a fonte específica atualizada.
  • Este manual não substitui avaliação individual, base de interações em tempo real ou monitorização clínica.
Mensagem final: O melhor antidepressivo não é o mais novo nem o primeiro de um ranking: é o que combina evidência, segurança, preferência, comorbidade, histórico de resposta e capacidade real de monitorização.

Psiquiatria em Movimento

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