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Psiquiatria em Movimento
Psiquiatria em Movimento
Biblioteca do aluno

Roteiro de efeitos adversos

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Psiquiatria em Movimento
Efeitos adversos de antipsicóticos
PSIQUIATRIA EM MOVIMENTO · BIBLIOTECA DO ALUNO

◀ Calculadoras e Escalas

Sumário

Roteiro de entrevista · versão preliminar

Efeitos adversos de antipsicóticos

Roteiro estruturado de rastreamento em nove domínios, com ficha de caracterização para cada item positivo, sinais de alarme com precedência e prioridade P0–P3 por regra aberta. Sem escore total.

REAA-PQM · Psiquiatria em Movimento · versão preliminar 1.0
Instrumento preliminar, em desenvolvimentoRoteiro original do Psiquiatria em Movimento (REAA-PQM, versão 1.0). Não é versão, tradução, adaptação nem equivalente da GASS, GASS-C, UKU, SMARTS, FIBSER, ANNSERS, SALSEX ou de qualquer outra escala. Não possui validação brasileira, não tem pontos de corte estudados e não deve gerar diagnóstico, causalidade ou conduta farmacológica automática. Serve como apoio à entrevista, à anamnese e ao monitoramento longitudinal.

Como este roteiro funciona

  • Triagem breve, aprofundamento só no que for positivo. Cada "sim" abre uma ficha de caracterização do evento; os "não" seguem adiante sem interromper a conversa.
  • Presença, gravidade, incômodo, impacto, temporalidade e segurança são campos separados. Um efeito pode ser leve e insuportável, ou grave e bem tolerado.
  • Não existe escore total. Efeitos adversos são clinicamente heterogêneos: somá-los trataria coisas incomparáveis como se fossem uma dimensão só.
  • Sinal de alarme tem precedência sobre qualquer classificação de gravidade ou carga global.
  • Escalas específicas entram como módulos à parte — AIMS, BARS, SAS, SALSEX —, apenas quando indicadas e com direito de uso confirmado.
Janela temporalPara sintomas de início rápido, explorar o período desde a última consulta, com ênfase nos últimos 14 dias. Para alterações graduais — peso, cintura, metabolismo, ciclo menstrual, função sexual — comparar com a avaliação anterior e com o estado antes do início ou da última mudança do antipsicótico.

Sinais de alarme

Verificar no início e durante toda a entrevista. Diante de qualquer um deles, o roteiro pode ser interrompido.

  • Febre com rigidez intensa, alteração do estado mental ou instabilidade autonômica.
  • Distonia com dificuldade para respirar, falar ou engolir.
  • Convulsão, perda de consciência ou rebaixamento importante do nível de consciência.
  • Síncope, dor torácica, falta de ar importante ou palpitação persistente associada a instabilidade.
  • Constipação com dor ou distensão abdominal, vômitos ou parada de fezes e gases — sobretudo com clozapina.
  • Sedação grave com queda, engasgo, suspeita de aspiração ou comprometimento respiratório.
  • Reação alérgica com edema de face ou língua, dificuldade respiratória, bolhas ou comprometimento de mucosas.
  • Inquietação motora intensa associada a desespero, impulsividade ou risco de autoagressão ou suicídio.
  • Ereção dolorosa ou prolongada.
  • Em uso de clozapina: sinais de infecção, sintomas cardiopulmonares no início ou na titulação, ou outra situação prevista no protocolo vigente.

Lista não exaustiva. A avaliação de urgência considera o medicamento específico, a titulação, comorbidades, coadministração e protocolos locais.

Aplicar o roteiro

1. Contexto terapêutico

2. Pergunta aberta inicial

Depois do início ou da última mudança do tratamento, você percebeu alguma alteração no corpo, no sono, no pensamento, nos movimentos, na sexualidade ou no funcionamento do dia a dia que gostaria de discutir?

3. Triagem por domínios

Leia as perguntas com naturalidade, adaptando a linguagem ao paciente. Marque "sim" quando houver aparecimento ou piora clinicamente relevante — todo "sim" abre a ficha de caracterização.

5. Carga global percebida pelo paciente

Registrada separadamente: não entra em nenhuma soma e não tem ponto de corte clínico.

—
—
—

7. Prioridade clínica

Prioridade sugerida pela regra P0 — rotina —
A prioridade pode ser elevada a qualquer momento — rebaixar, não. Com sinal de alarme, P3 é o mínimo.

A regra de prioridade, aberta

A prioridade é um organizador de fluxo, não uma medida validada de gravidade, e não substitui julgamento clínico. A regra está escrita aqui para que ninguém precise adivinhar como o número apareceu.

PrioridadeQuando a regra a atribui
P0 — rotinaNenhum item positivo; manter o monitoramento programado.
P1 — acompanharHá item positivo, mas sem risco, sem limitação funcional e sem ameaça à adesão; registrar e reavaliar.
P2 — revisar prioritariamenteAlgum evento com gravidade ≥ 2, impacto funcional ≥ 2 ou evolução "piorando"; ou IA1, IA2 ou ES7 positivos.
P3 — avaliação urgenteQualquer sinal de alarme presente, independentemente dos demais campos.

8. Monitoramento objetivo complementar

O roteiro de sintomas não substitui exame físico, exames laboratoriais, ECG ou protocolos específicos do medicamento.

ParâmetroObservação
Peso e IMCBasal e seguimento conforme diretriz, risco e medicamento.
Circunferência abdominalBasal e seguimento, quando aplicável.
Pressão arterial e pulsoIncluir medida ortostática diante de sintomas ou risco.
Glicemia e/ou HbA1cConforme protocolo e risco cardiometabólico.
Perfil lipídicoConforme protocolo e risco cardiometabólico.
ProlactinaConforme sintomas, medicamento e protocolo; interpretar clinicamente.
ECG e QTcQuando indicado por risco, medicamento, dose, associação ou sintomas.
Exame de movimentosBasal e periódico; abrir AIMS, BARS ou SAS conforme achado e disponibilidade licenciada.
Hemograma e neutrófilosObrigatório conforme protocolo da clozapina; não depender do roteiro de sintomas.
Função intestinal na clozapinaRegistrar hábito basal, última evacuação e evolução; sintomas graves acionam urgência.
Outros examesDefinidos pelo antipsicótico, comorbidades, idade, gestação, sintomas e protocolo local.

12. Fundamentação e independência

O que informou o desenho do roteiro, e o que foi deliberadamente deixado de fora. Esta matriz acompanha a documentação científica e jurídica do instrumento.

FontePrincípio consideradoNão incorporado
UKUCobertura multidomínio; avaliação individual; distinção entre gravidade, impacto e relação com o fármaco.Redação, ordem, âncoras e pontuação dos 48 itens; total global.
SMARTSTriagem pragmática e uso do relato do paciente como início da conversa clínica.Perguntas, lista e formato originais.
GASS e GASS-CImportância da carga subjetiva e de um ramo específico para clozapina.Itens, sequência, respostas, escore, faixas de interpretação e alegação de equivalência.
FIBSERSeparação conceitual entre intensidade, frequência e interferência global.Perguntas e âncoras de sete pontos; uso como escala FIBSER.
ANNSERS e SALSEXBusca ativa de efeitos autonômicos, endócrinos, metabólicos e sexuais subnotificados.Itens, algoritmo e pontuação próprios dos instrumentos.
AIMS, BARS e SASNecessidade de exame motor específico quando a triagem é positiva.Conteúdo das escalas dentro do roteiro; só abrir versão autorizada e adequadamente traduzida.
WHO-UMCTemporalidade, retirada, causas alternativas e incerteza na avaliação de causalidade.Causalidade automática ou quantitativa; alegação de prova causal.
APA e NICEMonitoramento físico, metabólico, laboratorial e individualizado.Cronograma rígido universal fora do contexto clínico e do protocolo local.
Nota psicométricaComo os eventos adversos são heterogêneos, um alfa de Cronbach global alto não deve ser o objetivo central. A prioridade é validade de conteúdo, confiabilidade por domínio e por item, concordância entre avaliadores, validade convergente e responsividade.

13. O que falta para validar

  1. Escopo e direitos: confirmar que nenhum item reproduz expressão protegida e documentar as licenças dos módulos externos.
  2. Validade de conteúdo: painel multiprofissional e de pacientes, avaliando relevância, clareza, abrangência e redundância.
  3. Entrevistas cognitivas: verificar compreensão, aceitabilidade e segurança, incluindo os itens de sexualidade e os sinais de alarme.
  4. Piloto de usabilidade: tempo de aplicação, itens não respondidos, alertas falsos e integração ao fluxo clínico.
  5. Confiabilidade: teste-reteste com paciente clinicamente estável e concordância entre avaliadores nos itens observacionais.
  6. Validade convergente: comparar domínios, sob licenças adequadas, com UKU ou GASS — sem usar correlação para alegar equivalência.
  7. Validade clínica e responsividade: identificação de eventos relevantes, mudança após intervenções e associação com impacto e adesão.
  8. Governança: controle de versão, registro de alterações, revisão periódica de segurança, auditoria e canal de notificação de incidentes.

14. Limitações e aviso de uso

  • Versão preliminar, ainda sem estudo de validade, confiabilidade, responsividade ou pontos de corte no Brasil.
  • Não substitui anamnese completa, exame físico, avaliação diagnóstica, protocolos de farmacovigilância ou monitoramento específico do medicamento.
  • Um sintoma pode decorrer do transtorno psiquiátrico, de outra condição clínica, de substâncias ou de outro medicamento — o roteiro identifica suspeitas, não prova causalidade.
  • A publicação ou comercialização deve passar por revisão jurídica de propriedade intelectual e revisão regulatória, especialmente se o software emitir recomendações individualizadas.
  • Qualquer mudança de tratamento exige decisão clínica individualizada e compartilhada.

Referências

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