0
Skip to Content
Your Site Title
Home
Comunidade
Formação
Experiência
Trilhas Formativas
Quem somos
Conteúdos
Entrar na turma
Conteúdos exclusivos
Your Site Title
Home
Comunidade
Formação
Experiência
Trilhas Formativas
Quem somos
Conteúdos
Entrar na turma
Conteúdos exclusivos
Home
Comunidade
Formação
Experiência
Trilhas Formativas
Quem somos
Conteúdos
Entrar na turma
Conteúdos exclusivos
Psiquiatria em Movimento
Psiquiatria em Movimento
Biblioteca do aluno

Troca Cruzada de Antidepressivos

Acesso restrito a alunos cadastrados. Informe seu e-mail e a senha de acesso para usar esta calculadora.

E-mail ou senha inválidos. Verifique os dados ou entre em contato com a coordenação.
◀ Voltar a Calculadoras e Escalas
Esta ferramenta é de uso exclusivo do aluno matriculado. O acesso é monitorado e identificado por e-mail e data — não é permitido copiar ou compartilhar este conteúdo.
Psiquiatria em Movimento
Troca Cruzada de Antidepressivos
PSIQUIATRIA EM MOVIMENTO · BIBLIOTECA DO ALUNO

◀ Calculadoras e Escalas

Sumário

Calculadora clínica + guia de referência

Troca Cruzada de Antidepressivos

Estratégia, cronograma sugerido e alertas de segurança para a troca entre antidepressivos — incluindo as janelas obrigatórias sem medicação (ex.: IMAOs) — segundo Maudsley 15ª ed., Keks 2016 e Boyce 2020.

Psiquiatria em Movimento · uso em consulta · instrumento de auxílio — não substitui avaliação clínica

Calculadora de troca cruzada

Selecione o antidepressivo (e a dose) em uso e o antidepressivo de destino. A ferramenta indica a estratégia recomendada — troca direta, titulação cruzada, suspensão sequencial ou janela obrigatória sem antidepressivo (washout) — com um cronograma sugerido e os alertas de segurança de cada combinação, a partir do Maudsley 15ª ed. (Tabela 3.7), de Keks et al. 2016 e de Boyce et al. 2020.

⚠️ Instrumento de auxílio à decisão — não substitui a avaliação clínica. As recomendações abaixo são derivadas de diretrizes publicadas e são parcialmente teóricas; fatores individuais (idade, comorbidades, interações com outros fármacos, gestação, função hepática/renal, tempo de uso, gravidade do quadro e risco de recaída) exigem adaptação por médico responsável, com monitorização próxima durante toda a troca. Toda troca de antidepressivo pode causar sintomas de retirada, recaída ou interações graves, incluindo síndrome serotoninérgica.

Quando considerar a troca

Antes de trocar, reavalie o básico: o diagnóstico está correto? A dose está otimizada e o tempo de tratamento foi adequado? O paciente está de fato tomando a medicação? Até dois terços dos pacientes com depressão maior não respondem ao primeiro antidepressivo, e cerca de um quarto dos que trocam para um segundo fármaco alcançam remissão.

O grupo de Boyce et al. (2020) recomenda considerar a troca quando há melhora mínima (<20%) após cerca de 3 semanas em dose adequada do antidepressivo inicial. A evidência (STAR*D; Souery et al.; meta-análise de Papakostas — NNT de 22 para troca entre classes) não demonstra vantagem robusta de trocar dentro ou fora da classe; como orientação prática, os autores sugerem troca dentro da classe na depressão leve a moderada e troca para um agente de ação dual ou ampla (SNRI, NaSSA, tricíclico) na depressão grave ou melancólica. Se o segundo antidepressivo também falhar, o caminho passa por reavaliação diagnóstica completa, potencialização e, quando indicado, ECT — não por trocas sucessivas indefinidas.

As quatro estratégias de troca

Técnicas de troca entre antidepressivos (adaptado de Keks et al., 2016, Tabela 2). Nenhuma delas se aplica aos IMAOs irreversíveis, que exigem as janelas estritas indicadas pela calculadora.
EstratégiaComo fazerComentário
ConservadoraReduzir gradualmente e suspender; janela sem fármaco de ~5 meias-vidas; iniciar o novo na dose inicial recomendada.Menor risco de interação; sintomas de retirada podem ocorrer; período sem tratamento com risco de recaída. Adequada à atenção primária.
ModeradaReduzir gradualmente e suspender; janela encurtada para ~2–4 dias; iniciar o novo em dose baixa.Risco de interação um pouco maior, ainda baixo. Também adequada à atenção primária.
DiretaParar o primeiro; iniciar o segundo no dia seguinte em dose terapêutica usual.Rápida e simples, mas exige expertise: viável apenas em combinações selecionadas (ex.: entre ISRSs de meia-vida curta). Risco substancial de interação conforme o par.
Titulação cruzadaReduzir o primeiro enquanto o segundo é introduzido em dose baixa e titulado; suspender o primeiro ao final.Preferida quando o risco de recaída é alto (Boyce 2020; Maudsley). Exige vigilância para interações e efeitos aditivos; impossível ou contraindicada em várias combinações (ver calculadora).

Meias-vidas dos antidepressivos

A meia-vida do fármaco que sai define a duração do washout (regra prática: ~5 meias-vidas) e o risco de sintomas de retirada — quanto mais curta, maior o risco. Venlafaxina e paroxetina são os mais problemáticos; a fluoxetina raramente causa retirada (autodesmame pela meia-vida longa), mas segue interagindo por ~5 semanas após a suspensão.

Meias-vidas aproximadas (Keks et al., 2016, Tabela 1; valores em dias, convertidos quando útil).
FármacoMeia-vida aproximadaFármacoMeia-vida aproximada
Agomelatina1–2 hMianserina0,9–2,5 dias
Amitriptilina0,2–1,9 diaMirtazapina0,8–1,6 dia
Citalopram~1,5 diaMoclobemida~2 h
Clomipramina0,6–2,5 diasNortriptilina0,8–2,3 dias
Desvenlafaxina~0,4 diaParoxetina~1 dia
Dosulepina~2,1 diasReboxetina~0,5 dia
Doxepina0,4–1 diaSertralina1,1–1,3 dia
Duloxetina~0,5 diaTranilciprominaatividade biológica persiste 14–21 dias*
Escitalopram~1,5 diaTrimipramina0,6–1,6 dia
Fenelzinaatividade biológica persiste 14–21 dias*Venlafaxina~0,6 dia (com metabólito ativo)
Fluoxetina4–16 dias (com norfluoxetina)Vortioxetina2,4–2,8 dias
Fluvoxamina~0,6 diaImipramina0,2–1,3 dia

* Para IMAOs irreversíveis, o que importa não é a meia-vida plasmática, e sim a inibição enzimática irreversível: a atividade biológica (e as restrições dietéticas) persiste por 14–21 dias após a suspensão, até a ressíntese da MAO.

Síndrome serotoninérgica

Pode ocorrer com um único serotonérgico em dose terapêutica, mas é muito mais comum na combinação de serotonérgicos ou em superdosagem. Muitos casos graves envolvem um IMAO (inclusive moclobemida) associado a um ISRS — daí as janelas obrigatórias sem sobreposição. A prevenção é minimizar a sobreposição de serotonérgicos potentes; o reconhecimento precoce é essencial.

Gravidade crescente da síndrome serotoninérgica (Maudsley, 15ª ed.).
GravidadeSintomas
LeveInsônia, ansiedade, náusea, diarreia, hipertensão, taquicardia, hiper-reflexia
ModeradaAgitação, mioclonia, tremor, midríase, rubor, sudorese, febre baixa (<38,5 °C)
GraveHipertermia grave, confusão, rigidez, insuficiência respiratória, coma, morte

Regras gerais (Maudsley, 15ª ed.)

  • Evite a retirada abrupta do primeiro fármaco, exceto após evento adverso grave. A titulação cruzada é habitualmente a preferida; sua velocidade é ditada pela tolerabilidade, e reduções hiperbólicas prolongadas podem ser necessárias se surgirem sintomas de retirada.
  • Nem toda combinação admite sobreposição: em alguns pares a coadministração é absolutamente contraindicada, mesmo em titulação cruzada (a calculadora sinaliza esses casos).
  • Uso por menos de 3–4 semanas: a interrupção abrupta costuma ser segura, com início do novo fármaco no dia seguinte.
  • Antes de troca direta, reduza o fármaco atual até a dose mínima eficaz reconhecida.
  • Troca "parar-iniciar" para fluoxetina merece cautela: a fluoxetina leva 1–2 semanas para atingir níveis de equilíbrio; trocar 20 mg de paroxetina por 20 mg de fluoxetina equivale, no início, a uma redução de ~80% da atividade farmacológica — sintomas de retirada são quase inevitáveis.
  • Na sobreposição, mantenha a soma das doses <100% da dose máxima combinada (ex.: 50% da dose máxima de um + 50% da do outro), na ausência de interações farmacocinéticas inibitórias.
  • Perigos da coadministração: interações farmacodinâmicas (síndrome serotoninérgica, hipotensão, sedação) e farmacocinéticas (elevação de níveis plasmáticos por inibição de CYPs — fluvoxamina/CYP1A2; fluoxetina, paroxetina e bupropiona/CYP2D6).
  • Agomelatina não causa síndrome de descontinuação nem atenua a retirada de outros antidepressivos; não coadministrar com fluvoxamina (nem viloxazina).

Avisos importantes e limitações

Esta ferramenta é um instrumento educacional de auxílio à decisão, dirigido a médicos. As recomendações da Tabela 3.7 do Maudsley derivam parcialmente de informação de fabricantes e dados publicados e são parcialmente teóricas; as próprias fontes advertem que todo cronograma deve ser adaptado ao paciente (idade, comorbidades clínicas e psiquiátricas, gestação e lactação, função hepática e renal, demais fármacos em uso, tempo de tratamento, gravidade do quadro, histórico de retirada difícil e risco de suicídio) e conduzido sob observação próxima. Períodos sem antidepressivo trazem risco real de recaída e exacerbação — planeje monitorização, rede de apoio e acesso rápido a atendimento. Em caso de dúvida, escolha a estratégia mais conservadora. A disponibilidade comercial e as apresentações citadas podem variar entre países; verifique sempre a bula local antes de prescrever.

Formas farmacêuticas: os cronogramas de redução geram apenas doses componíveis com as apresentações comercializadas no Brasil: cápsulas, comprimidos revestidos e formulações de liberação prolongada nunca são divididas, e comprimidos simples são fracionados no máximo ao meio (quando sulcados). Por isso as etapas descem em múltiplos da menor fração praticável de cada fármaco (ex.: sertralina em múltiplos de 25 mg; venlafaxina combinando cápsulas de 37,5 mg; tricíclicos em múltiplos de 25 mg; bupropiona XL nunca fracionada). Quando a dose em uso já é a menor apresentação, a orientação é manter por uma semana e suspender (considerando dias alternados se houver sintomas de retirada).

Fármacos com recomendação extrapolada: vilazodona, levomilnaciprano, milnaciprano, tianeptina, gepirona e a combinação dextrometorfano+bupropiona não constam nas tabelas de troca do Maudsley (Tab. 3.7) nem de Keks 2016 — para eles, a calculadora aplica as regras da classe farmacológica mais próxima e as janelas das respectivas bulas (FDA/SPC), sempre sinalizando essa extrapolação no resultado. Nesses casos, redobre a cautela e prefira a estratégia mais conservadora.

Referências

  • Taylor DM, Barnes TRE, Young AH. The Maudsley Prescribing Guidelines in Psychiatry. 15ª ed. Hoboken: Wiley Blackwell; 2025. Seção "Switching antidepressants" (Tabela 3.7 — swapping and stopping; Tabela 3.2 — doses mínimas eficazes; síndrome serotoninérgica).
  • Keks N, Hope J, Keogh S. Switching and stopping antidepressants. Aust Prescr 2016;39(3):76–83. doi:10.18773/austprescr.2016.039 (Tabelas 1–3).
  • Boyce P, Hopwood M, Morris G, et al. Switching antidepressants in the treatment of major depression: when, how and what to switch to? J Affect Disord 2020;261:160–163. doi:10.1016/j.jad.2019.09.082.
  • Horowitz MA, Taylor D. Tapering of SSRI treatment to mitigate withdrawal symptoms. Lancet Psychiatry 2019;6(6):538–546 (redução hiperbólica).
  • Buckley NA, Dawson AH, Isbister GK. Serotonin syndrome. BMJ 2014;348:g1626.

Psiquiatria em Movimento

contato@psiquiatriaemmovimento.com

@psiquiatriaemmovimento