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Algoritmo de esquizofrenia

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Algoritmo de esquizofrenia
PSIQUIATRIA EM MOVIMENTO · BIBLIOTECA DO ALUNO

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Sumário

Algoritmo de tratamento

Algoritmo de esquizofrenia

O algoritmo do IPAP percorrido uma decisão por vez, com o texto original de cada nó e uma nota sobre o que a literatura posterior acrescentou — mais o fluxograma completo, redesenhado e com os nós clicáveis.

International Psychopharmacology Algorithm Project (IPAP), © 2004 · notas com base em TRRIP 2017, PCDT/MS e literatura posterior

Algoritmo de esquizofrenia

Percorra o algoritmo do IPAP uma decisão por vez, com o texto original de cada caixa e uma nota sobre o que a literatura posterior acrescentou. O fluxograma completo fica logo abaixo — clicar em qualquer nó leva o navegador até ele.

De onde vemTradução do Schizophrenia Algorithm do International Psychopharmacology Algorithm Project (IPAP), © 2004, ipap.org. O texto dentro de cada caixa é o algoritmo original; tudo que aparece sob o rótulo “Na prática” é acréscimo de literatura posterior. O algoritmo é de 2004 e não incorpora nada disso.

Navegador passo a passo

Nó 1 de 12

Trilha das decisões

Considerar em cada etapa — os oito itens A–H

O algoritmo manda rever esta lista no nó 2 e em cada ponto subsequente do tratamento. Boa parte das refratariedades aparentes se desfaz aqui.

A Grande risco de suicídio

Avalie formalmente e registre. Entre os antipsicóticos, a clozapina é o único com ensaio dedicado ao desfecho e indicação regulatória específica para comportamento suicida recorrente na esquizofrenia e no transtorno esquizoafetivo — um risco suicida alto e persistente é, por si, argumento para considerá-la mais cedo, e não apenas a psicose refratária. Atenção ao caminho prático: a dispensação pelo SUS está vinculada aos critérios de refratariedade do PCDT, de modo que a antecipação por risco suicida pode exigir justificativa clínica circunstanciada ou via de acesso alternativa.

C-SSRS — rastreio de suicídio →
B Catatonia ou síndrome neuroléptica maligna

Muda a conduta imediatamente e sai da lógica do algoritmo.

Catatonia: benzodiazepínico é a primeira linha (lorazepam, com titulação conforme a resposta); a ECT é a alternativa nos casos refratários, graves ou com risco vital. Evite antipsicótico enquanto houver catatonia ativa — pode agravá-la e precipitar síndrome neuroléptica maligna. Investigue causa orgânica, incluindo encefalite autoimune.

Catatonia maligna: febre e instabilidade autonômica sobre um quadro catatônico. Sobrepõe-se clinicamente à síndrome neuroléptica maligna, responde mal ao benzodiazepínico isolado e exige ECT precoce e suporte intensivo.

Síndrome neuroléptica maligna: emergência médica com mortalidade relevante — rigidez, hipertermia, disautonomia, rebaixamento do nível de consciência e CPK elevada. Suspenda imediatamente o antipsicótico, transfira para ambiente de suporte intensivo, hidrate, resfrie e monitore CPK, função renal (rabdomiólise) e estado hemodinâmico. Nos casos moderados a graves considere dantroleno, bromocriptina ou amantadina; a ECT é opção nos refratários.

Nos três casos, retomar antipsicótico exige espera, cautela e reavaliação da escolha.

Bush-Francis (catatonia) → Material sobre catatonia →
C Agitação grave ou violência

Exige manejo próprio, de curto prazo — inclusive por via intramuscular e com benzodiazepínico associado quando necessário. É um paralelo ao algoritmo, não um degrau dele: resolvida a urgência, o paciente volta ao ponto em que estava.

Duas cautelas na via intramuscular: não associe olanzapina IM a benzodiazepínico parenteral — há relatos de sedação excessiva e depressão cardiorrespiratória fatais; sendo ambos necessários, respeite intervalo e monitore. E considere ECG/QTc ao usar haloperidol, sobretudo em doses repetidas.

Antes de chamar de agitação, descarte acatisia. O que muda é decisivo: na agitação psicótica costuma-se aumentar a dose do antipsicótico, e é exatamente isso que agrava a acatisia. Na acatisia a conduta é reduzir a dose, trocar o antipsicótico ou associar propranolol e/ou benzodiazepínico. Pergunte pela inquietação interna, não apenas observe o movimento.

Simpson-Angus (sintomas extrapiramidais) →
D Falta de adesão ao tratamento

A causa mais comum de “refratariedade” que não é refratariedade. Os critérios do TRRIP só consideram adequada a tentativa com adesão de pelo menos 80% das doses, documentada por ao menos duas fontes, e com dosagem plasmática do antipsicótico em pelo menos uma ocasião. Sem isso, uma tentativa fracassada não conta — e antipsicótico de ação prolongada passa a ser a resposta mais direta.

E Sintomas de depressão ou de humor

Reavalie o diagnóstico: sintomas de humor proeminentes e persistentes apontam para transtorno esquizoafetivo ou transtorno do humor com sintomas psicóticos. Diferencie ainda depressão pós-psicótica, sintomas negativos e efeito adverso do antipsicótico — as três se parecem e pedem condutas diferentes.

F Abuso de substâncias

Piora o desfecho, reduz a adesão e confunde a avaliação de resposta. Uso ativo de estimulante ou de cannabis pode sustentar sintomas psicóticos que seriam atribuídos à falha do antipsicótico. Investigue antes de declarar a tentativa fracassada.

G Primeiro episódio ou fase prodrômica

O primeiro episódio responde mais e a doses menores: comece baixo e evite dose alta por impaciência. Ainda assim, cerca de um quarto dos primeiros episódios acaba preenchendo critérios de refratariedade — o que reforça acompanhar a resposta com medida, e não com impressão.

Fase prodrômica é outra coisa. No estado mental de risco não há diagnóstico firmado e o algoritmo não se aplica: a maioria não converte para psicose. A recomendação atual é acompanhamento próximo, intervenção psicossocial e tratamento das comorbidades — antipsicótico não é conduta de rotina, ficando reservado a sintomas psicóticos francos ou risco elevado, com reavaliação frequente.

H Efeitos colaterais induzidos pelo tratamento

Sintomas extrapiramidais, acatisia, sedação, ganho de peso e alterações metabólicas, hiperprolactinemia e movimentos tardios. Intolerabilidade motiva troca, mas não conta como falha de eficácia — é a distinção que o nó 4 faz e que decide se o paciente caminha ou não para a refratariedade.

Monitore com calendário, não por impressão: peso e circunferência abdominal em toda consulta; pressão arterial, glicemia e lipidograma na linha de base, aos 3 meses e ao menos anualmente; prolactina quando houver sintomas (amenorreia, galactorreia, disfunção sexual); ECG/QTc na linha de base com ziprasidona e haloperidol ou diante de fator de risco; AIMS periódico para movimentos tardios.

AIMS — discinesia tardia →

Fluxograma completo

Clique em qualquer nó para levar o navegador até ele. O nó em que você está fica destacado; os já percorridos ficam marcados.

sim sim sim sim não não não não sim não 1. Diagnóstico de esquizofrenia ou transtorno esquizoafetivo 1. Diagnóstico de esquizofreniaou transtorno esquizoafetivo 2. Considerar os problemas críticos 2. Considerar os problemas críticosiniciais ou emergentes que afetem omanejo e a escolha das medicações (aqui e emcada ponto subsequente do tratamento) 3. Monoterapia — primeira tentativa MONOTERAPIA 3. Tratamento de 4 a 6 semanas com umantipsicótico atípico (AMI, ARIP, OLANZ,QUET, RISP ou ZIP) ou, se não estiverdisponível, HAL, CHLOR ou outro típico 4. Dose e duração adequadas, sem intolerabilidade? 4. Dose e duração adequadas,sem intolerabilidade? 5. A psicose persiste após o ajuste da dose? 5. A psicose persisteapós o ajuste da dose? 6. Monoterapia — segunda tentativa MONOTERAPIA 6. Segunda tentativa por 4–6 semanas com umsegundo antipsicótico atípico, quando disponível,ou segunda tentativa com antipsicótico típico 7. Tratamento adequado? (ver nó 4) 7. Tratamentoadequado? (ver 4) 8. Psicose ou discinesia/distonia tardia moderada ou grave? 8. Psicose ou discinesia tardiaou distonia tardia moderada ougrave após o ajuste da dose? 9. Clozapina por seis meses, até 900 mg/dia 9. Tratamento por seis mesesaté 900 mg/dia de CLOZ 10. Sintomas persistentes? 10. Sintomaspersistentes? 11. Otimizar a clozapina e/ou potencializar 11. Otimizar a CLOZ e/oupotencializar com ECT ou medicaçãoadjuvante, alternar estratégias 12. Entrar na fase de manutenção 12. Entrar nafase de manutenção

Legenda das siglas

Atípicos — AMI = amissulprida; ARIP = aripiprazol; CLOZ = clozapina; OLANZ = olanzapina; QUET = quetiapina; RISP = risperidona; ZIP = ziprasidona.

Típicos — CHLOR = clorpromazina; FLU = flufenazina; HAL = haloperidol; THIO = tiotixena.

Outros — AD = antidepressivo; BZD = benzodiazepínico; ECT = eletroconvulsoterapia; IM = intramuscular; MS = estabilizador do humor.

FLU, THIO, AD, BZD, IM e MS constam da legenda do pôster original, mas se referem a quadros de detalhamento que não fazem parte deste fluxograma. Grafias atualizadas para a norma brasileira vigente: o original de 2004 traz “amisulprida” e “electroconvulsoterapia”.

⚠️ Instrumento de apoio ao ensino e à decisão — não substitui o julgamento clínico. O algoritmo original é de 2004 e não reflete, por si, as recomendações atuais; as notas “Na prática” trazem literatura posterior, mas não substituem diretrizes vigentes nem a checagem da disponibilidade e das indicações em bula no Brasil.

Somente para uso por profissionais de saúde, não para uso por pacientes.

O que mudou desde 2004

Três pontos em que a prática se afastou do desenho original, e que valem a pena guardar:

  • “Tratamento adequado” ganhou definição operacional. O consenso TRRIP (2017) fixou o que o algoritmo deixava em aberto nos nós 4 e 7: dose ≥ 600 mg/dia em equivalentes de clorpromazina, duração ≥ 6 semanas, ao menos duas tentativas com antipsicóticos diferentes, sintomas de gravidade ao menos moderada com redução < 20%, prejuízo funcional ao menos moderado, adesão ≥ 80% documentada por duas fontes e dosagem plasmática ao menos uma vez.
  • A clozapina se guia por nível plasmático, não por miligramas. O nó 9 fala em “até 900 mg/dia por seis meses”. Hoje o que define uma chance justa é o nível de vale ≥ 0,35 mg/L, com resposta habitual entre 0,35 e 0,60 mg/L e risco crescente de toxicidade acima de 1 mg/L.
  • O gargalo é o atraso, não a escolha do fármaco. Cerca de 30% dos pacientes preenchem critérios de refratariedade, e a refratariedade costuma poder ser firmada em torno de 12 semanas — mas o tempo médio em outros antipsicóticos antes da clozapina chega a 4 anos no Reino Unido, com faixas internacionais de 2 a 10 anos. Não há aqui dado brasileiro equivalente.
  • A hierarquia “atípico primeiro” não se sustentou. O nó 3 põe os típicos como alternativa “se não estiver disponível” um atípico. Fora a clozapina, as diferenças de eficácia entre antipsicóticos são pequenas, e a escolha se faz pelo perfil de efeitos adversos, comorbidades, via de administração e preferência do paciente — o próprio PCDT afirma que todos, exceto a clozapina, podem ser usados sem ordem de preferência. Some-se o que não existia em 2004: paliperidona, lurasidona, asenapina, cariprazina, brexpiprazol, e um repertório bem maior de apresentações de ação prolongada.

Referências

  1. International Psychopharmacology Algorithm Project. Schizophrenia Algorithm. © 2004. ipap.org.
  2. Howes OD, McCutcheon R, Agid O, et al. Treatment-Resistant Schizophrenia: Treatment Response and Resistance in Psychosis (TRRIP) Working Group Consensus Guidelines on Diagnosis and Terminology. Am J Psychiatry. 2017;174(3):216-229.
  3. Brasil, Ministério da Saúde. Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas — Esquizofrenia. Portaria SAS/MS nº 364, 2013 (e revisões).
  4. Flanagan RJ, Gee S, Belsey S, Couchman L, Lally J. Therapeutic monitoring of plasma clozapine and N-desmethylclozapine (norclozapine): practical considerations. BJPsych Advances. 2023;29:92-102. doi:10.1192/bja.2022.71
  5. Royal College of Psychiatrists. Clozapine for treatment-resistant schizophrenia: the case for timely use. Position statement PS01/26.
  6. Meltzer HY, Alphs L, Green AI, et al. Clozapine treatment for suicidality in schizophrenia: International Suicide Prevention Trial (InterSePT). Arch Gen Psychiatry. 2003;60(1):82-91.
  7. Kane JM, Agid O, Baldwin M, Howes O, Lindenmayer JP, Marder S, Olfson M, Potkin SG, Correll CU. Clinical guidance on the identification and management of treatment-resistant schizophrenia. J Clin Psychiatry. 2019;80(2):18com12123. doi:10.4088/JCP.18com12123

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